O sertão (ou deserto) brasileiro já foi reproduzido muitas vezes no cinema brasileiro. Em alguns casos como cenário afrodisíaco em outros casos como personagem principal de algum drama que quisesse dialogar sobre a imensidão e os dilemas dessa região brasileira e de quem vive nela. Filmes como Abril Despedaçado ou Cinema, Aspirinas e Urubus  já haviam mostrado o Sertão de um modo diferente. 

Uma nova produção nacional estreou em algumas salas de cinema falando de modo poético sobre o deserto e o isolamento que ele causa às pessoas que nele habitam. Tudo é pura poesia em Por Trás do Céu (Caio Sóh), desde o local representando o sertão (Não foi gravado no Nordeste) até os sonhos da personagem vivida por Aparecida (Nathalia Dill).

É um filme que tem uma ideia bacana, mas que foi mal roteirizado, mal produzido, e teve personagens pessimamente desenvolvidos. O cinema nacional se esforça para melhorar a qualidade, mas acaba caindo na mesmice de sempre. Há muito vício em querer retratar essa região como local de miséria e de pobreza. Um local isolado de tudo e que a salvação seria a capital.

Claro que o filme não toca diretamente na palavra sertão, mas fica nítido que ele é representado ali. O longa conta a história de Aparecida, uma mulher jovem e sonhadora e seu marido Edivaldo (Emílio Orciollo Neto) que faz o papel de homem bruto, que age mais com a emoção que com a razão. Justos vivem escondidos de alguns fazendeiros em uma pedra, algo aconteceu no passado. O dono da fazenda e seus capangas estupraram em um passado recente Aparecida. O filme não informa quando isso ocorreu e esse fato é mostrado não se sabe o porquê. Parece que a cena foi gravada apenas com a ideia de chocar e jogaram lá por jogar.

Voltando a história, eles vivem a dura realidade da vida. Edivaldo vive um dia de cada vez de forma séria, ela vive fantasiando sair de lá e conhecer o mundo. Viver lá não traz felicidade para Aparecida. Depois de ver a foto de um foguete em uma revista decide construir um foguete para voar e ver o que há além do céu.

Completam o elenco Gero Camilo muito bem no papel de Niquim, um personagem pouco aproveitado e Paula Burlamaqui como a prostituta que fugiu da capital com medo de ser assassinada. Talvez o arco mais interessante da história seja justamente esse encontro entre a garota de programa e Aparecida que vive isolada do mundo e acha que a capital seja um lugar decente, enquanto que Valquiria pensa o contrário, viver isolada é melhor que viver no meio de tanta desgraça da cidade grande. Esse é um tema que poderia ser o principal do filme e deveria ter sido melhor explorado, infelizmente ele é abordado de forma genérica.

Nessa produção tudo é apresentado de forma alegórica. O foguete nada mais é que o desejo de deixar essa vida de miséria para trás. Uma fuga da realidade tediosa que eles vivem e o sentimento de conhecer o novo.

A direção de Caio Sóh parece perdida em alguns momentos, as vezes parece tomar o rumo certo para então se perder e ficar sem caminho novamente. A personagem de Nathalia Dill é boa, uma garota um pouco doidinha um pouco inocente. O problema é seu sotaque de que não é tão bom assim. O som do seu sotaque é inaudível, atrapalha demais o seu entendimento. Em alguns momentos você não entende o que ela diz.

No geral Por Trás do Céu é uma obra que se fosse melhor produzida e melhor pensada teria um resultado final muito diferente. É como aquele carro que parece que vai pegar e não pega. 

Por Trás do Céu (Brasil – 2017)

Direção: Caio Sóh
Roteiro: Caio Sóh
Elenco: Nathalia Dill, Emílio Orciollo Neto, Everaldo Pontes, Gero Camilo, Léo Rosa, Paula Burlamaqui, Renato Góes
Gênero: Drama
Duração: 90 min