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Crítica | Armugan – Refletindo sobre a vida e a morte

Jo Sol pinta ideias em preto e branco.

Herbert Santos
Herbert Santos Redação
13 de outubro de 2021 · 3 min de leitura
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Sob um olhar frio, a morte não é necessariamente a pior parte, e sim os momentos que lhe antecedem. O filme espanhol Armugan, dirigido por Jo Sol, que está presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tem pontos a serem discutidos sobre os processos da vida.

Inicialmente, Sol entrega uma pequena narração e alguns planos contemplativos para o público digerir durante os créditos. É fundamental compreender e pegar o fio da meada a partir desse ponto, caso contrário a trama não funciona. Não há outras dicas ou sequer um outro momento para encontrar respostas, fazendo com que essa seja uma peça audiovisual que apela para o público se exercitar no campo da criação.

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Em linhas gerais, Armugan é um homem com pouca mobilidade que tem uma missão na vida, e para ajuda-lo há um homem forte e alto, Anchel. Ambos servem um propósito muito claro e pontual na região em que vivem, mas tudo isso levanta muitas questões dos que lhe pedem ajuda. Um dos maiores conflitos ocorre quando uma mãe vem lhe pedir ajuda, pois seu filho está vivendo com auxílio de aparelhos.

Íñigo Martínez interpreta o personagem título com um semblante dúbio, fazendo assim um personagem tridimensional com as poucas falas que tem. É corajoso, da parte de Martínez, fazer um personagem que diz uma coisa e expressa outra. O conflito interno após cada missão, mesclando momentos solitários no alto da montanha com interações animais, dão pistas vagas para irmos montando o Armugan que quisermos. Já como seu fiel servo, Gonzalo Cunill tem pouco com o que trabalhar. Representado como um transeunte entre os que pedem ajuda e os que compreendem a missão, o personagem de Anchel se torna uma muleta da história, sendo ele o causador de conflitos no decorrer da narrativa. Há momentos pontuais e até mesmo a narração do começo, mas nada que possa acompanhar o personagem título.

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Com um foco grande em discutir a morte, o diretor e também roteirista opta por filmar em preto e branco. Pareceu-me um exercício de linguagem para discutir o cinza do espectro, onde não necessariamente é extremo ou definitivo. Há uma combinação lírica em belas paisagens sem cor. Seguindo a cartilha da trama, a fotografia de Daniel Vergara é composta por momentos da luz mágica, o pôr do sol, reflexões na água e em momentos a opressão da luz incandescente, e tudo isso sem cor. Sabemos quais são os recursos visuais, mas não depende do filme nos entregar.

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Não é fácil dissertar ou pedir para ser reflexivo sobre vida e morte, mas fique atento ao assistir esse filme e suas perguntas. Acho difícil alguém sair da sessão plenamente satisfeito com a sua interpretação, ou até mesmo comentando “que perda de tempo”. Mas é aí que Armugan lhe pega: é perda de tempo pensar em morrer para viver?

Armugan (Espanha, 2020)

Direção: Jo Sol
Roteiro: Jo Sol
Elenco: Gonzalo Cunill, Iñigo Martínez, Núria Lloansi, Núria Prims
Gênero: Drama
Duração: 90 min

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Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

Tags: #45ª Mostra Internacional de São Paulo #Armugan #Mostra SP
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