Fifa libera espanhol em todas as coletivas da Copa do Mundo após polêmica com Vini Jr.
Hakimi, que cresceu em Madri, também foi barrado de responder no idioma. A mudança vale desde o último domingo.
A regra que constrangeu dois jogadores no mesmo dia
A Fifa mudou suas diretrizes para coletivas de imprensa da Copa do Mundo de 2026 depois que dois jogadores foram impedidos de usar o espanhol na mesma entrevista pós-jogo. A nova orientação, que passou a valer no domingo, garante que o idioma terá tratamento equivalente ao inglês em todas as coletivas do torneio, com tradutores disponíveis independentemente do país-sede da partida ou das seleções envolvidas.
O episódio que acelerou a mudança aconteceu após o jogo entre Brasil e Marrocos, em Nova Jersey. Vinícius Júnior foi abordado por um repórter que fez uma pergunta em espanhol. O atacante pediu que o idioma fosse mantido, dizendo que seria mais confortável para ele. Um mediador informou que não havia tradução disponível para o espanhol naquele momento, e Vini Jr. acabou respondendo em português.
Na mesma coletiva, Achraf Hakimi também foi impedido de usar o espanhol, apesar de ter nascido e crescido em Madri. A delegação marroquina havia solicitado apenas árabe e francês, o que deixou o jogador sem a opção de se expressar no idioma em que se sente mais à vontade.
Como a regra funcionava antes
A Fifa explicou que a restrição anterior era de natureza operacional. Cada delegação informava antes das partidas quais idiomas gostaria de ter disponíveis para tradução nas coletivas. Para a partida entre Brasil e Marrocos, os brasileiros pediram português e italiano, por conta do técnico Carlo Ancelotti. Os marroquinos solicitaram árabe e francês. Como o jogo aconteceu nos Estados Unidos, o inglês também estava disponível automaticamente. O espanhol, por não ter sido solicitado por nenhuma das duas delegações, ficou fora.
A lógica fazia sentido administrativamente, mas ignorava a realidade do futebol moderno: jogadores que cresceram em países hispanófonos, como Hakimi, ou que vivem há anos em clubes espanhóis, como Vini Jr., naturalmente preferem o espanhol fora do contexto de suas seleções nacionais. Com a nova regra, a entidade reconhece que o idioma tem presença suficiente no futebol mundial para merecer disponibilidade permanente.