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Mötley Crüe é uma das grandes bandas da história do rock, gerada nos anos 80, década em que o rock and roll via nascer as principais bandas de metal e de rock, como Iron Maiden, Guns N’ Roses e Metallica, entre outras que mudaram o cenário do rock, trazendo mais peso para as músicas e moldando um comportamento que iria influenciar e muito diversas gerações. E o Mötley Crüe nasceu na época certa, marcando seu nome na história com canções icônicas e que alavancaram diversos fãs. A produção da Netflix, The Dirt: Confissões do Mötley Crüe é um grande acerto em meio a um gênero em que geralmente as biografias do rock não são um relato fiel dos fatos como aconteceram.

Em The Dirt a ideia é muito parecida com a do filme Bohemian Rhapsody. Os músicos do  Mötley Crüe são os protagonistas, cada um sendo apresentado aos poucos para que o público vá conhecendo cada um daqueles personagens que para muitos são desconhecidos. Depois mostra todos os percalços pelo qual a banda passou, os traumas, os momentos divertidos, as festas e até o declínio com o uso de drogas por parte da banda. É uma estrutura narrativa que é bastante simples, mas que serve justamente para mostrar como viviam e como era a época em que tocavam.

Um dos principais méritos da produção dirigida por Jeff Tremaine (Jackass 3) é o de não ser uma biografia chapa branca, algo que Bohemian Rhapsody foi em não mostrar a fundo momentos mais conturbados da vida do cantor Freddie Mercury. The Dirt não se preocupa em cortar ou esconder situações que realmente ocorreram com o Mötley Crüe, uma banda que é conhecida não apenas pelas suas músicas, mas pelas festas e bizarrices que faziam por onde passavam.

O longa utiliza de cenas de nudez e de sexo para mostrar como os integrantes da banda usufruíam da fama. Há também muito uso de drogas por parte dos músicos e uma cena em especial chamou bastante a atenção do público por ser extremamente escatológica, que é a cena envolvendo o cantor Ozzy Osbourne que do nada começa a lamber sua própria urina. Tais situações são mostradas para que que todos entendessem que esse era o verdadeiro cenário do rock na época, por trás dos bastidores tudo acontecia e é um grande acerto mostrar tudo isso, sem se importar com a classificação indicativa da produção. 

A reconstrução da época é muito bem feita, levando o telespectador a imaginar como era os anos 80 e como os integrantes da banda viviam nesse período. O sexo, a bebedeira, o uso desenfreado de drogas, tudo isso fez parte dos bastidores das grandes bandas de rock do período e o diretor, ao escolher mostrar tudo isso, faz algo que muitas produções que tinham como foco o cenário do rock dos anos 80 ficassem para trás. Uma delas é Rock Of Ages, com Tom Cruise e que foi um tremendo tiro no pé ao tentar transportar de forma superficial a época para os cinemas. 

Os integrantes do Mötley Crüe, composto por Mick, Vince, Tommy, Nikki, já eram por si só personagens prontos para qualquer produção do cinema, cada um com uma característica diferente e todos com dramas pessoais dignos de um filme de Hollywood. Não é fácil entrar no papel de um astro do rock, ainda mais quando se tem uma das bandas mais famosas do Hard Rock como o foco central. Daniel Webber, Douglas Booth, Iwan Rheon e Machine Gun Kelly estão todos ótimos em seus personagens e a caracterização de todos convence muito bem. Se não ficaram parecidos, pelo menos ficaram com a aparência próxima a dos artistas originais. 

Não é nenhuma surpresa que a trilha sonora tenha sido composta em sua maioria com músicas tiradas do repertório do próprio do Mötley Crüe. Fato que é sim interessante, já que os principais clássicos da banda são tocados, algo que também aconteceu em Bohemian Rhapsody. Mas há outras bandas famosas que compõem essa bela trilha sonora, bandas como Cinderella, Poison e Quiet Riot estão nela e só agregam para uma trilha que é imprescindível de ser ouvida pelos fãs do gênero. 

Jeff Tremaine foi a escolha certa para dirigir The Dirt. Como diretor já fez inúmeras produções, e as mais famosas são os filmes zoeiros da franquia Jackass, em que os personagens faziam bizarrices atrás de bizarrices. Já que no longa o Mötley Crüe é o fator principal do roteiro e por ter uma trajetória parecida com a de que se vê em Jackass seria muito difícil de encontrar um diretor que desse o ritmo que a história necessitava. Como Jeff Tremaine já tinha experiência nesse tipo de produção acabou por se tornar a escolha óbvia. O diretor consegue manter o foco na trama, sem perder o fôlego e sem deixar cair a história, algo que pode acontecer no caso de começar a querer contar várias tramas e não resolver nenhuma. Jeff não deixa pontas soltas, sempre quando mostra a história pessoal de algum dos integrantes rapidamente as finaliza, dando um fim rápido a subtrama sem a estender, algo que poderia acabar tirando o foco real do filme ao chamar a atenção do público para algo sem relevância. 

The Dirt: Confissões do Mötley Crüe não é apenas algo que os fãs da banda queriam ver sendo representado, mas também uma viagem aos anos 80. O intuito do filme é não apenas o de retratar o Mötley Crüe, mas também e principalmente o de mostrar a época em que estavam inseridos e como o período foi importante para o cenário  do rock e para o nascimento de diversas outras bandas do gênero. Que venham outras cinebiografias ricas em conteúdo quanto essa foi e que toquem a fundo nos acontecimentos que realmente existiram, sem deixar nada de lado como se não tivesse acontecido.  

The Dirt (The Dirt: Confissões do Mötley Crüe, EUA – 2019)

Direção: Jeff Tremaine
Roteiro: Amanda Adelson, Rich Wilkes, Neil Strauss, Nikki Sixx, Vince Neil, Mick Mars, Tommy Lee
Elenco: Machine Gun Kelly, Erin Ownbey, Douglas Booth, Aaron Jay Rome, Daniel Webber, Alyssa Marie Stilwell, Iwan Rheon, 
Gênero: Biografia, Comédia, Drama
Duração: 107 min.

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