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Crítica | O Chalé – Um Terror que Não Impressiona

The Lodge é um filme de terror diferente por trazer uma abordagem que tinha tudo para ir por outro caminho, poderia ser a respeito

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
20 de maio de 2020 · 5 min de leitura
Crítica | O Chalé – Um Terror que Não Impressiona

Boa Noite, Mamãe (2014) é um dos grandes filmes de terror da última década, em que eleva o suspense ao máximo ao deixa a tensão aflorar ao mostrar o que seriam todas aquelas situações envolvendo as crianças e a mãe que dá título ao filme. Os diretores Severin Fiala e Veronika Franz retornam com o aguardado The Lodge, uma produção que traz todos os elementos que os fãs do gênero tanto amam, mas que deixa aquele gostinho de que algo ficou faltando.

Para começar, o longa já pretende trazer para a história aquele traço que os diretores já haviam relatado em Goodnight, Mommy! (nome original) que é a questão familiar, mas novamente com a diferença de que essas relações familiares não são discutidas nem debatidas a fundo, como ocorre em longas como O Sexto Sentido (M. Night Shyamalan) ou Hereditário (Ari Aster).

O roteiro não parte da abordagem nem do ponto de vista das crianças, Aidan (Jaeden Martell) e Mia (Lia McHugh) nem da Misteriosa Grace (Riley Keough). Em The Lodge, a preocupação é unicamente em desenvolver a narrativa a partir do ponto de vista das situações que vão ocorrendo dentro da cabana em que Grace e as crianças estão presas e sem se preocupar em dialogar sobre o passado ou o presente dos personagens.

Tal fato só ocorre no primeiro ato e é feito para causar uma dúvida no espectador a respeito de quem de fato é Grace, uma mulher participante de uma seita que praticou suicídio coletivo e ela foi a única sobrevivente. Ao não questionar muito sobre o passado dos personagens os diretores deixam o público no escuro respeito do que planejam fazer, até para tentar surpreender e não perder a graça a respeito dos acontecimentos do último ato, mas isso faz com que a estrutura dos personagens se torne bastante vaga em sua concepção, pois pouco se sabe sobre os seus segredos e mistérios que os rodeiam.

O roteiro quis seguir a linha de produções atuais de terror como Midsommar e Nós (Jordan Peele) em que não há um motivo claro para que as sucessões de acontecimentos ocorram, mas em The Lodge há uma diferença: os diretores se perdem na linha de pensamento que estão seguindo. No longa, o mistério principal envolvendo a seita e Grace logo são esquecidos no segundo ato e só voltam a ser realmente abordados no terceiro ato, na verdade nem realmente se toca no assunto, a mensagem é outra e bastante frustrante.

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Há três diferenças claras no roteiro do longa, em que no seu primeiro ato ocorre de seus personagens se tornarem conhecidos pelo público e um fato faz com que discorra outras situações que acabam por desenvolver a narrativa. Na realidade, ocorre um plot twist no terceiro ato que surpreende pelo jeito que foi construído e pode-se dizer pela maneira original que foi feita. O final é feito para chocar, claramente, assim como foi em Boa Noite, Mamãe! e lembra bastante filmes do gênero, como Violência Gratuita (1997), tais produções preparam uma abordagem pesada justamente para chocar o público, algo que The Lodge, de certa forma, consegue fazer.

Algo que muitos espectadores vão odiar, e com razão, isso em relação ao roteiro, e que não parece ter sido muito bem pensado, foi em relação ao personagem do pai das crianças, pois sua soa como totalmente descabida sua sua decisão que faz girar toda a narrativa. É uma mensagem que os diretores querem passar a respeito da falta de maturidade que alguns pais têm e que tomam decisões equivocadas em relação a seus filhos, além de mostrar também o abandono de alguns pais em relação aos mesmos, mas uma mensagem totalmente superficial e equivocada.

Há ainda muitas perguntas deixadas de lado pelo roteiro escrito pela dupla Severin Fiala e Veronika Franz com participação de Sergio Casci, que são questões cruciais para a história se pensar que acabam por se criar buracos na narrativa, como o que de fato é essa seita do suicídio que tem muita importância para a trama. Também não se responde qual a motivação desse grupo e por que de só ficarem gritando palavras de ordem para Grace, essas relações poderiam ser melhor abordadas, mas não são realmente desenvolvidas a fundo pelos diretores.

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O suspense é bem empregado e esse é um elogio que precisa ser feito para a dupla de diretores que consegue dar boas doses de tensão em grande parte do filme. Isso se deve por grande parte em não se saber nada a respeito dos acontecimentos que estão ocorrendo na cabana, nem se Grace realmente está paranoica ou não. Há um tom sobrenatural interessante que passa pela seita, mas que infelizmente não é tão bem aproveitada.

The Lodge é um filme de terror diferente por trazer uma abordagem que tinha tudo para ir por outro caminho, poderia ser a respeito de vários temas diferentes, isso se seguisse o que os diretores haviam proposto no primeiro ato, mas depois se torna outro filme diferente e isso deixa o espectador realmente confuso com o que realmente o roteiro queria seguir. A ideia é interessante, mas a execução se torna realmente estranha e na realidade o seu desfecho é bastante cruel e frio, assim como tudo o que foi apresentado. Serve para quem é fã do gênero, mas não impressiona em muitos aspectos.

The Lodge (EUA – 2020)

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Direção: Severin Fiala, Veronika Franz
Roteiro: Severin Fiala, Veronika Franz e Sergio Casci
Elenco: Riley Keough, Jaeden Martell, Lia McHugh, Richard Armitage, Alicia Silverstone, Danny Keough, Lola Reid
Gênero: Drama, Horror, Thriller
Duração: 108 min.

Tags: #Jaeden Martell #Lia McHugh #Richard Armitage #Riley Keough #Severin Fiala #Veronika Franz
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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