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Crítica | A Hora do Pesadelo – Nasce o mais criativo assassino da História do Cinema

Um terror que parece até sonho.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
22 de outubro de 2017 · 5 min de leitura
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Crítica | A Hora do Pesadelo – Nasce o mais criativo assassino da História do Cinema

Existem muitas variantes e muitos personagens sinistros dentro do vasto gênero do terror. Monstros, assassinos, fantasmas e até mesmo a loucura do Homem já renderam obras inesquecíveis ao longo da História do Cinema, deixando suas marcas em suas respectivas épocas de lançamento: de um jeito ou de outro, o terror sempre sobrevive e vai evoluindo ao longo do tempo. Nesse universo, uma das mais icônicas e fascinantes figuras (na opinião do autor, não há dúvidas) é a de Freddy Krueger, a criação brilhante de Wes Craven para A Hora do Pesadelo, o primeiro filme de uma franquia que viraria uma das mais famosas da década de 80 e daria vida a um dos monstros sagrados da Sétima Arte.

A trama é clássica: um grupo de adolescentes da rua Elm começa a sofrer com estranhos pesadelos, onde são perseguidos por um homem queimado com chapéu, suéter listrado e uma luva formada por garras afiadas. Pra piorar, descobrem que o tal homem é um assassino sanguinário que tem a capacidade de matá-los na vida real, atacando-os em seus sonhos. O grupo encabeçado por Nancy Thompson (Heather Langenkamp) parte para investigar quem é o tal sujeito, conhecido como Freddy Krueger (Robert Englund).

É ouro. Um assassino capaz de nos atacar no momento de maior vulnerabilidade: o sono. Pode-se fugir de Jason Voorhees ou Michael Myers se conseguir correr minimamente rápido (afinal, nenhum dos dois é notório por sua rapidez, diga-se de passagem), mas Krueger é uma força impossível de se escapar no universo criado por Wes Craven. O diretor e roteirista definitivamente fez o  dever de casa, e sabiamente se inspirou pelo distúrbio da paralisia do sonho e a Síndrome de Brugada (que causa morte súbita a seu hospedeiro) para compor o personagem, além de referências assumidamente biográficas: sofria bullying de um garoto chamado Fred Krueger na infância e ficava fascinando com o som agonizante provocado pelas unhas afiadas de seu gatinho de estimação.

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Com Craven na direção do projeto que alavancaria a novata New Line Cinema ao status de estúdio de respeito, A Hora do Pesadelo é um terror que consegue com muita facilidade abordar o drama adolescente da época e o onírico mundo dos sonhos. Já começa com inteligência ao manter o foco na jovem Tina (Amanda Wyss) durante o primeiro ato da projeção, e todos bem sabemos que esta tem a honra de protagonizar o assassinato inaugural de Krueger nas telonas: é uma sequência de perseguição lindamente fotografada por Jacques Haitkin, e rica em seus modestos efeitos especiais prostéticos, especialmente para os momentos em que Freddy estica seus braços ou quando arranca seu próprio rosto em uma demonstração de seu sádico humor negro. É só na hora em que vemos o ataque de Tina na perspectiva do mundo real, com a jovem sendo sacudida e arrastada pelas paredes (em uma leve referência visual a O Exorcista) por uma força invisível, que realmente nos damos conta de que vemos terror sério, e não apenas uma piadinha.

 À medida em que o roteiro vai explorando a figura de Krueger, vai ficando mais interessante. Nancy descobre que o sujeito era um assassino de crianças que acabou liberado pela justiça corrupta da cidade, e como seus pais estão diretamente ligados ao destino do monstro, dando início a uma história de vingança e “pecado dos pais, filhos pagam” muito complexa. É a básica trama de palavra dos adultos contra a palavra dos jovens, embrulhada no velho combate do bicho papão e com um bem colocado subtexto sobre a puberdade.

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Muitas pessoas imediatamente lembram-se de que este é o primeiro papel no cinema de Johnny Depp, como o namorado de Nancy, Glen. Não é um papel exatamente memorável, mas garante uma figura agradável e uma cena sangrenta como poucas já se viu no gênero. Mas Depp é um mero companheiro à Nancy de Heather angenkamp, uma protagonista forte e que se diferencia drasticamente das outras final girls do gênero slasher: é a típica personagem inocente e virginal, mas nem de longe é um estereótipo de bondade, já que a garota demonstra um lado sombrio considerável. Mas é mesmo Robert Englund quem rouba o show. Sua performance sob a maquiagem melequenta de Krueger é sensacional, criando um vilão assustador e sádico, mas ao mesmo tempo lhe garantindo um senso de humor maléfico: em sua primeira cena, por exemplo, em questão de segundos vemos Krueger proclamar séria e sombriamente que sua luva “é Deus” e rir enquanto mutila seus próprios dedos.

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A Hora do Pesadelo é o maior presente de Wes Craven para o cinema (não seria o único, claro), em um terror que consegue com perfeição brincar com a estética surrealista dos sonhos de forma inventiva, ao mesmo tempo em que criava uma dos personagens mais icônicos da História do Cinema.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, EUA – 1984)

Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Robert Englund, Heather Langenkamp, Johnny Depp, John Saxon, Ronee Blakley, Amanda Wyss, Jsu Garcia, Charles Fleischer
Gênero: Terror

Duração: 91 min

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Tags: #Amanda Wyss #Heather Langenkamp #John Saxon #Johnny Depp #Jsu Garcia #Robert Englund
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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