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Crítica | Homem-Aranha no Aranhaverso – Uma espetacular homenagem ao herói

Homem-Aranha no Aranhaverso uma de suas melhores versões. Assumindo a própria imagem do personagem

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
1 de dezembro de 2018 · 6 min de leitura
Crítica | Homem-Aranha no Aranhaverso – Uma espetacular homenagem ao herói

Ao lado dos X-Men em 2000, o Homem-Aranha de Sam Raimi foi essencial para definir um padrão consistente para se levar super-heróis dos quadrinhos às telas do cinema. A importância do herói nos cinemas não deve ser subestimada, e desde que a trilogia protagonizada por Tobey Maguire chegou ao fim em 2007, o herói teve um reboot mal sucedido com Andrew Garfield e uma parceria frutífera com a Marvel Studios, onde agora tem as feições mais jovens de Tom Holland nos filmes com os Vingadores.

O fato de existirem tantas versões do mesmo personagem é algo que ironicamente reflete a própria trajetória de décadas do Homem-Aranha nos quadrinhos, e que também revela-se a base da animação Homem-Aranha no Aranhaverso, que a Sony Pictures produz de forma desgarrada de qualquer outra cronologia, e que abraça a ideia de múltiplas encarnações do herói. Justamente por isso, o Cabeça-de-Teia ganha aqui uma de suas aventuras mais dignas e originais de sua existência nas telas.

Ao contrário dos filmes anteriores, a trama da animação nos apresenta ao jovem Miles Morales (Shameik Moore), estudante do Brooklyn que vive em uma Nova York em que o Homem-Aranha é o maior herói da cidade. Após um experimento catastrófico do vilanesco Rei do Crime (Liev Schreiber) para abrir uma nova dimensão, Miles descobre que tem poderes similares ao do herói, e é surpreendido quando uma nova versão de Peter Parker (Jake Johnson) aparece para pedir sua ajuda. Não demora para que diferentes versões do Homem-Aranha, vindas de realidades alternativas, também cruzem o caminho de Miles, juntando-se para impedirem o Rei do Crime de continuar seu plano letal.

Na Teia do Aranha

A autorreferência é uma ferramenta valiosa quando bem aplicada. Seguindo o exemplo de obras como Deadpool e LEGO Batman – O Filme, Aranhaverso está constantemente conversando com os fãs do personagem, já trazendo referências não apenas aos filmes de Sam Raimi em suas cenas iniciais, mas à própria estética dos quadrinhos em seus créditos de abertura surrealistas – e que também aplica-se na animação robusta, mas chegaremos a ela em breve. É uma marca bem evidente de Chris Miller e Phil Lord, dupla cômica que também trabalhou na franquia LEGO e nos dois exemplares indispensáveis de Anjos da Lei, e que tem seu DNA espalhado por toda a parte aqui.

Indo além de um grande meme, porém, Aranhaverso beneficia-se de ter uma boa história em seu núcleo. O roteiro de Lord e do co-diretor Rodney Rothman faz um ótimo trabalho ao estabelecer e envolver o espectador com o universo de Miles Morales, levando seu tempo para desenvolver todas os beats de uma boa história de origem – algo que é um tanto raro de se ver atualmente no gênero. Ver a literal passagem de bastão do Parker mais derrotado de Johnson para o empolgado Miles garante momentos de leveza genuína, assim como surpresas envolvendo os antagonistas, que vão além de Wilson Fisk e devem surpreender os fãs.

É uma narrativa que não perde o foco em Miles, e isso pode oferecer uma certa decepção ao lado fã, visto que não temos tanto tempo quanto gostaríamos para explorar as divertidíssimas outras versões do herói, que incluem o Aranha Noir, o bizarro Porco-Aranha, a popular Spider-Gwen e até uma versão saída diretamente de um anime, Peni Parker. São coadjuvantes de luxo que definitivamente gostaríamos de ver melhores explorados no futuro, e que acabam um tanto desperdiçados no clímax repleto de pirotecnia animada.

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Homem-Aranha no Aranhaverso: Quadrinhos ganhando vida

Em termos de animação, Homem-Aranha no Aranhaverso é muito especial. Visando aproximar-se ao máximo do estilo de arte apresentados em uma história em quadrinhos, os movimentos são deliberadamente mais lentos e com uma contagem de frames mais baixa, além de sua textura apresentar imperfeições propositais – quase como se estivesse replicando falhas na impressão de uma HQ ou o ˜efeito fantasma” em uma imagem com bordas duplicadas. Indo além desse cuidado estético, a direção de Rothnman, Bob Persichetti e Peter Ramsey brinca ao trazer onomatopeias, balões de pensamento e ainda congelar a imagem como se estivesse recriando um grande painel de quadrinhos, algo que torna a experiência muito mais rica e interessante.

Todas as cenas de ação se beneficiam dessa técnica incomum, que ajudam a ver o Aranha se balançando pelos prédios de Nova York como nunca antes. A movimentação dos personagens ajuda a detalhar o balançar de teia do herói, especialmente quando Parker ensina Miles sua técnica enquanto viajam por uma floresta, e a câmera toma liberdades sem restrições ao inverter os eixos e ângulos durante os empolgantes voos pela metrópole de Manhattan – isso pra não falar da insana batalha do terceiro ato, que desafia a própria tridimensionalidade da animação, que só fica mais insana graças à trilha sonora sobrenatural do impecável Daniel Pemberton. Nem quando Marc Webb usou câmeras 3D em seu Espetacular Homem-Aranha tivemos uma experiência tão imersiva ao lado do aracnídeo.

O elenco de vozes na versão original também é digno de nota, com Shameik Moore sempre fornecendo uma jovialidade e um peso dramático para Miles nos momentos apropriados. Jake Johnson não poderia ser uma escolha melhor para esse Peter Parker fanfarrão e preguiçoso da dimensão paralela, com sua voz arrastada oferecendo um bom timing cômico, ao passo em que Hailee Steinfeld faz uma Spider-Gwen destemida e cool. Mas quando o assunto é cool, nada como ter Nicolas Cage proferindo falas típicas dos anos 30 ao viver o Homem-Aranha Noir, facilmente um dos aspectos mais engraçados de todo o longa.

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Há também diversas participações especiais que o marketing escondeu de forma brilhante, então fica a recomendação para conferir o longa no áudio original em inglês.

Um novo mundo de possibilidades infinitas

Desde sua estreia nos cinemas em 2002, o herói de Stan Lee e Steve Dikto tem com Homem-Aranha no Aranhaverso uma de suas melhores versões. Assumindo a própria imagem do personagem como fonte de humor e reflexão, a nova animação da Sony é também um primor técnico, sendo uma das experiências mais bem-sucedidas no processo de dar vida aos quadrinhos. 

Fica a evidência de que o Homem-Aranha não precisa dos Vingadores para ser inovador. Basta apenas ser ele mesmo. Ou múltiplas versões, no caso.

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Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse, EUA – 2018)

Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman
Roteiro: Phil Lord e Rodney Rothman, baseado nos personagens da Marvel Comics
Elenco: Shameik Moore, Jake Johnson, Hailee Steinfeld, Nicolas Cage, Mahershala Ali, Brian Tyree Henry, Liev Schreiber, John Mulaney, Kimiko Glenn, Lily Tomlin
Gênero: Aventura
Duração: 117 min

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Tags: #Brian Tyree Henry #Chris Miller #Hailee Steinfeld #Homem-Aranha no Aranhaverso #Jake Johnson #John Mulaney #Kimiko Glenn #Liev Schreiber #Lily Tomlin #Mahershala Ali #Nicolas Cage #Phil Lord #Shameik Moore
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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