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Crítica | A Ilha da Fantasia | Uma Total Falta de Criatividade

A Ilha da Fantasia é uma série clássica que foi ao ar entre os anos 1978 e 1984. Criada por Leonard Goldberg e Aaron Spelling, a produção tinha um ar de aventura e humor que ditavam seus episódios.

Ao todo foram 157 episódios em todas as temporadas que o seriado teve, e que contava a história de dois anfitriões, interpretados por Ricardo Montalbán (Sr. Roarke) e Hervé Villechaize (Tattoo) e que eram os responsáveis por levar as pessoas pela ilha e fazer com que elas fantasiassem suas mais diversas excentricidades pela local, causou grande sucesso na época que foi exibida na TV, tanto que teve sete temporadas na televisão.

DA TV para o Cinema

Nas mais diversas produções de Hollywood as séries sempre serviram de celeiro criativo para que adaptações fossem levadas para as telonas, e assim as franquias pudessem ganhar força, já que muitas delas não tinham mais tanta relevância ou força com o seu público ou não tinham mais história suficiente para se sustentar no ar.

É o caso de longas como As Panteras, Anjos da Lei e Star Trek, nesse último aconteceu um sucesso maior que nos dois casos anteriores. É difícil medir o sucesso de como uma produção irá se sair no cinema, já que na TV ela foi um sucesso possivelmente por ter mais tempo de tela e até mesmo por ser um público diferente do estabelecido no cinema.

A Adaptação

É nessa leva que se encaixa a adaptação de A Ilha da Fantasia, e o filme – para aqueles que esperavam alguma coisa positiva – é uma perfeita decepção, para não dizer frustrante. A começar que a Sony Pictures contratou o cineasta Jeff Wadlow pelo seu trabalho em filmes teens de terror como Verdade ou Desafio, mas a verdade é que o cineasta nunca emplacou nada de relevante, até a sequência de Kick-Ass 2 se tornou irrelevante em suas mãos, com uma franquia que tinha muito potencial depois de um ótimo primeiro longa.

Um dos maiores erros, entre tantos, de A Ilha da Fantasia é o de querer fazer um filme de terror, sendo que a história pedia outro gênero, pelo menos o roteiro não se sustentou em contar uma história de horror. A verdade é que o diretor não tinha a menor ideia do que estava fazendo ali. Percebe-se nitidamente que em vários momentos não sabia se ia pelo caminho do cinema do gênero de ação, ou pelo drama, ou pelo terror. Na realidade, Wadlow utiliza tão mal o roteiro que o direciona para caminhos tão estranhos que nem sabe qual sentido que quer dar para a trama.

Percebe-se que o cineasta quis captar a essência de vários episódios da série de A Ilha da Fantasia, e isso atrapalhou bastante o andamento da narrativa, é só reparar que cada história de personagem tem um tom diferente contado, um mais dramático do outro, um humorístico, e por aí vai. São caminhos que o cinema permite, mas que não são desenvolvidos a fundo, algo que em uma série teria mais tempo, e que em um longa não há tanto tempo assim, e que no filme acaba se tornando muito superficial.

Outra coisa que atrapalha bastante é o sentimento de grandeza que acomete a produção. O diretor parece querer fazer algo maior do que o filme realmente é, mirou em Lost ou em Game of Thrones e acabou acertando em um filme B trash de baixo orçamento, algo que não deveria acontecer, isso se imaginar o orçamento dado ao cineasta para fazer o longa.

Atrapalha também o roteiro ser pessimamente elaborado no sentido das “fantasias” em si. Por serem tão abstratas e tão inimagináveis ficou óbvio que o diretor com o tempo do roteiro começou a se perder em seu gigantismo de idéias que foi colocando na trama. Fora que essa ideia abstrata é algo que não funciona com o público, portanto, se fosse para fazer algo para prender o público-alvo seria mais interessante ter chamado um diretor na linha de Ari Aster ou Jordan Peele que são diretores que sabem trabalhar temas abstratos de forma a causar o horror e fascínio no espectador de forma impactante, algo que Wadlow não consegue.

O roteiro já mencionado é cheio de furos, para não dizer as várias confusões que ele cria com o passar do tempo. Ao término do filme ficam mais dúvidas que perguntas respondias, e isso é péssimo para o espectador que irá sair de frente da tela com vários questionamentos, como o que é a ilha? O que são as fantasias? O que é a água negra? São perguntas que são respondias ao longo da produção, mas que não são aprofundas ou que são mal respondidas. A própria revelação do segredo final é confusa, uma confusão por sinal das várias que o roteiro possibilita. As reflexões não são apresentadas de uma maneira que facilite o entendimento, parece que o roteiro faz isso de propósito para deixar a narrativa mas difícil de ser compreendida e assim causar alguma surpresa no final com um plot twist surpreendente, algo que acaba não acontecendo.

O pior estava reservado para o ato final com dois plot twists extremamente desnecessários, o primeiro já havia servido para dar uma movimentada na narrativa, havia desfeito toda a trama, mas pelo menos havia dado mais iniciativa para um filme que havia se tornado chato. Mas o plot final arruinou tudo o que havia sido arrumado, não dá para entender o que o diretor quis fazer com aquela virada final do roteiro.

A Ilha da Fantasia perde uma grande oportunidade de trazer para o público atual as histórias cativantes de uma época passada do seriado clássico. Não era necessário recriar a produção original, mas pelo menos um respeito a obra original ou pelo menos tentar fazer algo mais interessante, tentando mudar a fórmula da produção. Perdeu-se uma grande oportunidade de ter um grande diretor a frente do projeto, talvez no futuro um cineasta com mais ambição consiga dar um maior direcionamento para um filme que mereça algo a mais e não apenas uma história arrastada e sem sentido.

A Ilha da Fantasia (Fantasy Island, EUA – 2020)

Direção: Jeff Wadlow
Roteiro: Jillian Jacobs, Christopher Roach, Jeff Wadlow
Elenco: Michael Peña, Maggie Q, Lucy Hale, Austin Stowell, Jimmy O. Yang, Portia Doubleday, Ryan Hansen, Michael Rooker, Parisa Fitz-Henley, Mike Vogel, Kim Coates, Robbie Jones
Gênero: Aventura, Fantasia, Horror
Duração: 109 min.

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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