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Crítica | Space Force – Uma Comédia que Decola

Viajar para o espaço sempre foi um sonho para o homem moderno, que passou anos imaginando métodos de se chegar o mais longe possível da Terra e mil e uma maneiras de conquistar os astros. E o mais longe que nós, os terráqueos já conseguimos ir, foi até o solo Lunar, local que ainda há o sonho de retornar algum dia. É exatamente sobre essa e outras questões que a série Space Force, produção da Netfflix, realiza uma convincente sátira a respeito de uma organização espacial ligada às forças armadas americana.

As viagens ao espaço sempre tiveram seu público fiel no audiovisual, seja nas produções de TV com Perdidos no Espaço (1965-1969) ou com Battlestar Galactica (1978-1979), e principalmente nas salas de cinema com clássicos atemporais como 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) ou com Star Wars (1977). O período da Guerra Fria, em que EUA e União Soviética brigaram para saber quem iria predominar no espaço e também para saber quem iria chegar ao cosmo primeiro, além de outras situações unilaterais envolvendo o espaço, como a espionagem espacial, segredos de Estado e os projetos bizarros espaciais. Todas essas questões estão no humor apresentado por Space Force e é exatamente este um dos principais fatores que deixam a série mais atraente para o público.

O time de roteiristas do seriado (entre eles Steve Carell deixa bem claro desde o início que o objetivo da produção não é o de levar a trama a sério, pois o humor empregado é daqueles ao estilo vergonha alheia, com situações em menor grau dos presenciados em outra série em que Carell esteve presente: The Office. O humor é parecido, e provavelmente os roteiristas quiseram aproveitar a fama do personagem de Carell para trazer mais força para a produção e também para que o próprio ator se sentisse mais a vontade em um papel que já fez no passado. Claro que o personagem não é igual, é muito diferente do já visto no passado. Mas o humor da série passa pelo o que o protagonista faz e pelos absurdos que beiram ao ridículo que o General Mark R. Naird, seu personagem, faz com toda a sua equipe.

Muito do humor da série está atrelado não apenas nas situações do dia a dia da Space Force, mas também com a sátira relacionada com as questões presente nos nossos tempos, como a do Twitter em clara menção ao presidente americano Donald Trump e ao uso incessante da rede social pelo mesmo, é uma sacada brilhante dentre muitas outras que a produção da Netflix tem. Isso só mostra como o roteiro do seriado é arrojado em criar idéias que se não são sublimes, pelo menos dão um jeito de fazer o público rir, e esse é o principal objetivo de uma série de humor.

As piadas feitas ou algumas das tiradas estão no seriado com o objetivo de ridicularizar o programar espacial americano e principalmente a motivação que as forças armas teriam isso na série, para querer tanto levar armas para o espaço. É algo bastante ficcional, mas é uma clara crítica ao estado armamentista que impera no país que vê tanta obviedade em querer usar armas que precisa as levar para o espaço, um local que nem pessoas têm para usá-las.  Essas e outras mensagens são um dos pontos positivos de Space Force, que mostra a força do roteiro em não ser apenas uma série de comédia, mas que há algo a mais por trás daquele humor, que há uma crítica também ao governo e principalmente ao programa espacial, sobram alfinetadas e cenas bizarras, até mesmo com um macaco sendo enviado ao espaço e ensinado a arrumar um satélite, em uma cena surreal e ridícula e engraçadíssima.

Outra ideia interessante foi colocar os astronautas desta vez em um enfrentamento novamente pela lua, mas desta vez contra os chineses. Nada mais atual que um confronto contra a China, em uma época em que se aflora mais em mais os ânimos contra os chineses e mais e mais se esquece aquele passado de brigas contra a antiga URSS. Essa questão de colocar um espião, um inimigo invisível dentro de um órgão governamental é que poderia ter sido mais bem explorado e que poderia ter rendido melhores cenas de humor se não o roteiro não tivesse perdido tanto tempo com tantas subtramas, principalmente da filha do General Mark R. Naird e do personagem F. Tony Scarapiducci.

Quanto aos personagens, alguns são bastante interessantes, o já mencionado General Mark R. Naird, protagonista que é interpretado por Steve Carell não traz os vícios nem caras e bocas da série The Office, e tem uma atuação convincente, seu personagem é um pouco diferente, talvez por isso algumas pessoas sintam alguma diferença ao clássico Michael Scott. John Malkovich é outro acerto fazendo o papel do Dr. Adrian Mallory, seu personagem não tem tanta substância assim e não é tão desenvolvido como se imaginava que seria, até suas subtramas são apagadas em relação a outros personagens. Mas a grande decepção está com Lisa Kudrow, não pela sua interpretação e sim pela sua personagem, foi pessimamente explorada e jogada de lado pelos roteiristas, aparece em poucos momentos, na realidade, a figura feminina de destaque são Diana Silvers interpretando a filha de Carell e Tawny Newsome, fazendo o papel da capitã Angela Ali, mas mesmo assim, Kudrow merecia mais tempo de tela.

Com uma trama arrojada e piadas inteligentes Space Force é a série que os fãs gostariam de assistir, não apenas os que ficaram órfãos de The Office, mas os que curtem comédia em geral. Os episódios não são tão curtos quanto os de costume, alguns com mais de 30 minutos, mas não são episódios cansativos, o tempo passa tão rápido que nem se percebe quando acabar.

Space Force (idem, EUA – 2020)

Criado por: Steve Carell, Greg Daniels
Direção: Paul King, Tom Marshall, Dee Rees, Daina Reid, Jeffrey Blitz, David Rogers
Roteiro: Steve Carell, Greg Daniels, Aasia LaShay Bullock, Owen Daniels, Yael Green, Connor Hines, Maxwell Theodore Vivian, Shepard Boucher, Brent Forrester, Lauren Houseman, Paul Lieberstein
Elenco: Steve Carell, John Malkovich, Ben Schwartz, Diana Silvers, Tawny Newsome, Jimmy O. Yang, Don Lake, Owen Daniels, Hector Duran, Dan Bakkedahl, Spencer House, Lisa Kudrow, Jessica St. Clair, Punam Patel, Alex Sparrow, Jane Lynch, Patrick Warburton, Diedrich Bader, Noah Emmerich
Emissora: Netflix
Episódios: 10
Gênero: Comédia
Duração: 30 min. aprox.

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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