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Crítica | Chuva Negra – A Batalha do Gaijin

Um dos filmes mais subestimados de Ridley Scott.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
15 de janeiro de 2018 · 5 min de leitura
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Ridley Scott estava com a carreira bem encaminhada ao brincar em gêneros como: Ficção Cientifica (Alien, O Oitavo Passageiro de 1979 e Blade Runner: O Caçador de Androides de 1982); épico (Os Duelistas, de 1977) e fantasia (A Lenda, de 1985). O gênero policial foi visitado em Perigo na Noite de 1987 e dois anos depois ele volta para o mesmo nesse ótimo Chuva Negra. Não diria que esse filme é uma mudança do paradigma dos filmes policias, mas que é um dos melhores filmes de Scott, não há duvida.

O longa começa em Nova York, apresentando o herói da história: o detetive durão Nick Conklin (Michael Douglas), que está sendo investigado pela Corregedoria pela acusação de ter roubado dinheiro de um traficante. Em um dia qualquer, ele está almoçando com o seu parceiro, o bem-humorado Charlie Vincent (Andy Garcia), e ambos testemunham um assassinato e prendem o suspeito, o perigoso Saito (Yusaku Matsuda), que faz parte da Yakuza, a máfia japonesa. Após uma situação burocrática, Nick e Charlie são enviados para o Japão para entregar Saito para as autoridades, porém o criminoso acaba escapando ao chegar ao seu destino. Os detetives não se vêm em outra solução ao não ser colaborar com o rígido tenente da policia local, Masahiro Matsumoto (Ken Katatura) para encontrar Saito e descobrir o que ele estava fazendo nos Estados Unidos.

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Bom, a sinopse é bem simples, assim como toda a trama que leva o longa. Mas mesmo tendo essa simplicidade, o roteiro de Craig Bolotin e Warren Lewis se mostra muito consistente. Primeiro pela condução do caso que não se mostra mais inteligente do que é, sendo que as pistas e as repostas não vêm de maneira óbvia e fácil.  E outro ponto forte do roteiro é como o caso acaba deixando subtestos complexos que são trabalhados na trama como honra, ética, amizade, confiança e parceira. Além da difícil relação entre americanos e japoneses, esse mais explicito nas constantes discussões entre Nick e Masahiro, pois o que o primeiro tem de agressivo e impetuoso o segundo tem de calmo e correto. Essa discussão também está vista na presença de Joyce (Kate Capshaw), uma americana que trabalha em uma boate japonesa e deixa claro para Conklin como eles são vistos como estrangeiros que não tem a menor importância para os japoneses.

Além dos personagens serem muito bem escritos para um filme com a clássica estrutura de policia e ladrão. Todos eles tem boas motivações e suas complexidades, como o nosso herói Nick Conklin. Em momento algum duvidamos de suas intenções, mas seus métodos são questionáveis, por conta do seu temperamento violento. Assim como Masahiro, que por mais que às vezes possa soar uma pessoa muito rígida quanto as regras, percebe que há uma forte questão de honra envolvida.

Tecnicamente o longa é bem caprichado, o que é uma característica de Scott quando está inspirado. Visualmente o longa é bem interessante, por parecer dar a sensação que o Japão é outra realidade dos Estados Unidos. A direção de arte de Norris Spencer acerta ao mostrar que mesmo embaixo de chuva, a arquitetura do Japão é praticamente futurista. Isso se mostra dos carros até as cenas internas. Por exemplo: quando os protagonistas caem em uma cilada no meio de uma galeria, parece uma cidade futurista por conta da arquitetura e das luzes e do uso tanta tecnologia, como os imensos outdoors. É bem interessante. Já a fotografia de Jan de Bont se mostra muito eficiente, por criar uma atmosfera ameaçadora todo o momento, lembrando muito o noir.

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Praticamente só se chove em qualquer cenário e sempre há a presença forte de alguma fumaça. Além de geralmente as cenas internas são escuras, com uso forte de silhueta e contrastes. Sem falar nas luzes de neon, que está em todas as ruas japonesas. É um trabalho que mostra o cuidado visual que há presente nos trabalhos no diretor, até nos seus piores filmes.

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Já que Ridley Scott foi citado, a condução de Chuva Negra é um dos seus trabalhos mais inspirados. Além de todo o cuidado visual que foi citado no parágrafo anterior, as sequencias de ação e suspenses são excelentes. Além de bem montadas – aliás, a montagem de Tom Rolf é ótima – elas constroem com muita eficiência a tensão, além de deixarem claro toda a geografia do local e a ação, evitando cortes rápidos em questão de segundos. E as sequencias são diferentes, vem nos momentos corretos que o roteiro pede e são muito bem filmadas. Vale ressaltar que o longa tem um ritmo excelente.

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O elenco se mostra muito bem escolhido, todos fazem muito bem os seus respectivos papeis, mas o destaque fica para Michael Douglas que está em praticamente todas as cenas do longa. Sempre um ator disciplinado, Douglas mostra uma ótima presença de tela e carisma, além de convencer como um policial bad ass. E ele se mostra feliz em dar a ambiguidade do protagonista quanto as suas ações, sendo que mostra que não se orgulha delas. Andy Garcia se mostra um bom side kick e alivio cômico nos momentos corretos, por Charlie ser menos esquentado que Nick e Ken Takakura tem uma ótima químicas com ambos e se mostra um ator com olhar forte e expressivo.  

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Enfim, pode se dizer que Chuva Negra é um dos trabalhos mais interessantes feitos por Ridley Scott. A história se sustenta, os atores estão bem e é uma ótima diversão. Mesmo com a carreira inconstante que Scott tem, quando ele acerta, acerta em cheio. E mostra que realmente é um cineasta acima da média.

Chuva Negra (Black Rain, EUA – 1989)

Direção: Ridley Scott
Roteiro: Craig Bolotin e Warren Lewis
Elenco: Michael Douglas, Andy Garcia, Ten Takakura, Kate Capshaw e Yusaku Matsuda
Gênero: Ação/ Policial
Duração: 125 min

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Tags: #Andy Garcia #Hans Zimmer #Jan de Bont #Japão #Kate Capshaw #Michael Douglas #Policial #Ridley Scott #Violência #yakuza
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