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Diretor de Final Fantasy 7 Revelation diz que RPGs precisam competir com streamers

Hamaguchi diz que jogos lineares correm risco quando tudo pode ser visto de graça em stream, sem motivo para jogar.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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O problema que ninguém em jogos de história quer admitir

Naoki Hamaguchi, diretor da trilogia Final Fantasy 7 Remake, colocou em palavras algo que a indústria de RPGs narrativos vem evitando discutir abertamente. Em entrevista ao site japonês 4Gamer, ele disse que jogos com caminho predeterminado e pouca margem de escolha correm o risco real de se tornarem descartáveis: se a experiência é idêntica para todo mundo, por que pagar para jogar quando dá para assistir alguém jogando de graça?

A declaração não é uma crítica ao streaming em si. Hamaguchi foi claro ao dizer que não tem problema com a prática. O problema, segundo ele, é estrutural: quando toda a narrativa pode ser consumida passivamente sem perda de informação, o jogo perde parte da razão de existir como produto. “Isso é uma espécie de crise para a própria obra”, disse, acrescentando que não é algo que os criadores possam celebrar de coração.

A resposta está no design, não na narrativa

A saída que Hamaguchi propõe não é fazer histórias mais curtas ou menos cinematográficas. É dar ao jogador motivos concretos para jogar em vez de assistir. Se alguém vê uma cena e pensa “o que eu faria nessa situação” ou “como eu testaria isso de outro jeito”, esse impulso de curiosidade é o que separa quem assiste de quem joga.

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Ele também deixou um recado para a própria indústria: desenvolvedores não podem se apegar a fórmulas antigas e insistir que “esse é o jeito certo” enquanto o consumo de entretenimento muda ao redor deles. É uma autocrítica pouco comum vinda de alguém no comando de uma das franquias mais tradicionais dos games japoneses.

O que isso significa para Revelation

Final Fantasy 7 Revelation terá apenas um final, ao contrário do que se especulou em alguns momentos do desenvolvimento. Mas Hamaguchi confirmou que o jogo terá conteúdo ramificado suficiente para exigir múltiplas partidas de quem quiser ver tudo o que ele oferece. Em entrevista anterior à VGC, ele disse estar curioso para ver a reação dos fãs ao desfecho, que segundo ele estava planejado desde o início do desenvolvimento da trilogia.

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O jogo chega na primavera de 2027 simultaneamente para PS5, Xbox Series X|S, Switch 2 e PC, encerrando o ciclo de remakes iniciado em 2020. Com o mapa já confirmado como o maior da trilogia e mecânicas de exploração aérea inéditas, Revelation parece estar apostando justamente na carta que Hamaguchi descreveu: dar ao jogador espaço suficiente para que a experiência pessoal valha mais do que ver outra pessoa jogando.

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