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Crítica | Pássaro do Oriente – Um drama com várias interpretações

Pássaro do Oriente tem como a escolha de conduzir a trama pelo drama e pelo olhar da protagonista, e de a colocar em uma Tóquio gelada e sem emoção

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
28 de novembro de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | Pássaro do Oriente – Um drama com várias interpretações

Pássaro do Oriente é daqueles suspenses que muito pouco se diz sobre a trama e sobre a trajetória de vida da protogonista, e mesmo assim pode-se dizer que a ideia da produção é apenas a de dialogar a respeito da personagem e de sua vida rotineira que propriamente fazer um filme criminal, já que o foco é apenas e unicamente na protagonista. A trama vai se apresentando e as situações se desenvolvendo aos olhos dos telespectadores ao seguimos a vida de Lucy Fly (Alicia Vikander) que reside em Tóquio, no Japão, local que trabalha há cinco anos. Em um momento é apresentada pelo seu amigo a Lily Bridges (Riley Keough), e depois, em um momento extremamente bizarro em que se apaixona por um homem, Teiji Matsuda (Naoki Kobayashi), que tira fotos dela com a câmera em uma praça, e então Lucy acaba por duvidar se Teiji, no futuro, é ou não responsável pela morte de sua amiga Lily, fato que faz girar a trama e que é o principal atrativo do roteiro. 

É justamente a ideia de crime que dita a trama, mas também há um direcionamento do roteiro escrito por Wash Westmoreland, adaptado do livro de Susanna Jones, que tenta em alguns momentos colocar uma ideia de que Lucy parece não estar sã. O diretor dá uma ideia de que a personagem parece estar imaginando aqueles acontecimentos, como um beijo que ela imaginou Lily dando em seu rosto, ou algumas outras ocasiões que ela pensou estarem ocorrendo durante a história e que não aconteceram de fato. 

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Há uma sensação de sonho ou realidade, se aquilo que a protagonista está vivenciado é realmente verdadeiro. Aquilo ganha mais força depois do acontecimento com os policiais, e nos faz questionar se o que ela viu nas fotos, próximo ao final, é realmente verdade ou mentira, e se até mesmo aquilo que aconteceu com Teiji, no apartamento de Lucy, foi verdade ou mentira, isso não dá para saber ao certo, fica tudo no achismo.

Outra forma interessante do roteiro em abordar a narrativa de uma forma menos habitual do jeito que estamos acostumados a presenciar é o fato de criar duas linhas de tempo, uma com Lucy prestando depoimento à polícia e falando sobre a morte de Lily e outra realmente nos mostrando como esses fatos ocorreram, ou como Lucy queria que estes fatos tivessem realmente ocorrido. É um jeito interessante em se contar a narrativa, engana, mas de um jeito que favorece aos personagens e ao suspense, isso até um certo ponto da trama.

O roteiro vai justamente por esse caminho em dar indícios de uma possível loucura da protagonista e também de apresentar o lado dramático, como o de que a personagem teve que fugir por causa de algumas situações descritas no filme. A grande questão que fica é se realmente as informações passadas são precisas ou se podemos confiar naquilo que estamos vendo, assim como a protagonista parece enxergar demais em alguns momentos, é bem provável que o telespectador também esteja vendo coisas demais, e esse é o barato de Pássaro do Oriente, se seria tudo sonho ou realidade o que Lucy estaria presenciando.

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Obviamente que por ser centrado apenas na protagonista, o longa acaba por se tornar chato, e até mesmo cansativo em alguns momentos, e muito disso se passa pela protagonista ser séria em sua essência, e por não ter uma dinâmica que atraia para os seus traumas e para os seus dramas particulares. São duas situações citadas durante o filme que não fazem com que o público de fato entre na vida da personagem. Mesmo com tanta riqueza de detalhes que são apresentados fica parecendo que aquilo que está sendo nos passando não é o principal elemento da história e não é importante, mas é, e muito importante, não apenas para a trama, mas também para a elucidação da narrativa como um todo. A trama não vai a fundo em abordar a vida de Lucy, talvez por isso o telespectador não se preocupe com o que Lucy fale a respeito de seus traumas.

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Uma falha terrível da direção de Wash Westmoreland está na condução do suspense da narrativa, a verdade é que o diretor não parece saber ao certo qual a condução correta que quer direcionar a história. Havia espaço para trabalhar um grande thriller, mas prefere ir por outro caminho e escolhe ir pelo lado do mistério e acaba que não acontece nem uma coisa nem outra. O mistério é mal concebido, porque ele é mal desenvolvido e mal solucionado, e o suspense acaba morto por não ter sido colocado como o grande destaque da narrativa.

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Pássaro do Oriente tem como a escolha de conduzir a trama pelo drama e pelo olhar da protagonista, e de a colocar em uma Tóquio gelada e sem emoção, e isso é algo interessante, além de ser uma tentativa de construir a personalidade de Lucy, é como se aquele ambiente em que ela está inserida fosse exatamente um espelho de quem ela é, uma mulher sem expressão, séria e com poucos sentimentos.

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O longa entrega o que promete de início, e por ser uma adaptação de um livro parece que há muito mais naquela trama a ser aprofundada, ou seja, o longa não entrega tudo por não apenas não ter tempo suficiente de tela, mas talvez por não ser o produto audiovisual adequado, talvez se tivesse sido feito como uma minissérie teria funcionado melhor.

Pássaro do Oriente (Earthquake Bird, EUA, 2019)

Direção: Wash Westmoreland
Roteiro: Wash Westmoreland, Susanna Jones (Livro)
Elenco: Alicia Vikander, Naoki Kobayashi, Akiko Iwase, Riley Keough
Gênero: Crime, Drama, Mistério
Duração: 107 min.

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Tags: #Alicia Vikander #Netflix
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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