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Crítica | Gangues de Nova York – A Megalomania de Scorsese

O que podia ser um dos melhores filmes de Martin Scorsese, se tornou um dos mais problemáticos.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
16 de fevereiro de 2018 · 5 min de leitura
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Quando vemos a filmografia de Martin Scorsese não há duvidas que temos um dos melhores diretores da história do cinema. A mente por trás de obras como Taxi Driver, Os Bons Companheiros, Cassino e Touro Indomável é uma das mais ativas da atualidade e além desses tem outros filmes incríveis recentes como O Lobo de Wall Street e Silêncio. Porém, como qualquer outro cineasta, Scorsese comete equivoco. Não que seja que faça filmes ruins – ele é incapaz disso -, mas algumas vezes lança obras os qual não alcançam o seu potencial e se mostram desajeitadas. Gangues de Nova York se encaixa infelizmente na segunda categoria dita, sendo que podia um dos melhores filmes de Scorsese.

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O longa se passa em Nova York na metade do século XIX, quando ela era um local violento, longe da metrópole que se tornou hoje. O longa mostra que a cidade era disputada por diferentes gangues (como o titulo sugere), que eram feitas por diversas pessoas de nacionalidades diferentes. O protagonista é Amsterdam (Leonardo DiCaprio), um jovem que retorna para a cidade dezesseis anos depois para se vingar do sádico Bill “The Butcher”Cutting (Daniel Day-Lewis) da morte de seu pai, o corajoso pastor Vallon (Liam Neeson). Para conseguir sua vingança, Amsterdam entra na gangue de Bill – os Nativos – e vai entrando no podre mundo aonde a violência e a corrupção falam mais alto. Mas pouco a pouco, Amsterdam vai entendendo as raízes de seu sangue irlandês e poderá refazer a gangue de seu pai, os Dead Rabbits, e finalmente enfrentar Bill de maneira digna como um guerreiro.

Primeiramente, Gangues de Nova York é tecnicamente irretocável. É um deslumbre visual e técnico. Parece que Scorsese pensou de como os filmes mais clássicos sobre o século XIX eram belos e decidiu fazer o contrário: o longa é sujo, a cidade parece que é um bueiro a céu aberto. É Nova York pelos personagens falarem a todo momento que é ela, mas o espectador percebe que a cidade que está no filme não é a cidade que conhecemos ou vemos fotos, isso é um mérito. O design de produção – até mesmo dos personagens – da ênfase a essa podridão da cidade, ao mostrar quase todos eles com os dentes podres e os figurinos rasgados. É um trabalho incrível, assim como a fotografia de Michael Ballhaus que usa uma palheta de cores dando ênfase as cores quentes enfatizando essa característica, mesmo que a composição dos quadros lembrem demais as tiras dos jornais daquela época. É um dos trabalhos que comprovam o perfeccionismo de Scorsese e sua equipe. Um exemplo que mostra o virtuosismo técnico do diretor é a primeira cena de batalha que é soberba e chocante, por conta dos detalhes e de Scorsese não esconder a violência.

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Mas se o longa é tecnicamente fabuloso, porque é considerado um dos piores da carreira de Scorsese? Porque ao escolher fazer um grande panorama político e social daquela época, o diretor faz um filme que tem um universo fascinante, mas narrativamente é pobre. Começando pelo arco que move o filme, que é o clássico mocinho VS vilão: Bill que é um sádico, preconceituoso e anti-abolicionista se mostra muito mais interessante e fascinante que Amsterdam. Ele mostra que tem um grande código de honra e se vê como um guerreiro respeitoso, enquanto o suposto mocinho é simplesmente desinteressante e ainda por cima se mostra mais desleal que o vilão. Em nenhum momento compramos a vingança de Amsterdam e o filme não consegue fazer com que sentimos algum tipo de conexão ou empatia com o rapaz. Isso prejudica claramente a atuação de Leonardo DiCaprio que fica preso a apenas uma expressão, que se percebe que é mais culpa do personagem que do ator.

Já que Bill se mostra fascinante do começo ao fim. A atuação de Daniel Day Lewis se mostra poderosa e magnética. A composição feita pelo ator mostra o quanto o sue personagem é rico: como é caolho, um dos seus olhos fica mais aberto que o outro e tem um forte sotaque americano. É só perceber na cena em que ele fala em como perdeu o seu olho ou na tensa cena da apresentação das facas, o quão a presença de Day-Lewis consegue conduzir a cena. Até nas cenas que vemos o lado violento e explosivo de Bill, Day Lewis continua imponente na cena e sempre fascinante. É mais uma prova de como esse ator é um dos melhores da história do Cinema.

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Mas infelizmente nem esse arco entre ambos é bem explorado, porque parece que é o foco ainda é a construção do contexto histórico e até nisso o longa se mostra perdido por tanta coisa que mostra: chegada dos imigrantes irlandeses; questão econômica do país; a reação do povo quanto a Guerra da Civil Americana; questão racial; violência das ruas; políticos se aproveitando do poder; rebelião por conta da Guerra, etc… Ou seja, até na construção de universo, Scorsese e seus roteiristas  ficaram perdidos na excepcional reconstituição de época feita.

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Enfim, não tem muito mais o que dizer sobre Gangues de Nova York. Repito: não é um filme ruim como dizem por conta das qualidades técnicas que sabemos que Martin Scorsese sabe fazer, mas é um filme o qual se vê um diretor maravilhoso perdido em um universo fascinante. Mas não adianta nada em meio a uma narrativa pobre e desinteressante.

Gangues de Nova York (Gangs of New York/ 2002 – EUA)

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Jay Cocks, Steve Zaillian e Kenneth Lonergan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Daniel Day Lewis, Cameron Diaz, Liam Neeson, John C. Reily e Jim Broadent
Gênero: Drama/Ação
Duração:166 minutos

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Tags: #Cameron Diaz #Daniel Day-Lewis #Gangues de Nova York #Jim Broadent #John C. Reilly #Leonardo DiCaprio #Liam Neeson #Martin Scorsese.
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