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Don’t Nod pode demitir até 90 funcionários e alerta para risco de fechar em 2027

Don't Nod, criadora de Life is Strange, pode demitir até 90 funcionários e alerta que pode não sobreviver além de janeiro de 2027.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

A Don’t Nod Entertainment, estúdio francês por trás da franquia Life is Strange, anunciou que pode demitir até 90 funcionários como parte de um novo plano de negócios, ao mesmo tempo em que admite risco real de fechamento nos próximos meses. A informação consta de um balanço financeiro divulgado pela empresa sobre o desempenho do primeiro semestre de 2026.

Segundo o comunicado, o conselho de administração da Don’t Nod aprovou um novo modelo de negócios como tentativa de tornar o estúdio sustentável financeiramente, mas a mudança pode custar até 90 postos de trabalho na França.

Reorganização busca concentrar produção numa única linha

“Apesar das medidas já adotadas como parte do plano de desempenho e das ações de corte de custos implementadas, esses esforços por si só não são suficientes para restaurar a competitividade da Don’t Nod de forma sustentável”, diz o comunicado da empresa. Segundo o texto, mudanças profundas nas condições econômicas da indústria de games e no financiamento do setor, somadas à deterioração dos indicadores financeiros da própria companhia, afetam de forma significativa sua competitividade atual.

A resposta encontrada pela empresa é reorganizar as operações francesas em torno de uma única linha de produção, reunindo a expertise necessária para lançar novos projetos antes mesmo da conclusão das produções em andamento. Segundo a Don’t Nod, a iniciativa busca manter um fluxo contínuo de projetos e sustentar o crescimento da companhia a longo prazo, com alocação mais eficiente de recursos e responsabilidades mais claras dentro da equipe.

Caixa da empresa encolheu significativamente ao longo do ano

O cenário financeiro reforça a gravidade da situação: o caixa consolidado da Don’t Nod era de € 9,8 milhões ao fim de junho de 2026 e caiu para € 8 milhões ao fim de julho, ante € 15,4 milhões registrados no fechamento de 2025. Segundo a própria empresa, a continuidade das operações depende diretamente de conseguir financiamento externo para cobrir despesas operacionais e o desenvolvimento de projetos em curso. “Isso representa incerteza material quanto à capacidade da empresa de continuar operando após 31 de janeiro de 2027”, afirma o comunicado.

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Tencent, sócia minoritária, descartou novo aporte de curto prazo

Em 2020, a Don’t Nod vendeu uma participação minoritária da companhia à gigante chinesa Tencent, que passou a ocupar um assento no conselho de administração do estúdio. Segundo auditores que já haviam alertado em junho sobre o risco de a empresa ficar sem caixa ainda em 2026, a Tencent informou não ter intenção de injetar mais recursos no negócio no curto prazo, tampouco financiar os jogos atualmente em desenvolvimento pelo estúdio.

Lançamento recente não ajudou a aliviar a pressão financeira

O jogo Aphelion, aventura de ficção científica lançada pela Don’t Nod em abril, recebeu recepção crítica mista e não parece ter vendido o suficiente para amenizar a situação da empresa. O estúdio também é responsável por Lost Records e por criar a franquia Life is Strange, hoje conduzida por outras desenvolvedoras.

CEO reconhece dificuldade das medidas anunciadas

Em comunicado, o CEO e presidente do conselho da Don’t Nod, Oskar Guilbert, reconheceu o peso das mudanças anunciadas. “Este primeiro semestre do ano confirma os grandes desafios enfrentados pela nossa indústria. Num mercado em que o financiamento está mais seletivo e as receitas mais incertas, precisamos adaptar nosso modelo de negócio com clareza e responsabilidade”, declarou. “As medidas em consideração hoje são difíceis, entendemos plenamente o que elas podem significar para os funcionários afetados e estamos garantindo que as medidas de apoio necessárias sejam implementadas. Este plano é, no entanto, essencial para garantir a continuidade das operações da empresa.”

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