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Crítica | A Fera na Selva – Mais um teatro filmado

Todavia, Mesmo com boas atuações e uma ótima fotografia, A Fera na Selva não passa de um filme raso

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
25 de outubro de 2017 · 3 min de leitura
Crítica | A Fera na Selva – Mais um teatro filmado

*Este filme foi visto na 41º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Em sua essência, o cinema deve muito ao teatro. Ambos utilizam dramaturgia, cenários e atores. Mas uma linguagem tem que se adaptar à outra, um exemplo recente é Um Limite Entre Nós, dirigido e atuado por Denzel Washington, no qual era visível que havia pouco de linguagem cinematográfica e muito de teatro, focando em tipo de atuações mais expansivas e no diálogo expositivo. A Fera na Selva não é tão extremo quanto o filme de Washington, mas comete os mesmos erros em questão de uso de linguagem e se mostra rasteiro quanto ao tema que está querendo se desenvolver.

O longa acompanha décadas de um casal de professores, João (Paulo Betti) e Maria (Eliane Giardini), que se reencontram dez anos após um passeio de barco. Eles ficam próximos e acabam convivendo por anos. Ao passo que fica claro que ele persegue algo de extraordinário na vida, pois teme cada vez mais teme a morte, ela se revela compreensiva com a vida.

Livremente baseado no livro de Henry James, o roteiro assinado por Luís Artur Nunes, Rafael Romão e pela dupla de protagonistas – que também assinam a direção – não desenvolve de maneira tão profunda os temas. A maioria dos diálogos é dito com metáforas literárias clássicas, que deixam o longa com cara de teatro, além de serem as vezes muito expositivos. Ele acerta por não contar uma história de amor, mas de amizade que vai melhorando por anos. No entanto, por mais que o relacionamento dos personagens evolua, os temas recorrentes, como medo da morte e aceitação do destino, são repetitivos e pouco trabalhados. Além disso, a história é desenvolvida de maneira corrida, por conta da curta duração do filme.

Tanto Paulo Betti quanto Eliane Giardini já mostraram que são atores competentes e disciplinados e não fazem feio em A Fera na Selva. Por mais que o texto seja teatral, a composição rica dos atores, que vai desde o olhar forte e orgulhoso de Giardini até a composição física de Betti, olhando para baixo e andando de uma maneira peculiar, compensa. Como diretores, a dupla tem um gosto para a composição de quadros muito expressivos e utiliza muito bem o cenário. Claro que isso se deve à bela fotografia de Lauro Escorel, que assina como co-diretor. O trabalho de câmera do filme é muito bem pensado, utilizando uma visão subjetiva e movimentos elegantes e bem pensados. Em especial, o que fecha o filme é o mais impressionante.

Todavia, Mesmo com boas atuações e uma ótima fotografia, A Fera na Selva não passa de um filme raso e que o espectador esquece em menos de vinte minutos de projeção. Uma pena.

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A Fera na Selva (Idem, Brasil – 2017)

Direção: Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel
Roteiro: Paulo Betti, Eliane Giardini, Rafael Romão e Luis Artur Nunes baseado no livro de Henry James
Elenco: Paulo Betti, Eliane Giardini e José Mayer
Gênero: Drama
Duração: 85 minutos

https://www.youtube.com/watch?v=K8jxIpODdak

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Tags: #Aceitação #Adaptação #Cinema Nacional #Henry James #Morte #Paulo Betti #teatro
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