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Crítica | Tolkien – Um filme que peca na falta de ambição

Tolkien não é uma produção para aqueles que gostariam de se aprofundar em suas obras, deixa de lado sua inclinação católica

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
27 de maio de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | Tolkien – Um filme que peca na falta de ambição

A Literatura de J. R. R. Tolkien vai muito além de O Senhor dos Anéis. O autor escreveu diversos livros em vida, muitos deles só foram lançados anos após sua morte. Em sua vasta biografia ficaram obras memoráveis como O Hobbit, O Silmarillion e Contos Inacabados. Mas Tolkien vai muito além de seus livros, atrás de todas aquelas palavras havia um linguista extremamente competente e sábio, e é exatamente isso que o longa Tolkien (Dome Karukoski) quer nos mostrar.

Quem gosta de seguir a vida de uma personalidade importante e assistir a cinebiografias provavelmente irá se frustrar com Tolkien em um primeiro momento, pois o longa não se propõe a mostrar o que os fãs julgam ser o principal para levar alguém a assisti-lo que é a criação de suas histórias, como pensou nos personagens, de onde tirou inspiração para criar a Terra Média, em quem se influenciou para a elaboração de Sauron e Gandalf, de O Senhor dos Anéis e muitas outras questões que não apresentadas no filme

Só que essa não era a proposta do diretor Dome Karukoski (Fruto Proibido). O que Dome quis mostrar foi antes do escritor genial vinha o homem Tolkien. Para isso somos levados a conhecer a infância do autor, sua adolescência em que conhece três amigos que os segue no dia a dia no colégio e depois indo junto com ambos para a mesma faculdade, de Oxford no caso. Na fase adulta há o encontro com o que seria posteriormente seu grande amor, Edith Mary Tolkien, que serviu de inspiração para muitos personagens de suas obras como as elfas Arwen e Lúthien.

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Uma parte de sua vida, que é apresentada de forma rápida, mas que tem muita importância para Tolkien é em relação a sua participação na Primeira Guerra Mundial, em que perdeu dois de seus amigos mais chegados. O filme não faz uma ligação com os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial com o que o autor viria a escrever no futuro, nem que a perda dos amigos seria algo que o emocionou a ponto de criar a Sociedade do Anel com os quatro Hobbits unidos em uma jornada de perigos e amizade. A ideia foi a de que Tolkien, por meio de suas experiências, foi criando internamente suas histórias.

Sua infância com a mãe é mostrada de um jeito também rápido, para contar como Tolkien perdeu sua mãe e logo já corta para a sua adolescência e depois para a fase adulta. Nas duas primeiras fases o foco é a criação de laços e para nos mostrar o potencial do então garoto jovem e quão dedicado a linguagem Tolkien era. Não há muito interesse do diretor em nos mostrar Tolkien lendo livros ou escrevendo seus textos, são raras as cenas assim

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O longa fica muito focado em apenas uma fase de sua vida, algo que o torna bastante genérico por não tratar os temas mais interessantes de sua carreira sem se aprofundar em muita coisa, e também por apenas dar uma pincelada rápida em questões bastante relevantes, como foi o caso de sua participação na Guerra. Dava para contar a vida do autor de forma mais abrangente até chegar na criação dos personagens de seus livros e todo o resto que se espera de uma produção desse. Algo parecido foi feito em muitas outras cinebiografias, como ocorreu em Uma Mente Brilhante, em que é contada a história quebrando o tempo sem precisar se aprofundar em questões menos irrelevantes para a trama e assim contando toda a trajetória do protagonista. Em Tolkien, perde-se muito tempo falando dos amigos e de sua futura esposa e sobra pouco tempo para falar de suas inspirações e de suas criações.

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Nicholas Hoult (X-Men: Fênix Negra) é um ator bastante competente e de grande futuro pela frente, tanto que foi cotado para interpretar o Batman de Matt Reeves. Sua interpretação em Tolkien é contida e em alguns momentos sem emoção, até porque a história não se abria para isso, mas quando se pede esse sentimento ele não convence. Agora nos momentos mais cruciais em que se desenvolvia toda a vida estudiosa do escritor e em seu romance, Nicholas Hoult se sai bem melhor e cativa o público com sua simpatia.

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Mesmo tendo poucos filmes relevantes em sua carreira cinematográfica Dome Karukoski não decepciona, pois consegue desenvolver a narrativa da forma com que o espectador não conhecedor da vida de Tolkien conseguisse assimilar quem ele era e quais as suas ambições profissionais. Há um desenvolvimento bem realizado do roteiro que sempre se comprometeu em apenas mostrar a genialidade do autor e nada mais que isso. Como havia muito assunto a se tratar é até compreensível que o diretor não quisesse ter entrado em um caminho que possivelmente iria deixar o filme superficial em sua mensagem e nos acontecimentos que o cercaram.

Tolkien não é uma produção para aqueles que gostariam de se aprofundar em suas obras, deixa de lado sua inclinação católica e não entra em suas relações com outras personalidades da literatura ou da arte da época, como sua amizade com C. S. Lewis (Crônicas de Nárnia), e muito menos o já mencionado interesse em abordar a vida do autor até um certo momento, sem focar nos seus ensinamentos como professor em Oxford. nem na criação de seus escritos Se o filme fosse um livro ficaria apenas no primeiro volume e faltaria muito para compor a vida de uma personalidade tão importante quanto foi J. R. R. Tolkien.

Tolkien (EUA), 2019

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Direção: Dome Karukoski
Roteiro: David Gleeson, Stephen Beresford
Elenco: Nicholas Hoult, Harry Gilby, Laura Donnelly, Guillermo Bedward
Gênero: Biografia, Drama, Guerra
Duração: 100 min

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Tags: #O Hobbit #O Senhor dos Aneis #Tolkien
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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