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Crítica | As Panteras – Um roteiro que não sabe bem qual caminho tomar

As Panteras é um conteúdo vazio que mesmo assim diverte. Não há muito o que se esperar de uma produção que tinha tanto a se levar adiante

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
13 de novembro de 2019 · 6 min de leitura
Crítica | As Panteras – Um roteiro que não sabe bem qual caminho tomar

Desde 2003 que a franquia As Panteras não recebia um novo capítulo, e muito se deve ao que foi feito com os dois filmes anteriores dirigidos de forma espalhafatosa por McG. Um reboot era necessário, primeiro para adaptar a história para a nova geração e segundo para atualizar a trama que já não tinha mais forças com a velha história de espionagem ou de bandidagem, e até por isso, naquela ocasião dos anos 2000, os longas acabaram perdendo a força e não tendo novas continuações.

Fato é que essa releitura de As Panteras, dirigido por Elizabeth Banks (A Escolha Perfeita 2), tem novos elementos que pode agradar aos fãs, principalmente em relação a questão do feminismo, que é um tema bastante atual e que não poderia ficar de fora do roteiro, mas isso não é algo que atrapalha a narrativa, nem que é tocado a todo o instante, ou que simplesmente é jogado em cena por ser jogado. Há sim alguns momentos chaves que são inseridos alguns temas feministas, mas isso feito porque a cena demanda isso e porque o próprio roteiro foi escrito com esse propósito.

Há muitas cenas que se constatam como o feminismo é importante, há cenas de assédio contra a personagem Elena Houghlin (Naomi Scott), preconceitos e outros temas do cotidiano que são inseridos na trama, mas que não são discutidos a fundo. Infelizmente a ideia não é debater temas sensíveis a sociedade, como a produção O Escândalo (Jay Roach) fará, por exemplo. Na realidade é uma grande oportunidade perdida em tratar dessas questões sem maior força e maior clareza. Há situações que poderiam dar muito mais assunto e que acabam se perdendo por não ser o foco do roteiro. 

As cenas de ação, que são a marca registrada da franquia, continuam no reboot e vão a um nível adiante, sendo melhores coreografadas como devem ser, utilizando melhores habilidades de lutas, com confrontos melhores pensados entre o trio de protagonistas e os vilões que vão surgindo. Não são cenas de ação de tirar o fôlego como as apresentadas em Lucy (2014) ou Atômica (2017) em que as personagens socam os antagonistas e tiram rios de sangue, aqui a ação é mais para impressionar e apresentar a força das três como equipe, e não para apenas mostrar a força física de cada uma. A ação, como tempo do longa, acaba se tornando algo bastante dispensável, mas isso por causa do roteiro e não por causa das cenas de ação em si.

O roteiro tenta se reinventar em um cenário em que as produções de filmes de ação quase sempre acabam indo para o lado da espionagem ou para o lado da traição entre equipes. O roteiro tenta se reinventar e ser original nesse cenário, e até tem momentos que conseguem destoar do que já havia sido feito nos dois longas anteriores. Obviamente que não dá para fazer nada novo assim do nada e os clichês vão surgindo com o tempo e o roteiro que de início parecia mais realista acaba se tornando um grande catado de filmes do gênero.

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Há até uma tentativa de reviravolta próxima ao final que funciona por um momento, mas que atrapalha bastante o que havia sido criado no início da narrativa, e muito disso envolve o surgimento do vilão. Na realidade a direção faz uma grande atrapalhada com a criação deste vilão em si. Em um primeiro momento aponta para um subalterno forte como tem que ser, e depois apresenta o todo poderoso antagonista que tem sua importância para a trama, e que acaba por trazer uma grande mudança para a história futura de As Panteras. 

O protagonismo é dividido entre as três personagens interpretadas por Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska. Das três quem se destaca realmente, até porque a personagem ajuda bastante, é Naomi Scott, que faz o papel de uma mulher que parece ingênua, mas que esconde algo a mais dentro de si: é inteligente, sensata e com raciocínio rápido. Ella Balinska tem os seus momentos, principalmente nas cenas de ação, mas são tantas em que a atriz está presente que acaba se tornando repetitiva, e acaba mostrando como sua personagem de fato é vazia. Há uma tentativa de estabelecer um romance entre Ella Ballinska com o personagem de Noah Centineo, mas que não vai para a frente, até porque o personagem dele – e de todos os homens do filme – é extremamente irrelevante. Kristen Stewart é a que mais surpreende, sua atuação é convincente, principalmente pelas ótimas tiradas que dão uma suavizada para as cenas, mas infelizmente sua protagonista é ruim e desmiolada, algo que parece frequente nas produções de Elizabeth Banks. 

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O mais problemático de Charlie’s Angels (nome original) fica em relação a direção fraca de Elizabeth Banks, que já havia feito dois trabalhos desastrosos em A Escolha Perfeita 2 e Para Maiores. Sua direção neste reboot de As Panteras não vai além do óbvio, não traz nada de original e novo, e não traz novos caminhos para a trama. Fato é que o filme lembra muitos outros do gênero e sua direção tem momentos produtivos e outros que não fazem sentido algum, mesclando cenas de ação boas e diálogos sonolentos que não levam a lugar algum. O alívio cômico mesmo é um exemplo disso, inserido principalmente sob o aspecto do ponto de vista da personagem de Kristen Stewart, tendo boas tiradas que fazem o público rir, enquanto há outros momentos que não se ouve uma gargalhada se quer.

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As Panteras é um conteúdo vazio que mesmo assim diverte. Não há muito o que se esperar de uma produção que tinha tanto a se levar adiante, tantas mensagens a serem trabalhadas, mas que falha em sua criação narrativa e no jeito que elabora sua história. Não é um fracasso completo, pois há os seus momentos, mas fica aquele sentimento de que algo melhor poderia e deveria ser feito, ainda mais em relação ao tratamento da trama principal e da motivação das protagonistas. Provavelmente o filme terá uma continuação, e caso isso aconteça, que pelo menos pensem melhor em que filme querem levar para a tela e que mensagem querem passar para o público.

As Panteras (Charlie’s Angels, EUA, 2019)

Direção: Elizabeth Banks
Roteiro: Elizabeth Banks, Evan Spiliotopoulos, David Auburn
Elenco: Kristen Stewart, Naomi Scott, Ella Balinska, Elizabeth Banks, Patrick Stewart, Djimon Hounsou, Sam Claflin, Jonathan Tucker, Nat Faxon, Noah Centineo
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Duração: 118 min.

Tags: #As Panteras #Djimon Hounsou #Elizabeth Banks #Ella Balinska #Kristen Stewart #Naomi Scott #Noah Centineo #Patrick Stewart
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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