J.K. Rowling se pronuncia sobre polêmica envolvendo ator de Snape no reboot de Harry Potter da HBO
J.K. Rowling afirma que não demitirá ator do reboot de Harry Potter, mesmo após carta em apoio a trans. Série estreia em 2026 na HBO.
Autora afirma que não tem poder de demitir elenco e defende direito à divergência de opinião
A escritora J.K. Rowling, criadora do universo Harry Potter, voltou a ser o centro de uma nova controvérsia após Paapa Essiedu, escalado para viver o professor Snape no reboot da franquia pela HBO, assinar uma carta pública em defesa da comunidade trans no Reino Unido. A situação levantou especulações sobre possíveis desentendimentos entre a autora e o elenco da série.
Na carta, também assinada por Eddie Redmayne (Animais Fantásticos) e Katie Leung (a Cho Chang dos filmes originais), mais de 400 artistas pedem à indústria do entretenimento britânica um posicionamento firme contra a decisão da Suprema Corte do Reino Unido que restringe o reconhecimento legal de mulheres trans.
Embora Rowling não tenha citado nomes diretamente, ela publicou no X (antigo Twitter) críticas veladas aos signatários: “Alguns argumentam que os signatários desse tipo de carta são motivados pelo medo… colegas traidores, sempre prontos para denunciar pensamentos errados”, escreveu.
Na manhã desta segunda-feira (5), no entanto, a autora foi mais direta. Ao compartilhar um artigo que alegava que ela não pretende demitir Essiedu, Rowling declarou:
“Não tenho o poder de demitir um ator da série e não o exerceria se tivesse. Não acredito em tirar o emprego ou o sustento das pessoas porque elas têm crenças legalmente protegidas que diferem das minhas.”
A declaração foi interpretada como uma tentativa de encerrar os boatos sobre uma possível retaliação ao ator por sua posição pública. O reboot da HBO, que terá uma temporada para cada um dos sete livros originais, está atualmente em fase de escalação do elenco infantil e tem previsão de início das gravações para meados de 2025.
Outros nomes envolvidos na produção também se manifestaram. John Lithgow, escalado como Dumbledore, minimizou as polêmicas e afirmou que não se sentiu desencorajado pelas críticas em torno da autora. “Oh, céus, não”, respondeu ao ser questionado sobre a repercussão negativa.
Já Casey Bloys, diretor da HBO, reforçou que a parceria com Rowling não é novidade e não vê razões para romper com a autora. “Ela tem direito às suas opiniões pessoais e políticas”, disse em entrevista ao podcast The Town. Ele também citou o sucesso do jogo Hogwarts Legacy, que enfrentou campanhas de boicote, mas tornou-se o título mais vendido de 2023.
A estreia da nova série de Harry Potter está prevista para 2026, com lançamento exclusivo na plataforma de streaming da HBO.