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Catálogo

Crítica | xXx: Reativado

Ninguém pediu, mas Xander Cage retornou!

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
19 de janeiro de 2017 · 7 min de leitura
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Crítica | xXx: Reativado

Com o amadurecimento, vem uma noção melhor de abordar certas situações. Bom, geralmente é o ideal que isso ocorra. Por exemplo, se eu tivesse visto xXx: Reativado com meus quinze anos, teria detestado e achado tudo que vi um absurdo. É notório que alguns filmes não se levam a sério. Então, por que raios eu teria de levá-los também?

O retorno de Vin Diesel para a franquia que ninguém clamava por um terceiro filme é um desses casos: um filme tão ruim que até fica bom se não exigirmos absolutamente nada. Filmão Tela Quente bem boboca para tirar as mágoas ocasionadas por uma segunda-feira entediante e cheia de trabalho.

Após o agente Gibbons morrer ao ser atingido por um satélite enquanto recrutava Neymar Jr. para ingressar na iniciativa Triplo X, a CIA convoca uma reunião emergencial para definir o que fazer com um dispositivo chamado Caixa de Pandora que é capaz de trazer todos os satélites que orbitam a Terra de volta ao planeta transformando os equipamentos espaciais em armas de destruição em massa.

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Nessa mesma reunião, um grupo de mercenários liderados por Xiang (Donnie Yen, sempre muito dedicado) rouba o dispositivo das mãos da diretora-geral da CIA, Jane Marke. Temendo pelo, Marke corre atrás do único homem capaz de resolver o serviço rapidamente: Xander Cage, o desaparecido e melhor agente da história do Triplo X.

Roger Moore regado a viagra

Pois é, o subtítulo deixará claro como é o roteiro bastante absurdo de F. Scott Frazier. O roteirista basicamente traz um remedo de histórias melhores de espionagens, muito embora o predomínio da comédia seja escrachada tentando mimetizar o espírito das aventuras de 007 enquanto protagonizado por Roger Moore.

Quem assistiu aos filmes da fase Moore lembram bem do cômico e do apetite sexual voraz de James Bond. Aqui, a sutileza britânica é deixada completamente de lado, afinal xXx é ação, testosterona, suor, adrenalina e tiroteios intensos. Como Cage e nenhum personagem tem alguma personalidade além da competência carismática dos atores, chamarei seu personagem de Vin Diesel, afinal, o filme parece ter sido criado para o ator se divertir à beça.

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Frazier então faz com que a longa reapresentação do personagem seja calcada em ações. Os únicos diálogos possíveis comentam sobre como Vin Diesel é sarado e excepcional – depois disso, ele dorme com muitas mulheres antes de partir para a ação. Aliás, Diesel aqui é tratado como uma divindade, pois todo o elenco feminino não consegue resistir a seu toque. É tosco, com certeza, mas há quem se divirta, já que nem as cenas levam essas coisas à sério.

Depois de abusar de conveniências para encontrar o paradeiro dos vilões, novamente temos mais introduções de personagens caricatos que ajudarão Diesel terminar sua missão. Mas como disse, este triplo X é basicamente uma paródia de filmes de ação mais sérios e melhores como Skyfall e M.I.: Nação Secreta. Muitas das características das reviravoltas são retiradas justamente desses dois filmes tão recentes. Então é óbvio que você já cansou de ver essa mesma história antes. Até mesmo temos personagens semelhantes mimetizando M e Q.

Aliás, essa versão de Q disfarçada de Becky Clearidge (Nina Dobrev mostrando muito entusiasmo com as cenas de ação mais chatas), é o grande alívio cômico do filme. A agente é tem diversos toques característicos do inspetor Clouseau, de A Pantera Cor de Rosa, se livrando de capangas dos modos mais ridículos possíveis. Os outros personagens são pálidos demais para marcar qualquer presença, mas nenhum deles supera o DJ “pegador” tosqueira que acompanha o grupo.

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Ao menos, as influências externas são boas e mantém o ritmo do filme, mesmo que ele seja estupidamente previsível e bocó. O lado antagonista também brilha pouco com desenvolvimento nulo. Não há motivação alguma para atentar contra à humanidade, além de motiva Vin Diesel a sair da aposentadoria.

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Realmente não muito o que falar aqui. O roteiro deve ter menos de sessenta páginas, pois temos um fiapo de história regada a muitas frases de efeito ruins, muita exposição para que entendamos a história – acredite, é algo simples que se torna confuso pela completa inaptidão do texto – e péssimos diálogos que dão a impressão de ter sido escritos por um moleque ainda na pré-adolescência, além de toda a narrativa ser movida por um mcguffin de péssima qualidade.

zZz

Mas então o que salva em xXx: Reativado? Felizmente, D.J. Caruso consegue tornar a aventura divertida, pois como disse, o filme tem ritmo, embora se alongue demais para acabar enfiando diversas referências aos longas anteriores. A direção é sim melhor que o texto porco do filme, mas não por uma longa margem.

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Caruso apenas consegue trazer uma decupagem bem diversificada aliada a um visual saturado com direito a diversos cenários exóticos. Como esperado, o filme está se lixando para as leis da física então não espere nada que tenha algum nexo realista. É um filme de espionagem escrachado a la seriados dos anos 1960 e da tentativa de revitalizar esse tipo de gênero exploitation nos anos 2000. Para ter uma ideia do quão absurdas são as cenas de ação, a do clímax consegue superar todas as loucuras apresentadas até então.

Nela, vemos Vin Diesel (canastrão como sempre) e Donnie Yen lutando contra alguns agentes dentro de avião de carga em plena queda livre. Detalhe: essa luta ocorre totalmente em gravidade zero. Não faz sentido algum, mas é tão idiota que diverte. E como filme de ação, xXx cumpre muito bem o que promete.

As peças podem não ser grandiosas, mas são mais inventivas do que a maioria dos outros filmes do gênero. Duas perseguições se destacam: uma com uma moto ski nas praias de uma ilha não mapeada e outra em uma grande rodovia. Tirando isso, há alguns flertes com 007 em um tiroteio contra uma milícia russa. Já o tiroteio final que acompanha os comparsas de Diesel é bastante sem graça.

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Caruso também peca pelo excesso de tantos planos condensados na montagem frenética. O estímulo visual e tão intenso que o pisca-pisca da tela é similar ao efeito de termos o cérebro derretido aos poucos – algo conveniente para gostar desse filmão aqui. A ação, embora seja interessante, muitas vezes é prejudicada por conta de tantos cortes rápidos nas lutas. A cada soco ou empurrão dado, há um corte. Isso quando algum chinês acrobata realiza peripécias mutiladas pela edição, tirando a graça da coreografia.

O diretor mantém a encenação simples, afinal é um filme simples. Porém é de se valorizar o cuidado do desenho de produção com cenários que, mesmo prejudicados, conseguem transmitir a euforia dessa diegese com competência. A intensa sexualização que Caruso utiliza na câmera ao enquadrar as muitas mulheres voluptuosas é capaz de incomodar algumas pessoas. É linguagem publicitária de altas luzes com direito a muito slow motion para provocar desejo e sedução no espectador seja com poses “poderosas” nos tiroteios – sempre nas mulheres com os instrumentos fálicos nas mãos (facas, pistolas, rifles de precisão), no rebolado das garotas ou com os músculos protuberantes do herói.

Na verdade, é justamente o começo do longa que marca os piores momentos do filme. A conversa de Neymar com Samuel L. Jackson continua bizarra já que os dois não gravaram no mesmo local. A narrativa também não colabora em fazer sentido ali. Com tantos clichês e besteiras, o melhor mesmo é deixar a história desse longa bem afastada e não ficar pensando sobre ela.

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Basicamente, xXx: Reativado é uma jornada alucinante e descerebrada regada à testosterona e adrenalina. É estúpido, mas divertido. É clichê, mas entretém bastante. Cabe apenas ao espectador já estar preparado para consumir algo que já conhece. Se é fã da franquia ou dos filmes com Vin Diesel desse tipo, é praticamente certo que vai encontrar lazer ao assistir um filme tão, mas tão bizarro que consegue transformar sua breguice na melhor qualidade.

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xXx: Reativado (xXx: The Return of Xander Cage, 2017 – EUA)
Direção:
 D.J. Caruso

Roteiro: F. Scott Frazier
Elenco: Vin Diesel, Donnie Yen, Deepika Padukone, Kris Wu, Ruby Rose,  Tony Jaa, Nina Dobrev, Rory McCann, Toni Collette, Samuel L. Jackson, Neymar
Gênero: Ação
Duração: 107 min.

Tags: #D.J. Caruso #Donnie Yen #Kris Wu #Neymar #Nina Dobrev #Toni Collete #Toni Collette #Vin Diesel #XXX - Reativado
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Matheus Fragata
Escrito por

Matheus Fragata

Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema. Apaixonado por histórias que transformam. Contato: matheus@nosbastidores.com.br

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