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Lupita Nyong’o rebate ataques racistas ao seu papel em A Odisseia de Nolan: ‘Fui honrada’

Lupita Nyong'o responde às críticas racistas ao seu papel em A Odisseia e defende a visão de Christopher Nolan para o filme.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Lupita Nyong’o não vai perder tempo respondendo a quem não quer vê-la no papel de Helena de Troia. Em um extenso perfil publicado pela Elle, a atriz vencedora do Oscar por 12 Anos de Escravidão falou pela primeira vez de forma direta sobre a onda de críticas que se seguiu ao anúncio de sua participação em A Odisseia, o aguardado épico de Christopher Nolan previsto para estrear nos cinemas brasileiros em 16 de julho de 2026.

A pressão começou quando o comentarista político conservador Matt Walsh publicou no X uma crítica direta ao casting, chamando Nolan de “covarde” e afirmando que nenhuma pessoa no planeta realmente acha Nyong’o “a mulher mais bonita do mundo”. O bilionário Elon Musk respondeu ao post com uma única palavra: “Verdade”. O episódio levou o debate para o mainstream da mídia americana e acendeu uma discussão que mistura racismo com questões sobre representatividade em adaptações de textos clássicos.

A resposta de Lupita e a visão de Nolan para o elenco

Nyong’o foi direta ao lembrar um ponto que seus críticos parecem ignorar deliberadamente: A Odisseia é uma história mitológica, não um registro histórico. “Sou muito favorável à intenção do Chris com o filme e com a versão dessa história que ele está contando. Nosso elenco é representativo do mundo”, disse a atriz. A produção reúne um dos conjuntos de atores mais estrelados dos últimos anos, com Matt Damon como Odisseu, Anne Hathaway como Penélope, Tom Holland como Telêmaco, Robert Pattinson, Zendaya e Charlize Theron, entre outros.

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Para Nyong’o, tentar rebater cada crítica seria uma batalha sem fim. “A crítica existirá, quer eu me envolva com ela ou não. Não vou gastar meu tempo pensando em uma defesa”, afirmou. Ela completou com uma frase que resume bem sua postura: “Não consigo gastar meu tempo pensando em todas as pessoas que ainda não me amam. Você vai encontrar os representantes que acreditam em você, e vai em frente.”

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Além da beleza: o que Lupita quer explorar na personagem

A atriz também rejeitou a ideia de encarar Helena pela lente pela qual o personagem é mais conhecido, a mulher cuja beleza desencadeou a Guerra de Troia. Para ela, essa abordagem não faz sentido artístico nem é possível de realizar na prática. “Você não consegue interpretar beleza. Quero saber quem é o personagem. O que existe além da beleza? O que existe além da aparência?”, disse Nyong’o.

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O ponto de partida para sua construção do personagem foi o roteiro do próprio Nolan. “A investigação começa com as páginas que você recebe. Foi nisso que baseei tudo”, explicou a atriz, acrescentando que a vasta tradição de estudos e interpretações sobre a Odisseia poderia tornar a pesquisa interminável, mas que o texto do diretor foi o norte que ela escolheu seguir.

O peso do projeto e o que ele representa

Nyong’o encerrou a entrevista deixando claro o quanto o convite de Nolan significa para ela. “É algo bastante extraordinário fazer parte de A Odisseia, porque é grandioso. Abrange mundos. É por isso que o elenco é o que é. Estamos ocupando a narrativa épica do nosso tempo. Fui profundamente honrada por ter sido confiada com o papel.”

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Com orçamento de 250 milhões de dólares e filmado com tecnologia IMAX de última geração em múltiplas locações internacionais, A Odisseia chega aos cinemas com expectativas altíssimas. O debate em torno do casting, longe de prejudicar o filme, só parece ampliar sua visibilidade a menos de dois meses do lançamento.

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