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Crítica | Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira – Mas quem sofre é o espectador

Uma péssima despedida para Jason Voorhees.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
30 de novembro de 2017 · 4 min de leitura
Crítica | Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira – Mas quem sofre é o espectador

As coisas não andavam bem para Jason Voorhees. Após o fracasso de Sexta-Feira 13 Parte VIII: Jason Ataca Nova York, a Paramount Pictures finalmente resolveu ceder os direitos da franquia para a New Line, que já cozinhava o projeto de unir Jason com sua galinha dos ovos de ouro, Freddy Krueger. Mas antes, os produtores da New Line iriam oferecer um capítulo final digno para seu novo brinquedo, e chamaram até mesmo o diretor do original, Sean S. Cunningham, para produzir o que viria a ser Jason vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira. Bem, teria sido melhor para todos nós se essa porcaria simplesmente não tivesse existido.

A trama começa de forma ousada, com Jason Voorhees (Kane Hodder) caindo na armadilha de uma operação policial, que consegue fuzilá-lo e explodi-lo em pedaços, aparentemente se livrando do assassino de Crystal Lake de uma vez por todas. Porém, e eu juro que não estou inventando isso, ao levar seus restos mortais para uma autópsia, seu coração libera uma entidade demoníaca que vai possuindo outros corpos, de forma a continuar sua matança. A única forma de matá-lo é pelas mãos de outra pessoa da família Voorhees, que é descoberta na forma de sua sobrinha perdida, Jessica (Kari Keegan).

No que diabos essas pessoas estavam pensando? Acho que é um tipo de padrão no gênero que o suposto “filme de morte” do assassino seja uma grande bomba, com Freddy Krueger sofrendo do mesmo mal em A Hora do Pesadelo 6: A Morte de Freddy. Mas o que o roteiro de Jay Hugueley e Dean Lorey faz aqui é simplesmente ridículo, reinventando completamente o conceito do personagem e jogando-o em uma premissa sobrenatural que simplesmente não condiz com os capítulos anteriores, e é estúpida demais para se levar a sério – ou, pelo menos, ter um pouco de medo disso. Além disso, isso acaba nos levando de volta ao mesmo erro de Um Novo Começo, por não termos exatamente Jason Voorhees comentendo os assassinatos; é simplesmente risível ver a atuação dos personagens “possuídos” por Jason enquanto perseguem os protagonistas, e a única coisa boa que tiramos daí são alguns efeitos de maquiagem muito eficientes.

A ideia de explorar um pouco mais da família Voorhees é uma que poderia ter rendido bons frutos, mas que aqui não ganha desenvolvimento o bastante, servindo mais como um dispositivo Deus Ex Machina. A maioria dos personagens é completamente descartável, e nem mesmo o fato de o protagonista de John D. LeMay compor um perfil nunca visto na série antes (o de um jovem pai), jamais é capaz de simpatizar ou ganhar o afeto d público. Apenas Steven Williams é capaz de gerar algum interesse com seu Creighton Duke, um caçador de recompensas caricato e que diverte justamente por esse fator artificial, e confesso que teria sido fascinante vê-lo em exemplares anteriores da franquia.

Responsável pela direção, Adam Marcus não se destaca. Com exceção da ótima primeira cena, que começa com uma mulher fugindo de Jason antes de termos a noção de que é uma operação policial, nada mais fica na memória. Todas as cenas de assassinato pelos “avatares” de Jason parecem copiadas dos filmes de zumbi de George Romero, mas com a diferença de serem mais cômicas do que assustadoras. Só mesmo no final, em um clímax digno de um Sam Raimi em sua época do primeiro A Morte do Demônio, temos algo que consegue ser um tanto visualmente criativo, onde o assassino é arrastado para o inferno. E, claro, o famoso easter egg onde a garra de Freddy Krueger puxava a máscara de Jason, enfim dando início ao processo que culminaria em Freddy vs Jason.

Jason vai para o Inferno é uma atrocidade. Os produtores claramente tentaram expandir a mitologia de Jason Voorhees e tentar algo novo, mas é aquele velho cenário de uma decisão assustadoramente equivocada e sem sentido, sendo um verdadeiro desserviço para o personagem e a franquia. Só vale mesmo para o easter egg com Freddy Krueger, nada mais.

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Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira (Jason Goes to Hell: The Final Friday, EUA – 1993)

Direção: Adam Marcus
Roteiro: Jay Huguely e Dean Lorey
Elenco: John D. LeMay, Kari Keegan, Steven Williams, Allison Smith, Erin Gray, Steven Culp, Rusty Schwimmer, Leslie Jordan
Gênero: Terror
Duração: 87 min

Leia mais sobre Sexta-Feira 13

Tags: #Steven Culp
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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