Jay Leno critica talk shows atuais por politização e mirar em ‘metade da plateia’

O ex-apresentador Jay Leno criticou os talk shows atuais por politizarem o humor, afirmando que eles agora miram em apenas "metade da plateia".

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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O lendário apresentador Jay Leno, de 75 anos, fez uma crítica contundente à atual geração de talk shows noturnos, afirmando que os apresentadores de hoje abandonaram a comédia equilibrada para se tornarem palestrantes políticos que atendem a apenas “metade da plateia”. As declarações, feitas em uma entrevista que ressurgiu na internet, ganharam enorme repercussão por dialogarem diretamente com o recente e polêmico cancelamento do programa de Stephen Colbert.

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Em uma conversa com a Fundação Presidencial Ronald Reagan, gravada há algumas semanas, mas divulgada recentemente, Leno relembrou sua filosofia de trabalho durante os 17 anos em que comandou o The Tonight Show, que na época era o líder de audiência.

“Por que mirar em apenas metade da plateia?”

Leno contou que, em sua época, o sinal de que uma piada política era boa era quando ele recebia cartas de ódio de ambos os lados. “Recebi cartas de ódio dizendo: ‘Você e seus amigos republicanos’, e outra dizendo: ‘Espero que você e seus amigos democratas estejam felizes’ — por causa da mesma piada”, relembrou. “É assim que se conquista uma plateia inteira. Agora você tem que se contentar com metade da plateia, porque precisa dar sua opinião.”

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Para o comediante, os programas noturnos deixaram de ser um escape para se tornarem uma extensão do debate político. “Acho que ninguém quer ouvir uma palestra. […] Por que mirar apenas para metade da plateia? Por que não tentar atingir o público todo?”, questionou.

O timing e a polêmica de Stephen Colbert

As falas de Leno viralizaram justamente por servirem como uma análise precisa do que os críticos apontam como o motivo do fim do The Late Show With Stephen Colbert. O programa, cancelado pela CBS em 17 de julho, foi recentemente alvo de um estudo do grupo NewsBusters, que revelou que, desde 2022, o talk show recebeu 176 convidados de esquerda contra apenas uma conservadora.

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A emissora alegou razões “puramente financeiras” para o cancelamento, mas a decisão foi amplamente vista como uma capitulação à pressão política do presidente Donald Trump, de quem Colbert era um crítico feroz.

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O contraponto de Jon Stewart

A filosofia de “agradar a todos” de Jay Leno, no entanto, não é unânime entre os gigantes da comédia. Em defesa de Colbert, o apresentador Jon Stewart criticou a CBS, argumentando que a relevância desses programas vem justamente de “se posicionar”.

“Se vocês acreditam — como corporações ou redes — que podem se tornar tão inofensivos a ponto de servir um mingau tão sem sabor que nunca mais estarão no radar do reizinho… Por que alguém assistiria a vocês?”, disparou Stewart, defendendo um humor com ponto de vista.

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O debate entre as visões de Leno e Stewart, dois dos maiores nomes da história do formato, ilustra a encruzilhada em que se encontra a TV noturna norte-americana. Com o fim da era Colbert, a indústria agora se pergunta qual modelo prevalecerá: o da comédia como um grande ponto de encontro ou como uma trincheira na guerra cultural.

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