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Crítica | O Culto de Chucky – Um filme ridículo

Assim como ocorre em quase todas franquias de filmes de terror é comum que o primeiro longa seja bastante impressionante, e as continuações sejam repetitivas e nada originais. Esse é justamente o motivo que faz com que certas produções passem a ser adoradas pelo público com o passar do tempo. Esse é o caso da franquia envolvendo o boneco Chucky, que começou com o bom Brinquedo Assassino e passou a ter sequências esdruxulas. 

É estranho que uma produção que nasceu tão original e assustadora possa ter continuações que descambaram para a violência desnecessária, e para histórias tão absurdas que se tornaram simplesmente ruins. É o caso de O Culto de Chucky, que começou bem, mas acabou de uma forma tão banal quanto ridícula.

A história é uma continuação direta de A Maldição de Chucky. Nica (Fiona Dourif) é a personagem cadeirante que sobreviveu ao massacre do filme anterior. Ela é levada a um sanatório e lá precisa fazer terapia em grupo usando o boneco Chucky. Esse não era Chucky e sim um boneco qualquer.

O Chucky original dá um jeito de entrar lá e passa a matar todos que encontra pelo caminho. Só que aqui há uma mudança que provavelmente vá mudar tudo nos próximos longas da franquia, e que irá desagradar bastante os fãs. Charles Lee Ray encorpado no boneco consegue fazer cultos e transformar outros bonecos do “cara legal” em vários bonecos Chucky. Em vez de ter um agora terá três brinquedos assassinos. 

Essa adição de vários bonecos foi um tremendo tiro no pé e praticamente matou a franquia. Acharam que um boneco já não causava o mesmo impacto de antes no público, e colocando outros amiguinhos junto daria uma sensação maior de pânico e suspense.

De início até parece uma boa ideia, o problema foi a execução. Todos bonecos são Charles Lee Ray e o diretor claramente não tem ideia do que fará com todos eles, tanto que no final muda tudo novamente apontando que aquilo será a continuação para um próximo filme. 

A ideia do primeiro Brinquedo Assassino era a de que o boneco precisava do corpo de Andy para mudar sua alma para o corpo do garoto pelo único motivo do boneco estar se tornando humano. Precisava ser com Andy porque ele era o primeiro garoto que ele havia tido um contato. Só que nos últimos filmes da franquia tudo mudou e Andy deixou de ser o foco.

O personagem de Andy antes escanteado agora recebe maior atenção. Não é o principal, mas tem relevância para a cena inicial e cena final sendo inserido já pensando em um propósito maior para o personagem. Foi muito mal aproveitado para um protagonista que antes era bastante importante. 

Don Mancini volta para dirigir e roteirizar sua criação. Ele é o responsável pelo roteiro do primeiro longa e do anterior a esse. Só que ele comete muitos erros justamente com o roteiro. A história é mal construída com vários furos e com trechos sem explicação alguma. Para começar colocou Andy torturando a cabeça de um boneco vivo. Não se sabe porque ele está com aquela cabeça e nem se deram ao trabalho em mostrar a relação entre ela e os outros bonecos. Uma cena totalmente desnecessária, feita apenas para inserir Andy na trama. 

Outra explicação que nem chegou a ser questionada é de onde veio esse poder sobrenatural que ele passa para todos os outros bonecos. Nem se dão ao trabalho de dizer qual é o verdadeiro Chucky, são tantos bonecos que chega a dar uma confusão, claro que Mancini deu um jeito e fez cada boneco ter uma aparência diferente, um sem braço, outro inteiro e um terceiro com o cabelo cortado. Essas respostas são relevantes para o andamento do filme, mas Mancini parece não se preocupar em contar nada. Vai apresentando esses fatos e não se importa com o andamento da narrativa, apenas se preocupara em fazer Chucky matar todo mundo. 

É comum em filmes de terror com assassinos que haja uma matança generalizada, mas é interessante quando esses assassinatos são justificados. Chucky sempre foi apresentado como um boneco cruel e sádico, mas nas últimas produções ele praticamente se tornou um serial killer sem motivação. Mata apenas para se divertir, sem focar no objetivo inicial que era entrar no corpo de Andy, e  que recentemente passou a ser o assassinato de Nica. 

O terror foi abandonado desde brinquedo assassino 2 e em A Maldição de Chucky houve uma tentativa em trazer o terror novamente, algo que havia sido abandonado para dar uma tom mais de comédia para as produções, isso ocorreu mais especificamente em Brinquedo Assassino 3 com continuidade em A Noiva de Chucky. Por sinal, é bom que quem não assistiu a noiva de chucky que assista, tem uma relação direta com esse novo filme.

O design do boneco foi melhorado, deixando ele mais jovem e com o aspecto de inocente e ingênuo, diferente das versões anteriores em que aparecia com o rosto todo costurado. Quanto aos personagens todos são bastante rasos e sem nenhum comprometimento com a trama. Bons personagens são abandonados sem que tenha um trabalho melhor com eles.

Arrastado, cansativo e repetitivo da metade para o final. O que ia bem até a descoberta dos múltiplos chuckies se torna uma catástrofe e joga no lixo tudo o que construiu. Não basta fazer um filme com apenas uma história diferente, querem acrescentar elementos novos pensando em futuras continuações. O Culto de Chucky está longe de ser o clássico que foi Brinquedo Assassino, e pior é provavelmente haverá mais sequências desnecessárias. 

Escrito por Gabriel Danius

O Culto de Chucky (Cult of Chucky, EUA, 2017)

Direção: Don Mancini
Roteiro: Don Mancini
Elenco: Adan Hurting, Alex Vincent, Brad Dourif, Fiona Dourif, Jennifer Tilly, Michael Therriault, Aidan Ritchie, Allison Dawn, Grace Lynn
Gênero: suspense, terror
Duração: 91 min

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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