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Crítica | Eu Vi o Brilho da TV é mais crítico que reflexivo

Quem viveu os anos áureos da televisão, aqueles pré-internet, sabe como era emocionante acompanhar uma série episódio por episódio, diariamente ou semanalmente, sem perder o horário ou o dia. Caso contrário, já era: o episódio seria perdido, e a única esperança seria torcer para que fosse reprisado na TV. No regular Eu Vi o Brilho […]

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
5 de dezembro de 2024 · 3 min de leitura
Crítica | Eu Vi o Brilho da TV é mais crítico que reflexivo

Quem viveu os anos áureos da televisão, aqueles pré-internet, sabe como era emocionante acompanhar uma série episódio por episódio, diariamente ou semanalmente, sem perder o horário ou o dia. Caso contrário, já era: o episódio seria perdido, e a única esperança seria torcer para que fosse reprisado na TV.

No regular Eu Vi o Brilho da TV, há todo um simbolismo por trás do ato de se reunir com alguém para assistir a um programa e depois se aprofundar nele com amigos, teorizando e discutindo sobre a obra. Algo que, embora hoje ocorra bastante nas redes sociais, perdeu-se em parte no meio físico, onde a essência dessas discussões presenciais se enfraqueceu.

Na trama, Owen (Justice Smith) é um adolescente que, junto com Maddy (Brigette Lundy-Paine), encontra-se semanalmente para assistir à série The Pink Opaque. Ambos são fanáticos pela produção e nunca perdem um episódio. Eles discutem e teorizam sobre a obra, que é exibida de madrugada e está no ar há muitos anos.

Este é o segundo filme da diretora Jane Schoenbrun, que também assina o roteiro. Jane tem uma afinidade especial com o universo adolescente, e seu primeiro longa, We’re All Going to the World’s Fair, também explorava peculiaridades relacionadas ao mundo juvenil.

I Saw the TV Glow (título original) não segue o estilo de terror convencional, aquele que o público está acostumado a assistir, repleto de ação e sustos. Na verdade, é provável que fãs do gênero se decepcionem, já que o filme possui um ritmo mais lento, sem cenas sangrentas ou mortes.

O maior trunfo da obra reside em suas mensagens. Ela aborda a obsessão pela TV e pelo consumo de seu conteúdo, além do isolamento que pode surgir ao acompanhar histórias sozinho. Os protagonistas experimentam um vazio ao perderem algum episódio, refletindo a desconexão com o mundo real e a falta de interação com outras pessoas.

Owen e Maddy, de certa forma, se espelham na série que assistem, especialmente o personagem Mr. Melancholy. Não se sabe ao certo se ele é um ser sobrenatural ou quais são suas intenções no reino fantástico da produção, mas ele representa um paralelo interessante com os protagonistas

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A relação entre esse Ser, Owen e Maddy leva o filme a explorar um dos temas mais interessantes: a questão da identidade. Os adolescentes, em meio à busca por entender seu lugar no mundo, refletem sobre a vida e compartilham os problemas enfrentados no dia a dia.

Essa escolha do roteiro em abordar a identidade tem uma relação direta com a experiência pessoal de Jane Schoenbrun e seu processo de transição de gênero, que é incorporado de maneira inteligente à trama por meio da vida dos protagonistas.

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Eu Vi o Brilho da TV se destaca por suas mensagens e pela sensibilidade com que aborda questões atuais. Entretanto, peca pelo ritmo excessivamente lento e pelo mistério, que demora a ser solucionado.

Eu Vi o Brilho da TV (I Saw the TV Glow, EUA – 2024)
Direção: Jane Schoenbrun
Roteiro: Jane Schoenbrun
Elenco: Justice Smith, Brigette Lundy-Paine, Ian Foreman, Helena Howard, Lindsey Jordan, Danielle Deadwyler, Fred Durst
Gênero: Drama, Horror
Duração: 110 min.

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Tags: #Brigette Lundy-Paine #Eu Vi o Brilho da TV #I saw the tv glow #Jane Schoenbrun #Justice Smith
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Gabriel Danius
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Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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