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Vincent Van Gogh é um dos grandes mestres do mundo das artes. Suas pinturas, na época que foram feitas, não chamaram muito a atenção do grande público e muitos dos críticos especializados não reconheciam nelas algo de espetacular. Por não se prender em um movimento artístico, Van Gogh acabava sendo deixado de lado e não era considerado um grande expoente entre os grandes pintores, algo que mudou algum tempo após sua morte.

Se há um artista que foi bastante retratado no cinema e na tv, esse é sem dúvida Van Gogh, desde filmes importantes como Sede de Viver (1956) à belíssima animação Com Amor, Van Gogh (2017). No Portal da Eternidade, do diretor Julian Schnabel é apenas mais uma das cinebiografias do pintor holandês que tenta desmistificar o fato do pintor ter recebido o apelido de louco e tenta humanizá-lo por meio de sua obra.

A trama conta a história de Van Gogh já a partir de certo período de sua vida adulta, em um momento em que já pintava quadros. Daí em diante o diretor nos mostra toda trajetória de Van Gogh até o dia de sua morte. Mas isso é feito de uma forma em que se cortam períodos da vida do pintor para dar maior agilidade ao filme, tais cortes são feitos de forma sútil, sem que se perceba que ele está sendo picotado para pular o tempo. 

Não é um longa para qualquer um, já que não há ação ou correria em sua mais de uma hora. Por ser um filme artístico é natural que tenha uma história lenta quanto a narrativa, diferente do que o público está acostumado a assistir em produções blockbusters do tipo Vingadores e Velozes e Furiosos, em que a ação predomina para prender o público em frente a tela. Há alguns momentos em que o longa se torna bastante maçante, mas isso se dá pelo fato do diretor focar quase que inteiramente no processo de criação dos quadros do pintor holandês e em seus encontros com outras pessoas. 

Julian Schnabel trabalha de forma sutil o cotidiano de Van Gogh, o mostrando hora em conversas com o também pintor Paul Gauguin, hora mostrando os raros encontros com seu irmão Theo van Gogh, que se torna uma figura importante nos últimos anos de vida de Vincent. O foco da produção, como dito acima, é o jeito com que Van Gogh encontra nas coisas mais simples da vida um motivo para pintá-las. Sua motivação é encontrar a beleza na natureza, como em uma raiz de árvore que poucos retratariam, ou em objetos e pessoas que retratava dos mais diversos jeitos. Alguns dos personagens que pintou aparecem no filme e é possível até realizar uma comparação dos personagens com as obras pintadas. 

A sensibilidade de Van Gogh ao pintar, ao falar, e até mesmo ao se relacionar a outras pessoas foi passado para a tela com a belíssima interpretação de Willem Dafoe (Projeto Flórida). O ator está bastante seguro em seu personagem, interpretando um homem que se por um lado era um gênio também tinha seus momentos em que muitos definiam como uma loucura. Dafoe está melhor do que nunca, consegue segurar a atenção do público com facilidade, ainda mais que o filme é focado apenas em seu personagem.

Uma das maiores discussões quando se fala em Van Gogh é a respeito dele ser louco, situação essa que é bem recriada no longa, e o diretor dá margem para a discussão se ele era realmente louco ou se agia daquela forma apenas em algumas situações, e que muitas vezes eram interpretadas pela sociedade da época, como o caso dos garotos que mexem com ele no campo e na cidade. Também é retratado de forma sensível e crua a parte de sua vida em que o artista arranca sua própria orelha A cena em si não é mostrada, apenas tocam no assunto para focar na loucura dele e discutir se ele era realmente doido ou não. 

A produção foca bastante no vazio existencial de Vincent que escolheu a solidão como estilo de vida. Vivia andando por lugares vastos e belos, mas que não havia uma alma viva para conversar. Preferia a solidão para criar suas obras e e nisso havia um contraste entre as paisagens lindíssimas e o modo como pintava. Esse contraste entre natureza viva e a solidão do pintor é uma grande sacada. Ao mostrar que apesar de Van Gogh parecer estar sozinho, na realidade, estava rodeado de muita vida, que na ocasião é a natureza e toda sua diversidade. São momentos que muitos vão achar bastante maçante pelo motivo de o diretor trabalhar com muita sutileza e sem pressa essas ações do personagem, algo feito com a finalidade de mostrar a rotina do pintor holandês.

No Portal da Eternidade é uma encantadora cinebiografia de um pintor que nasceu com o dom da criação e que deixou uma vasta obra para futuras gerações apreciarem. Van Gogh era um homem bastante criativo e que adorava pintar o simples e tal simplicidade foi muito bem reconstruída e adaptada para a produção que com certeza servirá para que o telespectador tente entender melhor a genialidade de Van Gogh. 

No Portal da Eternidade (At Eternity’s Gate, Suíça, Irlanda, França, EUA, Irlanda – 2018)

Direção: Julian Schnabel
Roteiro: Jean-Claude Carrière, Julian Schnabel, Louise Kugelberg
Elenco: Willem Dafoe, Rupert Friend, Oscar Isaac, Mads Mikkelsen, Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Niels Arestrup, Anne Consigny, Amira Casar
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 111

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