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Mixtape tem maior nota do ano e virou alvo de ódio online

Mixtape recebe notas altíssimas da crítica, mas divide jogadores nas redes: curta duração e mecânicas mínimas estão no centro da polêmica.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Lançado em 7 de maio, Mixtape rapidamente se tornou um dos jogos mais polêmicos de 2026 — não pelo conteúdo em si, mas pela distância entre o que a crítica especializada e o público nas redes sociais pensam sobre ele. O título narrativo da Beethoven & Dinosaur acumula uma nota 95 no Metacritic na versão Xbox, 91 no PC e 85 no PS5. Ao mesmo tempo, virou alvo de críticas severas em fóruns e plataformas de streaming, onde muitos jogadores questionam se ele sequer merece ser chamado de jogo.

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A divisão é real e diz muito sobre o momento atual da indústria.

O que incomoda uma parte do público

As críticas se concentram em três pontos principais. O primeiro é a duração: Mixtape pode ser concluído em duas a três horas. O segundo é a profundidade mecânica: o jogo tem seções on-rails com elementos de QTE que, em certos momentos, se completam sozinhos sem nenhuma interação do jogador. O terceiro ponto, mais específico, envolve um segmento que simula adolescentes se beijando de forma considerada estranha por parte do público — e que circulou amplamente nas redes.

Um clipe de três minutos mostrando uma dessas seções automáticas acumulou 14 milhões de visualizações em dois dias. O usuário que publicou o vídeo resumiu a crítica em uma frase: “Toda forma. Nenhuma substância. Sempre que há um pequeno momento de personagem, você é jogado para o próximo set piece jogável.”

A crítica especializada discorda — e também virou alvo

A IGN deu nota 10 ao jogo. A própria Insider Gaming, veículo que publicou a análise base desta reportagem, também concedeu nota máxima, descrevendo Mixtape como “uma obra-prima nostálgica de amadurecimento que captura o peso emocional de três amigos enfrentando o último dia do ensino médio.”

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Essas notas, porém, não ajudaram a acalmar os ânimos. Pelo contrário: parte do público passou a questionar a integridade das avaliações, sugerindo que críticos e influenciadores teriam sido pagos para elogiar o título. Um pacote promocional enviado pelo desenvolvedor circulou nas redes e gerou três milhões de visualizações — combustível para a narrativa de que havia dinheiro envolvido nas análises positivas.

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Os números contam outra história

O pico de jogadores simultâneos no Steam foi de 2.245 usuários — um número baixo à primeira vista. Mas Mixtape é gratuito no Xbox Game Pass, o que significa que a maior parte do público joga pela assinatura, não pelo Steam. Mesmo assim, mais de 3.000 avaliações na plataforma da Valve geraram uma aprovação de 89,79% — consistente com as notas da crítica.

No Twitch, o pico foi de cerca de 20.000 espectadores simultâneos. O número modesto tem explicação direta: a trilha sonora do jogo é totalmente licenciada, o que torna o streaming do conteúdo problemático por questões de direitos autorais.

Um jogo que não quer ser o que seus críticos esperam

Mixtape não tenta ser uma aventura mecanicamente rica ou expansiva. A proposta é ser um título curto — assim como uma fita cassete dos anos 1990, que comportava no máximo 90 minutos de música. Quem busca sistemas complexos ou longas campanhas vai encontrar o produto errado.

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A polêmica em torno do jogo reflete um debate mais amplo sobre o que define um “jogo de verdade” — e quem tem o direito de estabelecer esse critério. Por enquanto, Mixtape segue sendo simultaneamente um dos títulos mais bem avaliados do ano e um dos mais atacados online.

Tags: #Mixtape
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