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Crítica | Sombra Lunar – Uma oportunidade perdida

Sombra Lunar tinha tudo para ser uma ótima ficção científica, mas por ter uma direção fraca e um roteiro bastante superficial

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
2 de outubro de 2019 · 4 min de leitura
Crítica | Sombra Lunar – Uma oportunidade perdida

Um fato que torna os filmes de ficção científica tão atraentes para o público são as histórias que enxergam o futuro ao criar ou um ambiente imaginário de como será a Terra alguns anos a frente, ou apresentando armas ou tecnologias que serão usadas em um futuro não tão distante. É nesse segundo cenário que se encaixa Sombra Lunar, produção da Netflix que tem uma ideia interessante, mas que é desenvolvido de modo errado e sem foco no que realmente importa.

O roteiro escrito pela dupla Gregory Weidman e Geoffrey Tock tem boas intenções, mas é cheio de buracos e sem um foco nas questões realmente relevantes. A ideia de contar a jornada de um homem que se torna paranoico, ao tentar encontrar uma assassina que aparece de dez em dez anos, se mostra interessante de início com o policial interpretado por Boyd Holbrook estando no encalço da mulher desconhecida. O problema está justamente nessa questão dessa possível vilã aparecer de dez em dez anos, algo que faz a trama se tornar extremamente repetitiva e ficar presa na saga do policial, durante toda a sua vida, ficar a perseguindo.

Bons roteiros são aqueles que colocam questões novas e empurram a história para a frente. Isso não acontece nem no primeiro, nem no segundo ato do filme. Algumas situações são colocadas ao longo da trama para não deixar toda a explicação para o final, mas esse artifício não funciona, pois o roteiro não joga a história para a frente. É como se o filme não andasse, mesmo com ocorrências novas aparecendo. 

Esse excesso de mistério em nos contar quem é a vilã e sua real motivação é uma coisa que é pessimamente trabalhada. A ideia era a de deixar todo o mistério para o final, e isso acaba matando de vez o filme, pois durante todo o caminho percorrido pelo policial Locke, pouco havia sido dito sobre quem ela era e o porque de estar fazendo tudo isso. Ao chegar nos últimos minutos e descobrir o seu motivo há um misto de surpresa e de frustração ao mesmo tempo. Tal fato ocorre por o final entregue simplesmente desfazer tudo o que havia sido apresentado até então no longa. 

Outro erro está em relação de o diretor Jim Mickle (Somos o que Somos) focar exclusivamente no personagem de Boyd Holbrook ao contar sua história. São quase duas horas de filme praticamente falando sozinho, ou procurando coisas que não se sabe o que são. O problema está em seu personagem, Locke, um homem que persegue algo e que vive um breve trauma da perda da esposa viver sob essa paranoia e não ter mais nada em sua vida sendo apresentado, até mesmo sua filha foi abandonada. 

E justamente por focar no protagonista em demasia é que os personagens secundários ficam completamente jogados de lado. A começar pela própria mulher, que a princípio é a vilã, ela aparece e surge do nada e sua personagem nunca entra por completo na trama. O mesmo ocorre com o cientista que aparece em ocasiões pontuais, mas também não é desenvolvido e mesmo tendo grande importância para o longa, aparece e desaparece sem explicar nada. Mas nada supera o abandono do personagem de Michael C. Hall, que até o primeiro ato tinha sua importância por ter uma relação de parentesco com o policial, mas que depois some, mesmo sendo um personagem secundário deveria ter mais momentos importantes na produção.

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A direção de Jim Mickle é bem intencionada em criar armas tecnológicas futuristas, portais que levam pessoas do presente para o passado, mas tudo isso acaba ficando sem função alguma, até porque o diretor não se preocupou em desenvolver essas questões, e nem nos dar respostas que ajudassem a dar maior direcionamento para a trama. O primeiro ato do longa é uma prova disso, começa com muita tensão e mistério, e depois no segundo ato todo o suspense criado some.

Sombra Lunar tinha tudo para ser uma ótima ficção científica, mas por ter uma direção fraca e um roteiro bastante superficial, acaba se tornando uma grande decepção, pois material havia para criar uma grande jornada com seu protagonista isolado. Não é um filme ruim em sua totalidade, mas faltou substância para o tornar uma grande produção do gênero.

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Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon, 2019)

Direção: Jim Mickle
Roteiro: Gregory Weidman, Geoffrey Tock
Elenco: Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bokeem Woodbine, Michael C. Hall e Rudi Dharmalingam
Gênero: Crime, Mistério, Ficção Científica
Duração: 100 min.

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Tags: #Bokeem Woodbine #Boyd Holbrook #Michael C. Hall #Netflix
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Gabriel Danius
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Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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