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Crítica | Deserto Particular – A árdua luta por reparações

O representante do Brasil no Oscar 2022.

Herbert Santos
Herbert Santos Redação
21 de outubro de 2021 · 3 min de leitura
Crítica | Deserto Particular – A árdua luta por reparações

“Todos temos uma segunda chance de fracassar na vida” diz o personagem de Robson em determinada cena de Deserto Particular. Presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme é nosso representante oficial na disputa pelo Oscar de Filme Internacional da próxima temporada, e com essa fala entramos na jornada dessa segunda chance apreensivos pelo que está por vir.

O novo filme de Aly Muritiba é ambientado em Sobradinho, onde Daniel vai de encontro com seu amor da internet, Sara. Ele, policial sob investigação após um vídeo de abuso de autoridade, encara a estrada de Curitiba até a cidadezinha da Bahia, sem um sobrenome ou endereço. Só o que tem é uma foto de perfil da mulher dos seus sonhos.

Percorremos o deserto de Danilo primeiro. Antonio Saboia faz um sujeito cabeça quente que cumpre com seus deveres, queira ele ou não. Suas cenas com o pai – um militar aposentado – e a interação com a irmã mais nova, deixa evidente que Danilo é um personagem com sentimentos reservados. Há uma cena em que ele tem a família para se abrir, livrar a mente, mas prefere esperar para no fim de dia mandar um áudio para a loira misteriosa. Saboia sabe muito bem entregar cada cena sem parecer forçado a sua busca, indo até extremos de pendurar fotos de Sara nos comércios locais.

O outro deserto é de Robson, interpretado por Pedro Fasanaro, que praticamente faz paralelos com aquele de Danilo. Ele tem seu trabalho braçal, sua ambição de conhecer o mundo e ainda que cuidar da sua avó. Vem de Fasanaro grande parte do coração da trama, onde podemos compreender melhor a geografia de Deserto Particular. Tem seus altos e baixos, calor intenso e frio congelante, somados ao delírio no horizonte.

Muritiba, que vem me encantando com sua direção desde Ferrugem, faz aqui um filme-personagem sem medo de improvisar. Sempre deixa a câmera com duas ou três opções de ângulos, preferindo a ação ininterrupta em planos longos. Aqui é possível ver uma direção segura, madura, onde toda decisão é feita para levar o olho do público para o que interessa. As informações que ele vai nos provendo, através do jogo de imagens e até escolhas sonoras, ajuda na construção da atmosfera do filme.

Está aí uma coisa que Sobradinho ofereceu muito bem para a trama. Atmosfera de cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo, e ainda assim Danilo consegue ser mais familiar que a enigmática Sara. A forma com que Luis Armando Arteaga mistura uma iluminação natural com o fantástico, principalmente em cenas noturnas, dão a sensação do delírio do deserto. O fotografo colombiano fez uma escolha com Muritiba em deixar o filme com uma estética padrão, como uma fotografia ou cartão postal.

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Seja em uma festa, no trabalho, na estrada ou até no quarto, a sensação de estar isolado do mundo faz parte da atmosfera do filme. E assim, Deserto Particular quer que você comece, só para então ser desconstruído.

Deserto Particular (Brasil – 2021)

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Direção: Aly Muritiba
Roteiro: Aly Muritiba e Henrique dos Santos
Elenco: Antonio Saboia, Pedro Fasanaro, Luthero Almeida, Laila Garin, Thomas Aquino, Sandro Guerra, Otavio Linhares, Zezita Matos
Gênero: Drama
Duração: 125 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

Tags: #45ª Mostra Internacional de São Paulo #Antonio Saboia #Deserto Particular #Laila Garin #Mostra SP #Thomas Aquino
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