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Crítica | Blade Runner Black Out 2022 – O toque “Watanabe”

Um conto replicante com o toque da animação japonesa de Shinichiro Watanabe.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
20 de fevereiro de 2024 · 3 min de leitura
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Crítica | Blade Runner Black Out 2022 – O toque “Watanabe”

Blade Runner Black Out 2022 é um curta de 15 minutos dirigido por Shinichiro Watanabe, diretor japonês de animes consagrados como Cowboy Bebop, Samurai Champloo e, mais recentemente, Space Dandy. 

No curta acompanhamos a história de um grupo de replicantes que planeja um ataque em uma database onde é registrado todos os replicantes. Para a execução do objetivo, eles explodirão uma bomba nuclear em baixa atmosfera, causando uma queda de energia em toda a costa oeste dos Estados Unidos. Na linha cronológica do universo de Blade Runner, o curta se passa alguns anos após o primeiro filme dirigido por Ridley Scott e alguns anos antes (27 anos, para ser preciso) do novo filme, Blade Runner 2049.

A crise de identidade de um replicante em uma sociedade que despreza e ao mesmo tempo se utiliza deles é algo bem abordado aqui, colocando em perspectiva a justificativa da revolta do grupo que organiza o Black Out, especialmente os protagonistas Trixie e Johnny. Robôs que serviram como meros objetos sexuais ou como brinquedos de uma guerra controlada remotamente por humanos. 

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Watanabe já tinha participado de um projeto semelhante dirigindo alguns curtas em Animatrix, histórias que complementavam o universo criado pelos (então irmãos) Wachowski. Aqui o diretor se utiliza mais uma vez de elementos conhecidos da franquia para contar uma história fechada envolvendo personagens fora do universo cinematográfico. O futuro sombrio de Blade Runner é muito bem retratado em cenas aéreas muito parecidas com o filme de Ridley Scott. Dá para notar o quanto Watanabe conhece e respeita o material original.

Apesar de ter apenas 15 minutos, o curta tem uma variedade de técnicas que impressiona. Como na cena do passado do Replicante Johnny, onde vemos tudo em uma espécie de plano sequência animado com hachuras. Sempre com um alto nível de taxa de quadros, passeando entre diversos estilos, como modelos de veículos em 3D (que se encaixam muito bem com os personagens bidimensionais), e traços com menos detalhes para realçar o movimento em cenas de ação.

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E apesar do visual futurístico de Blade Runner, Watanabe adiciona algumas cenas para criar certo realismo e proximidade com o espectador. Como a sequência que estabelece um resumo dos conflitos entre humanos e replicantes antes da data que o anime se passa. Ali o diretor se utiliza de tomadas replicando uma câmera na mão, acrescentando um nível de crueza da violência às imagens. Watanabe sabe muito bem onde colocar cada técnica para cada situação.

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Além do visual temos a trilha sonora que oferece suporte a recriação do universo de Blade Runner, com músicas inspiradas claramente nas composições de Vangelis no filme de 1982. Sons etéreos, cristalinos, contrastando com o sujo e decadente da cidade de Los Angeles. Pequenas referências são encontradas em cenários (a icônica propaganda com uma gueixa em um dos prédios da cidade) e algumas dicas de personagens que serão importantes no novo filme dirigido por Denis Villeneuve. A mais proeminente é a do interpretado por Dave Batista, Sapper Morton, um replicante ex-soldado.

O curta termina de forma apoteótica, bombástica e extremamente relevante para o entendimento do universo de Blade Runner 2049. Shinichiro Watanabe consegue mais uma vez dar o seu “toque de Midas” e entregar um curta com todas as qualidades como diretor, com muita técnica e primor na animação. Recomendado para quem gosta de Blade Runner e quer ver uma perspectiva diferente com a base familiar da franquia.

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Tags: #Anime #Blade Runner
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