Últimas
Avatar prepara nova era com Seven Havens após legado de KorraMahershala Ali diz que só Kevin Feige sabe por que Blade foi canceladoBombeiros concluem retirada de corpos do helicóptero de RickRobert Eggers vai dirigir Romeu e Julieta após disputa entre estúdiosXbox confirma fim da Ninja Theory e transfere Halo para a ActivisionRick, da dupla com Renner, morre aos 59 anos em queda de helicóptero em…Resident Evil chegou aos cinemas com versões diferentes para Brasil e EUAKit Harington admite que spin-off de Jon Snow pode voltar a ser viável
Bastidores®
  • Início
  • Notícias
    • Viral
    • Cinema
    • Séries
    • Games
    • Quadrinhos
    • Famosos
    • Livros
    • Tecnologia
  • Críticas
    • Cinema
    • Games
    • TV
    • Quadrinhos
    • Livros
  • Artigos
  • Listas
  • Colunas
  • Início
  • Notícias
    • Viral
    • Cinema
    • Séries
    • Games
    • Quadrinhos
    • Famosos
    • Livros
    • Tecnologia
  • Críticas
    • Cinema
    • Games
    • TV
    • Quadrinhos
    • Livros
  • Artigos
  • Listas
  • Colunas
Catálogo

Crítica | Real – O Plano por Trás da História

Filme impressiona pela discussão econômica antes restrita aos meios universitários.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
23 de maio de 2017 · 5 min de leitura
Crítica | Real – O Plano por Trás da História

Durante muitos anos, o folclore ligado ao Cinema Nacional parecia apontar para Macunaíma ou Antônio das Mortes como personagens simbólicos da cinematografia brasileira. Até que, em 2007, o surgimento de Tropa de Elite e o abraço do público ao Capitão Nascimento tiraram da crítica especializada a incumbência de “dar um rosto e um nome” que mais fielmente representassem a indústria, ultrapassando os limites das telas e invadindo a cultura em geral – através de outras mídias, inevitáveis paródias, referências, etc.

Quando agora, 10 anos depois, surge Emílio Orciollo Neto bradando “Desenvolvimentistas do car…”, em sua impressionante personificação do economista Gustavo Franco, o predomínio do Capitão Nascimento parece seriamente ameaçado. Talvez seja esta a maior das realizações possíveis para Real – O Plano por Trás da História, produção de Ricardo Fadel Rihan dirigida por Rodrigo Bittencourt (da comédia Totalmente Inocentes) que chega aos cinemas para contar a criação do célebre “Plano Real”, que derrotou a hiperinflação brasileira em meados da década de 1990, entre os governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

É de se imaginar a imensa dificuldade em transformar num enredo interessante uma intrincada rede de raciocínios macroeconômicos e o desenrolar político de bastidores que possibilitaram, momentaneamente, a convivência entre duas moedas – a anterior, arruinada pela inflação, e uma intermediária, que antecedeu ao real propriamente dito e que contava com a segurança do suporte em dólar. Mas é neste ponto que o filme atinge seu grande mérito: o roteiro – não raro, brilhante, obra de Mikael de Albuquerque a partir do livro do jornalista Guilherme Fiúza, 3.000 Dias no Bunker – consegue envolver o espectador em 90 minutos sem trégua e oferecer um protagonista (Gustavo Franco) com todas as características necessárias a uma personalidade lendária: coragem, obstinação, engenho, lances de nobreza alterando-se a outros de puro egoísmo, numa mistura que torna mais fácil se envolver com a trama mesmo quem, como o ex-presidente Itamar Franco, não está entendendo coisa nenhuma do tal plano econômico.

“Foram três anos de escrita e 19 tratamentos”, revela Albuquerque, na coletiva de lançamento. Esse é o ponto alto do filme, que sofre, na contramão, com as falhas já habituais de uma cinematografia que encontra imensa dificuldade em equilibrar, num mesmo filme, comunicação com o público e invenção cinematográfica. A fixação – até compreensível – em construir canais seguros de comunicação com a audiência tem aproximado por décadas os filmes brasileiros de seu parente dramatúrgico mais bem sucedido (no caso, a telenovela), o que confere a eles características típicas da empobrecida narrativa de TV. Faltam a composição dos quadros, a alternância entre momentos de preenchimento e vazio, a noção de ritmo, a hierarquia dos planos que tipificam a linguagem da tela grande. Tudo é muito concatenado, o puro diálogo conduz o filme fazendo com que a presença da câmera, invariavelmente, faça do espectador um observador ocasional do que se passa, de modo que, convertido numa peça de teatro, por exemplo, o resultado pudesse ser muito parecido (ou idêntico).

A despeito de tudo isso, compreendendo as intenções dos realizadores e considerando sempre que um filme é um todo íntegro de significado, o placar final lhe é favorável: Real é divertido, ágil, a montagem do elenco minuciosa (a ponto de oferecer uma caracterização assustadoramente fiel de José Serra, um personagem bastante secundário e, ressalte-se, detestável) e consegue atingir a importância de relato histórico que parece almejar.

O produtor Fadel Rihan alega que não quis usar dinheiro de empresas estatais na produção, o que já é outra façanha, sabendo-se da dependência doentia que os produtores de cinema brasileiros têm dos governos e dos laços com políticos para levantar produções. Com irritação contida, o global Juliano Cazarré (quase numa ponta, porém sempre carismático, interpretando o político petista que sintetiza personagens reais) reclama do boicote ao filme no festival de cinema pernambucano, lembrando que, tal qual o episódio com Boi Neon (retirado pelo diretor da disputa à vaga pelo Oscar), uma reação política intempestiva acaba dificultando aos filmes voos mais altos. Esta é a ponta do iceberg de toda a dimensão ideológica envolvida na produção de cinema no país, e acaba reafirmando outro mérito de Real: a coragem em seguir firmemente na contramão, talvez inspirado pelo seu personagem principal – no caso, Gustavo Franco, um apaixonado defensor do valor e da estabilidade da moeda contra as vicissitudes políticas.

Publicidade
Leia também
Capa

Review | Splatoon Raiders é o desvio mais ousado (e mais acertado) que a Nintendo já deu com a franquia

→

Em 20 anos, se eventualmente despontar por aqui uma geração de jovens economistas a compreender que nenhum país se desenvolve e nenhum povo enriquece desvalorizando por oportunismo ou heterodoxia econômica o dinheiro que está em sua própria carteira, uma boa parte da explicação talvez seja devida a este filme e ao seu personagem principal, que a um só tempo derruba a inflação, samba na cara dos petistas e conquista Paolla Oliveira (mesmo sendo visivelmente uns 10 centímetros menor que ela).

Se este não é um herói (ou anti-herói, como parecem defender o diretor e o ator principal do filme) digno de ser viralizado, citado, lembrado e imitado, então o problema não está com esta produção, em particular, ou mesmo com a cinematografia nacional (ou com nossos economistas “desenvolvimentistas do car…”), mas com a alma do brasileiro e seu complexo, aparentemente incurável, de vira-lata.

Real – O Plano por Trás da História (Brasil – 2017)

Direção: Rodrigo Bittencourt
Roteiro: Mikael de Albuquerque
Elenco: Emilio Orciollo Neto, Bemvindo Sequeira, Norival Rizzo, Paolla Oliveira, Tato Gabos Mendes, Guilherme Weber, Cássia Kis Magro, Mariana Lima
Gênero: Drama
Duração: 95 min

Tags: #Cinema #crítica #Filme #Nacional #Paris Filmes
Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp
Redação Bastidores
Escrito por

Redação Bastidores

Perfil oficial da redação do site.

Ver todos os posts →
Carregando próxima leitura…
Bastidores®

Aqui a crítica acontece!

📣 Quer anunciar?

Manda um email pro Matheus: matheus@nosbastidores.com.br

Membro do OpenCritic

Navegação

  • Início
  • Notícias
  • Críticas
  • Artigos
  • Listas

Legal

  • Privacidade
  • Termos
  • Cookies
© 2026 Bastidores. Todos os direitos reservados. feito com café por matheus serafim

Olá, gostaria de entrar e comer um cookie?

Usamos cookies para melhorar a sua experiência, personalizar conteúdo e analisar nosso tráfego.

Política de Privacidade · Política de Cookies · Termos de Uso

Preferências de cookies

Usamos cookies para melhorar a sua experiência, personalizar conteúdo e analisar nosso tráfego.