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Crítica | Westworld – 01×07: Trompe L’Oeil

nota-4,5

Spoilers!

Trompe-l’oeil é uma técnica artística que, com truques de perspectiva, cria uma ilusão ótica que faz com que formas de duas dimensões aparentem possuir três dimensões. Provém de uma expressão em língua francesa que significa “engana o olho” e é usada principalmente em pintura ou arquitetura.

Com esta definição que deliberadamente tomei emprestado da Wikipedia, fica bem fácil resumir o que diabos foi este sétimo episódio de Westworld. Na verdade, o conceito da ilusão e do “engana o olho” é uma vertente que pode ser seguida religiosamente por toda a série, desde a dúvida sobre a natureza dos Anfitriões até toda a ideia de realidade aumentada que o parque vende a seus convidados. Com Trompe-l’oeil, finalmente tivemos alguns esclarecimentos e revelações bombásticas, ao passo em que a temporada vai se aproximando do fim.

Ausentes no episódio anterior, voltamos para o núcleo de Dolores (Evan Rachel Wood) e William (Jimmi Simpson), que cruzam um território hostil a bordo de um trem em companhia de Lawrence (Cliffton Collins Jr). Não foi um arco exatamente revelador ou com muitos acontecimentos, mas certamente desenvolveu bem o personagem de William, que finalmente abraçou por completo a experiência de Westworld e parece ser um novo homem, culminando no esperado momento em que finalmente se entrega à tentação e dorme com Dolores. Foram ótimas cenas para Simpson e Wood, que parecem muito à vontade em seus papéis, mas o grande destaque do núcleo ficou mesmo com a elaborada cena de ação que começa quando o trem é parado por um grupo de Confederados e se desenrola para uma perseguição a cavalos que atrai membros de uma tribo indígena selvagem; rendendo um tiroteio empolgante que é bem orquestrado pela direção de Frederick E.O. Toye.

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O arco do casal terminou quando Dolores avistou um desfiladeiro peculiar onde um rio o cruza; uma paisagem que ela havia pintado anteriormente enquanto no trem. É quando os dois enfim separam-se de Lawrence, que os alerta sobre o perigo do local e como ninguém nunca havia descoberto todos os seus segredos. Seria aquele, finalmente, o tão procurado Labirinto? Ou ao menos um caminho para ele? Uma pena que o Homem de Preto (Ed Harris) não tenha aparecido para termos alguma luz na situação.

Então voltamos ao aguardado arco de Maeve (Thandie Newton) e sua cada vez mais forte intenção de libertar-se das garras dos humanos. Desnecessário dizer que Newton continua mostrando-se absurdamente incrível na pele da Anfitriã, e aqui podemos ver como seu discurso vai ficando cada vez mais confiante e ameaçador, bem ilustrado no fabuloso diálogo onde afirma que “já morri milhares de vezes, e eu sou boa nisso”. Apenas o primeiro de muitos exemplares que o texto de Jonathan Nolan e Charles Yu, que deixam o arco de Maeve mais complexo quando ela testemunha sua amiga Clementine (Angela Sarafyan) sofrendo uma lobotomia no laboratório. O mais interessante é que Maeve não deve saber o que está acontecendo, mas a expressão de Newton é eficiente ao passar a ideia de raiva e tristeza da personagem, que finaliza seu núcleo com a ordem de querer escapar de Westworld e seus laboratórios.

A lobotomia nos leva a outro arco importante do episódio, que nos traz de volta à recém-introduzida Charlotte Hale de Tessa Thompson. Pra começar que a atriz tem pouco tempo na série, mas já mostra-se uma das personagens mais imprevisíveis ao começar o episódio transando com um amordaçado Hector Escaton (isso aí, tivemos Rodrigo Santoro no episódio de hoje) e iniciando uma reunião com Theresa (Sidse Babett Knudsen) ali mesmo, enquanto o Anfitrião as observa. Charlotte nos dá algumas pistas sobre o real interesse da Delos no parque, e confia a Theresa a tarefa de elaborar uma apresentação que comprove o quão perigosos são os Anfitriões de Ford (Anthony Hopkins), o que resulta na brutal cena em que Clementine tem sua programação testada com outro Anfitrião, e forçar sua aposentadoria de forma “amigável”, ao mesmo tempo em que coleta propriedade intelectual do parque. 

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Mas os queixos coletivamente caíram com o núcleo de Bernard (Jeffrey Wright), que foi revelado no clímax do episódio como mais um dos Anfitriões de Ford. Exatamente, mesmo com flashbacks e memórias da morte de seu filho e conversas com a esposa, Bernard é um robô que obedece lealmente tudo o que o idealizador do parque faz, inclusive cometer assassinatos: Ford ordena a Bernard que mate Theresa quando esta encontra seu laboratório oculto. Não só a reviravolta ou a brutalidade do ato foram impecáveis, mas sim o sinistro discurso que Ford entrega à Theresa antes de dar a ordem final, mergulhando ainda mais fundo no lado monstruoso de Ford que já havíamos visto durante aquele antológico jantar.

As coisas serão muito diferentes em Westworld a partir de agora. Com Theresa morta e as intenções de Ford e Bernard agora mais claras, será interessante ver como o patriarca lidará com a presença cada vez mais forte de Charlotte, assim como a ascensão intensa de Maeve a um nível de poder que nem posso imaginar como deve acabar. Mas mal posso esperar para descobrir.

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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