Cinema

Crítica | Song Sung Blue – Um Sonho a Dois é drama musical emocionante

Inspirado por uma comovente história real, o novo filme dirigido e roteirizado por Craig Brewer (de A Lenda de Tarzan) tem todos os elementos necessários para agradar o público. Basta ter algum interesse em música popular norte-americana e se deixar levar pelo encanto quase irresistível do casal central.Publicidade O roteiro de Brewer foi inspirado no […]

Daniel Moreno
Daniel Moreno Redação
4 min de leitura
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Inspirado por uma comovente história real, o novo filme dirigido e roteirizado por Craig Brewer (de A Lenda de Tarzan) tem todos os elementos necessários para agradar o público. Basta ter algum interesse em música popular norte-americana e se deixar levar pelo encanto quase irresistível do casal central.

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O roteiro de Brewer foi inspirado no aclamado documentário de mesmo nome, dirigido por Greg Kohns em 2008 e vencedor de diversos festivais. Na trama, Mike (Hugh Jackman) é um ex-fuzileiro naval que ganha a vida com dificuldade imitando cantores famosos na cena musical do Wisconsin. Ele conhece Claire (Kate Hudson), uma cabeleireira que também canta e lhe sugere que ele protagonize um espetáculo de tributo ao cantor Neil Diamond. Os dois se apaixonam e formam não só uma banda, como também uma nova família (unindo três filhos de casamentos anteriores).

As dificuldades do início são superadas porque rapidamente o público simpatiza com os dois e aprova o repertório, o que leva a trupe de Mike e Claire a abrir o show de uma famosa banda de grunge da época, cujo vocalista tem uma atitude muito generosa com os colegas (se quer saber qual é a banda, veja o filme). Tudo parece ir bem até que acontecimentos trágicos colocam sua trajetória em risco.

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O filme é praticamente dividido no meio, em dois blocos – entre eles, o evento trágico que modifica a trajetória da dupla. A primeira parte é levada em um longo fôlego único: é empolgante e não deixa o ritmo cair em momento nenhum. Logo depois da virada, o roteiro perde um pouco de tração, mas esta é recuperada no último ato, que volta a ser emocionante e dificilmente deixará os espectadores indiferentes.

Partindo de um material inicial que é uma excelente história, o trabalho da direção é escolher bem seus atores e não estragar nada. E ela não estraga. Um dos maiores méritos do filme está no elenco, bem escolhido desde os coadjuvantes que mesmo em pequenos papéis oferecem um desempenho humano e minucioso na caracterização: o famoso Jim Belushi, Michael Imperioli (de Família Soprano e da segunda temporada de The White Lotus) e Fisher Stevens (o inesquecível e traiçoeiro Hugo do seriado Succession).

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É difícil não gostar do filme, como também é difícil achar problemas nele. A metragem poderia ser ligeiramente menor (cortar uma ou duas sequências de sonho não faria mal ao filme e corrigiria esse problema). A cinematografia sofre um pouco dessa tendência avassaladora da indústria de não abrir o quadro e sempre desfocar o fundo (“telar”), o que faz com que a maioria dos filmes tenha um mesmo “visual” achatado e brilhante que muitas vezes lembra as câmeras de smartphones modernas. Quando por outro lado a direção deixa as cenas “respirarem”, o quadro se abre e podemos sentir de maneira muito vívida a vibração dos bares e da cena musical de Milwaukee.

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Mas nada se compara ao desempenho do casal central. Kate Hudson não perdeu seu encanto nas últimas duas décadas, enquanto Hugh Jackman rouba cada segundo em cena: sua capacidade de despertar ao mesmo tempo empatia e encanto, a forma generosa com que se entrega ao papel confirma mais uma vez sua qualidade como ator e que certamente deveria merecer-lhe uma indicação ao Oscar. Se ganhar estará longe de ser uma injustiça.

Talvez o grande mérito aqui esteja em não se perder no retrato habitualmente condescendente que a indústria faz de “tipos populares” do interior e do meio-oeste americano, enfatizando manias e excentricidades e deixando de lado a beleza do lirismo naturalmente nascido e cultivado num estrato social a milhas de distância do glamour hollywoodiano. E a música de Neil Diamond: sem palavras. Ela seguraria o filme se fosse seu único atrativo. Mas não é.

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