Ex-designer diz que Starfield não fez sucesso suficiente para ganhar sequência
Designer que passou mais de 20 anos na Bethesda diz que Starfield 2 poderia chegar perto da visão original de Todd Howard.
Quem sonha com Starfield 2 recebeu um balde de água fria de alguém que ajudou a construir o primeiro jogo. Kurt Kuhlmann, designer-chefe de sistemas do RPG espacial da Bethesda, disse ao site FRVR que ficaria muito surpreso se a sequência saísse do papel. Para ele, o jogo passou longe do sucesso necessário para justificar um segundo capítulo.
A avaliação pesa pelo currículo de quem fala. Kuhlmann trabalhou por mais de 20 anos na Bethesda Game Studios e foi um dos principais designers de The Elder Scrolls V: Skyrim. Ele deixou o estúdio pouco depois do lançamento de Starfield, em setembro de 2023. A opinião é pessoal e não representa uma decisão oficial da empresa.
Uma sequência que poderia acertar o alvo
O curioso é que Kuhlmann lamenta o próprio prognóstico. Na visão do designer, as lições aprendidas no primeiro jogo permitiriam que uma continuação chegasse muito mais perto do que Todd Howard imaginou. O diretor da Bethesda passou décadas idealizando um RPG espacial desse porte.
Segundo Kuhlmann, o jogo que Howard tinha em mente dá para visualizar, mas não é exatamente o que Starfield entregou. O problema, na leitura dele, é que as peças não conversam entre si. Planetas para explorar, pousos livres, uma história própria, companheiros marcantes e naves modulares acabaram funcionando como sistemas separados.
Os postos avançados como exemplo
O designer usou a construção de postos avançados como o caso mais claro dessa falta de coesão. O jogador pode montar uma base em qualquer planeta, mas a mecânica quase não se conecta às missões nem à trama principal. Isolado, o sistema funciona bem. Dentro do jogo, soa deslocado.
Kuhlmann comparou a situação com Fallout 4, em que os assentamentos entravam na campanha pelas mãos do personagem Preston Garvey. Em Starfield, integrar as bases à história gerou problemas, e a ideia foi deixada de lado. Ele questiona por que a mecânica permaneceu no jogo, já que exigiu um volume enorme de trabalho. A decisão, frisou, veio de instâncias acima dele.
Faltou gente para tanta ambição
Em outra parte da conversa, Kuhlmann afirmou que nem a equipe gigante do projeto deu conta da escala planejada. Starfield foi o primeiro jogo da Bethesda feito em parceria entre vários estúdios e reuniu mais de 500 pessoas. Em Fallout 4, cerca de 150 desenvolvedores cuidaram da maior parte do trabalho.
O obstáculo principal, segundo ele, foi o volume de novidades. Entre Oblivion e Fallout 3, muita coisa pôde ser reaproveitada. Já em Starfield, quase tudo foi criado do zero. Muitos designers precisavam esperar que um sistema novo ficasse pronto para começar a produzir conteúdo, e cada atraso encurtava o tempo disponível para trabalhar em cima dele.
Starfield segue vivo, mas a prioridade é outra
Mesmo sem perspectiva de sequência, a Bethesda continua investindo no jogo. Em abril de 2026, Starfield chegou ao PlayStation 5 junto com a expansão Terran Armada e a atualização gratuita Free Lanes, a maior desde o lançamento. O pacote trouxe viagens em tempo real entre planetas de um mesmo sistema e reduziu o preço da edição base no Brasil para R$ 249,90.
O foco principal do estúdio, porém, está em The Elder Scrolls VI, ainda sem data de lançamento. A franquia de fantasia é a aposta mais aguardada da Bethesda desde Skyrim, de 2011.
Nem todo ex-funcionário concorda
A opinião de Kuhlmann não é unanimidade entre veteranos da empresa. Bruce Nesmith, outro ex-designer da Bethesda, já se mostrou animado com a possibilidade de um Starfield 2 e chegou a descrever como uma versão melhorada poderia ser.
Os números também permitem outra leitura. Starfield reuniu mais de 15 milhões de jogadores desde o lançamento, recebeu notas na casa dos 80 no Metacritic e chegou a um milhão de pessoas jogando ao mesmo tempo na estreia. Para boa parte dos fãs, no entanto, o RPG ficou abaixo do nível de Skyrim e Fallout 4, e é essa comparação que pesa na hora de aprovar uma sequência.