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Catálogo

Crítica | Don’t Fuck With Cats – Uma série criminal que choca pelo enredo

Don't Fuck With Cats é um ótimo trabalho documental que aborda os vários lados de uma mente humana desestruturada

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
2 de janeiro de 2020 · 6 min de leitura
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A Netflix encontrou nas séries criminais um jeito de atrair um público ávido em encontrar nestas histórias um jeito de se prender a histórias macabras e horripilantes de personagens reais e que marcaram época. Há um vasto material de arquivo a ser explorado, mas também há muita dificuldade em se encontrar conteúdo por aí a respeito destes episódios conturbados que ocorreram, caso mesmo de Ted Bundy e que é belamente relatado em Conversations with a Killer: The Ted Bundy Tapes, série documental que a própria Netflix investiu e foi um sucesso estrondoso, tanto que mais adiante a plataforma de streaming resolveu voltar ao filão com a série Mindhunter que estuda a fundo de maneira mais ficcional a menta dos assassinos seriais

          Em sua ânsia em conquistar novos públicos e realizar conteúdos mais relevantes e de melhor qualidade a Netflix aborda novamente o tema dos assassinos seriais com a ótima série documental em três episódios Don’t Fuck with Cats: Hunting an Internet Killer (Mark Lewis) ou em uma tradução livre: Não Ferre com os Gatos. O nome da produção já diz bastante sobre o que será mostrado em seus episódios, e os amantes de animais e principalmente de gatos ficarão revoltados com as cenas de crueldades que serão expostas nos mais de quarenta minutos de cada capítulo horrendo.

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          O que fascina na série criminal é o jeito em que a narrativa é construída. Mark Lewis (Paranormal Witness) sabe usar o discurso documental necessário para se contar a história, até porque além de ser uma série a produção também é um documentário dividido em três partes. Além de dirigir o cineasta também a roteiriza, e Mark consegue dar o tom certo para a trama, que de início parece ser uma coisa, mas depois se mostra outra. Tudo leva a crer que é apenas uma simples produção criminal sobre um assassino louco que mata gatos e sobre a pré-disposição de pessoas revoltadas em encontrar esse lunático, mas com o tempo o diretor vai se desdobrando em apresentar todos os lados desta história, o lado da polícia, das pessoas que estão investigando, do assassino, da mãe do assassino e de outros personagens secundários, fatos que vão dando maior riqueza para a trama e para a narrativa.

Na realidade, Don’t Fuck with Cats melhora bastante depois que a trama vai se desenvolvendo a respeito dos assassinatos, pois antes há todo um mistério sobre o que aquele louco quer com aqueles gatos, e o documentário perde muito tempo, um episódio inteiro quase, para falar apenas da matança com os gatos e como ela foi elaborada, e não parte para o que realmente interessa, que seria a investigação, o papel da polícia.

Após entrar no assunto que importa realmente, o dos assassinatos dos gatos, o diretor te fisga rapidamente, te prendendo mais com a revolta com que aquilo causa no telespectador, pois um animal sendo maltratado ou morto é de cortar o coração de qualquer um, já que é um ser inofensivo, e o público geralmente pensa que aquilo pode acontecer com o seu animal de estimação. E com esse início rápido e com uma trama universal o cineasta logo consegue desenvolver e dar ótimas reviravoltas para a trama e apresentar o verdadeiro assassino e seu show, seu verdadeiro objetivo, e toda a sua espetacularização.

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Há muitos temas tratados dentro da série, além da própria investigação que é o tema central que faz girar toda a narrativa, mas o fato que chama bastante a atenção é a do assassino em si, Luka Magnotta, um homem que queria ficar famoso, que criou um verdadeiro show acerca das mortes dos gatos. Desde o começo ficou obcecado com a repercussão com que a situação ganhou na internet, principalmente com os grupos de discussão sendo criados na internet para procurá-lo. Luka Magnotta passou a gostar de fazer os seus atos, a se divertir, é um acerto como a série apresenta o lado sádico e cruel do assassino, mas antes prende a atenção do público em instigar pelo mistério em quem é esse monstro. Há muitas referências a cultura pop por meio de filmes clássicos que fizeram história no cinema, como Casablanca (1942), Instinto Selvagem (1992), e Prenda-me se for Capaz (2002), que são usados pelo serial killer por que ele próprio era fã destas obras e as usava para criar uma estrutura em que pudesse se defender contra futuras acusações contra si.

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O documentário não perde a oportunidade de discutir temas interessantes para a sociedade, como a fama que Luka tanto almejava alcançar com os seus atos, pois o rapaz queria por que queria ser famoso, outro tema não tão discutido profundamente, mas não por isso sem relevância é o da própria cultura da perseguição nos tempos de internet, contas fakes e seu uso indiscriminado também estão no documentário, e um fato que chamou bastante a atenção foi como os grupos de discussão do Facebook foram importantes para os trabalhos em encontrar o assassino. John Green, pseudônimo de um morador de Los Angeles bastante curioso por mexer pela internet, se juntou a um grupo selecionado, privado, na rede social e começaram a procurar das mais diversas formas os rastros do assassino, essa parte da investigação é bastante interessante, mostra como a internet também pode ser utilizada para o bem e não apenas para o lado negativo.

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A trama de Mark Lewis falha em não discutir a fundo o espetáculo que foram os grupos no Facebook e o perigo de se sair acusando outras pessoas, a discussão, quando ela existe, é muito superficial. No último episódio também fala por poucos minutos e termina de modo muito aberto e sem se debater ou se aprofundar a respeito de um tema muito importante que é o de como os grupos de discussão acabaram ajudando o assassino a ficar popular, pois por discutir seus assassinatos acabaram por divulgar seus atos, e esse debate a respeito de como um ato cruel pode receber mídia gratuita pela internet e pela mídia, e isso não é algo que é aprofundado pelo documentário.

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Don’t Fuck With Cats é um ótimo trabalho documental que aborda os vários lados de uma mente humana desestruturada e frágil, e até onde uma pessoa vai para conseguir alcançar os seus objetivos. Todos os lados são bem explorados, mas por ter apenas três episódios é bastante óbvio que nem tudo é bem discutido a fundo ou debatido com a complexidade necessária, ou até mesmo estudado como se deveria ou se imaginava. O foco da série é apenas o de investigar e o de apresentar o caso para as pessoas que não sabiam ou que desconheciam tal fato cruel e sórdido. O lado sombrio dos seriais killers continuará a ser terreno fértil a ser explorado pelas produções cinematográficas e televisivas, e que seja feito nos mesmos moldes que o belo trabalho criado por Mark Lewis.

Don’t F**k with Cats: Hunting an Internet Killer (idem, EUA – 2019)

Direção: Mark Lewis
Roteiro: Mark Lewis
Elenco: Deanna Thompson, Claudette Hamlin, Antonio Paradiso, Anna Yourkin
Gênero: Documentário, Crime, Mistério
Duração: 50 (cada episódio)

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Tags: #Netflix
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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