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Crítica | The Perfection – O horror feito para impressionar

A direção de Richard Shepard (Girls), em conjunto com o roteiro bagunçado, faz com que muito do que seria interessante em The Perfection se perca pelo caminho.

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
8 de junho de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | The Perfection – O horror feito para impressionar

Há momentos de nossa vida em que buscamos a perfeição em algo que fazemos, seja no trabalho, nos estudos ou no relacionamento. Em The Perfection (Richard Shepard) a perfeição em si só está mesmo no nome do longa, pois com uma proposta boa e um bom início, o filme logo se perde em seu roteiro e a proposta inicial acaba se tornando algo totalmente diferente daquilo que é apresentado na primeira meia-hora. 

The Perfection conta a história de duas garotas, Charlotte (Allison Williams) e Lizzie (Logan Browning), que se reencontram após dez anos. Ambas são excelentes violinistas, porém  Lizzie se tornou a preferida do mentor da escola de música Anton (Steven Weber), enquanto Charlotte ficou um tempo fora. Nisso o longa vai se desenvolvendo criando um novo vínculo entre as duas, e então o roteiro decide começar as suas inúmeras reviravoltas.

De primeiro momento esses plot twists são interessantes, pois realmente nos mostram sobre o que a produção fala, algo que ajuda o telespectador a se transportar para dentro da história e a acompanhar a trama das duas garotas. O problema está no jeito que essas viradas de roteiro acontecem, sendo feitas de forma freqüente e como ocorre no final feito de forma brusca, sem nenhum aviso de que a trama falava sobre aquele tema.

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Há uma clara tentativa feita pelo diretor em tentar enganar o telespectador. Primeiro dão a entender que iremos acompanhar um filme sobre amizade, amor e provavelmente uma pandemia mundial. Mas tudo muda repetidamente, justamente para tentar enganar a todos e transformar o longa em um produto Cult com um final fantástico de tão surpreendente. Há realmente uma surpresa com o final, mas não pela construção montada acerca do que seria mostrado, e sim porque é algo bizarro e totalmente tosco, algo que fugiu totalmente do que havia sido apresentado até então.

Enganar o público é algo bastante comum e até interessante e já foi feito em diversos filmes, mas isso só se torna atraente se o roteiro foi construído desde o início para que isso aconteça, algo que não ocorre em The Perfection. O roteiro parece mais um remendo de idéias que foram colocadas ali apenas para surpreender. Talvez se o roteiro e a direção pensassem menos em dar reviravoltas e pensassem mais na história o filme não soasse tão falso quanto foi. A própria mensagem a respeito da perfeição é algo secundário e que se torna raso, sendo confrontado apenas no último ato.

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Quanto ao horror que é presenciado na cena final e em alguns outros momentos durante o filme, eles realmente dão outra dinâmica para a trama, mas são tão jogados que só estão ali apenas para chocar o público. Não há uma construção no roteiro para que chegue o momento principal e então tenha a pesada surpresa. Algo do tipo, em relação ao horror e ao bizarro, pode ser presenciado no cinema de Pascal Laugier, com seus longas A Casa do Medo e Martyrs que conseguem fazer com que a crueldade imposta às personagens seja algo que realmente cause  alguma comoção em quem assiste, algo que não acontece com The Perfection que em certo momento tenta transformar as protagonistas em heroínas, mas acaba por não convencer.

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O mistério central do filme é guardado graças as boas atuações de Allison Williams (Girls) e Logan Browning (Lizzie) que passam o sentimento de realmente estarem perturbadas em relação aos acontecimentos, além de parecer que ambas estão envolvidas em um relacionamento mais profundo que a amizade, e isso ajuda a dar uma maquiada nas bizarrices que vão se sucedendo e que englobam as personagens com situações hediondas e escatológicas.

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A criação do vilão é extremamente superficial. Dão várias idéias de quem realmente é o lado ruim da trama, atiram para todos os lados e aí, quase que do nada, ele aparece. E o motivo para o surgimento deste vilão é mais banal ainda, sem trabalhar os acontecimentos ou seus atos. O diretor apenas joga a informação de quem ele seria e o que teria feito unicamente pensando no final feito para horrorizar a todos.

A direção de Richard Shepard (Girls), em conjunto com o roteiro bagunçado, faz com que muito do que seria interessante em The Perfection se perca pelo caminho. O jeito com que a narrativa é desenvolvida lembra mais a de um grande novelão, cheio de extremos e com um final surpreendente para deixar o público de boca aberta. Se muitas das decisões tomadas por Richard Shepard fossem na direção de envolver o telespectador e aí, próximo ao final, entregar toda a reviravolta, possivelmente faria com que o longa fosse não apenas mais fácil de ser assimilado, mas também muito mais divertido de se assistir.

The Perfection (EUA – 2018)

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Direção: Richard Shepard
Roteiro: Eric C. Charmelo, Richard Shepard, Nicole Snyder
Elenco: Allison Williams, Logan Browning, Alaina Huffman, Steven Weber, Molly Grace, Glynis Davies
Gênero: Drama, Horror, Thriller
Duração: 90 min

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Tags: #Allison Williams #Logan Browning #Netflix
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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