Hollywood está em um momento de ressuscitar franquias de sucesso, como ocorreu com MIB: Homens de Preto Internacional, Rambo e Brinquedo Assassino, todos lançados no ano de 2019 e que é apenas uma tendência de algo que começou há pouco mais de 10 anos. Talvez isso demonstre o quão os estúdios estejam vazios de novas ideias e para isso tentam trazer a nostalgia de clássicos do cinema para o presente, visando as grandes bilheterias e um público jovem que não pôde acompanhar estas produções no cinema.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Tim Miller), sexto longa da saga dos exterminadores é um ponto fora da curva no meio de tantos filmes mal concebidos da franquia. O primeiro fator que chama a atenção é em relação ao roteiro ignorar completamente as produções anteriores, casos de O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, O Exterminador do Futuro: A Salvação e O Exterminador do Futuro: Gênesis e seguir adiante como se esse fosse o terceiro longa e não o sexto. Portanto, é um retorno ao que havia se perdido dentro de uma história em que já havia se saturado com a presença da Skynet como principal vilã e da aparição de John Connor como o sempre salvador da pátria de um futuro que ainda não aconteceu.

Destino Sombrio toma uma atitude perigosa em redefinir tudo o que se conhecia sobre O Exterminador do Futuro. Abandonaram a Skynet e os vilões agora são um grupo chamado Legião, criado como um projeto de guerra, e que no futuro irá evoluir e começar a matar os próprios humanos. A ideia em si é interessante, mas se torna banal por não ter um grande desenvolvimento a cerca do assunto, fora que citam apenas algumas vezes a Legião e depois não mais. Um novo vilão pode dar mais força para a franquia, mas isso a longo prazo, pois a curto pode dar um nó na cabeça das pessoas desinformadas que acreditam ser este o sexto filme da franquia. 

Outra mudança que ajuda a dar maior vigor para a narrativa e para o futuro da franquia é o fato de criarem novos exterminadores, o que aparece em Destino Sombrio se chama Rev 9 (interpretado belamente por Gabriel Luna) e é um mecanismo muito mais forte e poderoso que todos os anteriores já apresentados, e pode-se dizer que é uma evolução se comparado com o T-1000 de O Exterminador do Futuro 2, tendo o poder de se derreter como se fosse petróleo e de criar um duplo de si mesmo, fazendo com que a tarefa de o vencer se torne quase impossível.

Este novo Terminator ajuda a dar maior força para as cenas de ação, algo que é a principal marca da produção. As cenas são bem coreografadas, com muitos tiros e explosões. O Rev 9 é poderoso e mostra inovações que ajudam a compor e a dar maior força para o antagonista. Gabriel Luna está fantástico, é o vilão que a franquia precisava e o ator com sua pose séria dá maior tensão para as cenas que está envolvido. As partes mais empolgantes são as que o Rev 9 está presente, sem ele, possivelmente, a ação não teria o impacto que teve.

James Cameron retorna como produtor, algo que ajuda a se compreender o porque de continuar a narrativa dos exterminadores pensando no segundo filme e esquecendo todo o resto que foi proposto até então desde a Salvação. Já a direção de Tim Miller se mostra adequada, o diretor está ali para fazer algo parecido que foi feito em Deadpool, e por isso mesmo Tim Miller foi escolhido para ser o condutor deste novo capítulo, para refazer as cenas de ação e para dar maior engenhosidade para várias outras questões que foram ali apresentadas. Algumas destas situações são jogadas sem um tratamento mais aprofundado, como o caso da questão armamentista e o próprio feminismo.

Linda Hamilton está fantástica, é a dona do filme, e sem ela possivelmente não teríamos um filme tão atraente quanto tivemos, já que os personagens que surgiram não iriam segurar a atenção do público. Mackenzie Davis tem uma personagem intrigante e a atriz está bem no papel de mulher atraente e fatal. O mesmo não pode se dizer de Natalia Reyes, que é uma das três protagonistas e que não empolga nada, possivelmente foi colocada na trama para dar maior força para a questão da imigração, um tema que é contextualizado no filme de forma bastante rápida e superficial.

Arnold Schwarzenegger mesmo sendo quase que um elemento secundário para a trama se sai bem, sempre que seu personagem aparece lutando contra o Rev 9 dá uma levantada no público, os embates são grandiosos e explosivos, mas infelizmente rápidos e rasos. Há uma reflexão pertinente em relação ao personagem de Schwarzenegger ter criado uma certa consciência em relação a matar, e tirar conclusões de que tais atos são nocivos para a sociedade. É uma questão que pode ser inimaginável para a franquia antigamente, mas como os tempos mudaram e o roteiro tentou seguir essa evolução, quiseram tratar de assuntos que tem força para o período, mas que não é tão relevante assim para a produção.

Apesar de desagradar aos fãs, essas mudanças (principalmente a de tirar John Connor de cena) pode ser um tiro no pé por não trazer mais a motivação inicial que existia nos primeiros filmes, porém o roteiro é inteligente em dar um sentido para a trama, principalmente para Sarah Connor que agora tem uma motivação movida pela vingança. A franquia já dava sinais de abandono ou de não ter mais para onde crescer, claro que esquecer os outros três filmes produzidos é uma bobagem e foi algo que apenas irritou os fãs. Provavelmente isso foi feito para tentar dar maior vigor para uma narrativa que se encontrava na mesmice de sempre e que não conseguia mais se renovar. Este novo episódio da saga volta a trazer maior grandiosidade e sentido para algo que havia sido perdido, porém somente o tempo irá dizer se todas estas mudanças impactantes do roteiro foram um acerto.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate, EUA – 2019)

Direção: Tim Miller
Roteiro: David S. Goyer, Justin Rhodes, Billy Ray
Elenco: Mackenzie Davis, Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger, Natalia Reyes, Gabriel Luna, Edward Furlong, Tom Hopper
Gênero: Ação, Aventura, ficção-científica
Duração: 128 min