A maioria dos grandes artistas com certeza vão concordar com o dizer de que o sofrimento é necessário para criar uma arte significativa, mas duvido que alguém tenha feito uma Monalisa depois de ter fraturado todos os ossos do corpo ou quase morrer afogado, entre outras situações peculiares. Mas no meio disso, fazer esses sacrifícios funcionarem para o benefício da arte que estão fazendo, mesmo que um ou dois morram no caminho, mas todo o sangue jorrado e lágrimas de sofrimento para alcançar o resultado perfeito. O tipo de sofrimento reservado exclusivamente àqueles cuja arte é o fazer filmes. E essa lista vai dedicada especialmente para esses filmes que se configuram entre os mais perigosos já realizados. Que afetaram a saúde e as próprias vidas, do elenco e da equipe através dos perigos do processo criativo. Agora só fica difícil saber qual foi o mais perigoso dentre todos os selecionados aqui.

Super Size Me – A Dieta do Palhaço (2004)

Quem disse que comer Fast-Food não é capaz de trazer perigo nenhum à vida com certeza não passou pelo perigosíssimo processo que o diretor documentarista Morgan Spurlock, onde durante a realização de Super Size Me o sujeito baseou todas as suas refeições diárias ao longo de um mês em comer apenas lanches dos Mcdonalds, engordando 10 kg, aumentando seus níveis de colesterol, alterações de humor, altas palpitações cardíacas, disfunções sexuais, e acumulando gordura no seu fígado que o custou catorze meses para perder todos os quilos que ganhou. Ainda tão a fim de um McLanche feliz aí?

A Paixão de Cristo (2004)

Parece que Mel Gibson não só queria que o seu filme sobre os últimos dias da vida de Cristo e todo o seu martírio físico e violento fosse brutal apenas nas telas mas por detrás das câmeras também. Fazendo além do seu elenco filmar tudo na Itália em pleno inverno com graus negativos, mas também fez o seu ator protagonista Jim Caviezel passar por verdadeiras provas físicas, indiretamente já que duvido que Mel Gibson teria ordenado que um raio atingisse Caviezel enquanto filmavam o sermão na montanha ou que ele recebesse mesmo duas chibatada (sem querer) durante uma das cenas de tortura pelos Romanos e que o deixaram com uma cicatriz de catorze pontos nas costas. Alguns pequenos martírios para retratar o mais martirizado da história.

Resident Evil 6: O Capítulo Final (2016)

Nada impede que um diretor sofrível como Paul W.S. Anderson puxe o máximo de seu elenco e equipe para arrancar o material que ele deseja do seu filme, nem que venha por alguns sacrifícios. Como aqui durante as filmagens do sexto filme da franquia Resident Evil, a dublê Olivia Jackson sofreu ferimentos horríveis quando uma câmera não conseguiu abrir caminho para ela durante uma manobra de motocicleta, que a deixou com o rosto desfigurado, ombro quebrado, sangramento cerebral e pulmonar, e clavícula, costelas e vértebras completamente quebradas. Sem falar do seu braço esquerdo que ficou paralisado e, eventualmente, teve que ser amputado depois de meses em um coma induzido. Mas não parou por aí, onde apenas alguns meses depois o tripulante Ricardo Cornelius foi esmagado até a morte quando um Humvee escorregou de uma plataforma giratória e o prendeu contra uma parede. Um set mais perigoso do que qualquer apocalipse zumbi.

Tróia (2004)

A má sorte tentou mesmo afetar o moderado sucesso de Tróia de Wolfang Petersen, pois o número de eventos bizarros durante sua produção chegam a assustar. Começando pelo fato de que surante uma cena de multidão o dublê George Camilleri pulou em uma multidão e sofreu uma grave lesão grave na parte inferior da perna. Algumas semanas após a cirurgia, ele foi readmitido no hospital e, dois dias depois, morreu de tromboembolismo pulmonar – comum após uma lesão desse tipo. Sem falar do astro Brad Pitt, conseguiu ferir o tendão (coincidentemente igual ao de seu personagem Aquiles durante a filmagem) fazendo com que a produção fosse fechada por dez semanas. Sem falar do furacão Marty que danificou alguns aparelhos das filmagens e um grupo de seis funcionários da produção foram presos por roubar ferramentas e uma motocicleta dos produtores. A Ilíada de Homero deve atrair muita tragédia consigo.

Mad Max 2: A Caçada Continua (1981)

Fazer perfeitas manobras e derrapadas de carro violentas vem com um preço humano, esse preço foi alguns ossos quebrados nessa obra-prima de George Miller. Onde para criar a perfeita violência e brutalidade da guerra entre carros na estrada pós apocalíptica veio à custo de um dublê quebrando a vértebra e a canela depois que jogou um veículo no meio de uma pilha de carros à 80 km por hora; outro que quebrou a fêmur depois que tentou deslizar a moto em uma duna; e na que é a maior cena do filme em seu clímax quando o camião com um tanque de água que Max dirige, o dublê teve que ficar em jejum de 12 horas para o caso de ser levado para o hospital de emergência. Mas tudo acabou muito bem e com alguns membros engessados.

Twilight Zone: No Limite da Realidade (1983)

Um filme baseado na brilhante série de eventos paranormais com certeza estaria destinado a ter um evento paranormal em sua produção. Não só paranormal mas letal com uma das mais infames mortes em um set de filmagens, onde o ator Vic Morrow e dois atores juvenis de 6 e 7 anos foram mortos em um acidente envolvendo um helicóptero que caiu bem em cima deles, esmagando uma das crianças e decapitando a outra junto com Morrow. Resultado explosões de efeitos especiais programadas incorretamente combinadas com o helicóptero voando muito baixo. Escuso dizer que os próprios quatro diretores, Joe Dante, John Landis, George Miller e Steven Spielberg passaram por um processo criminal, incluindo o supervisor de efeitos especiais e o piloto do helicóptero, sendo acusados mas logo absolvidos de homicídio involuntário. Atividade Paranormal nada se compara à isso!

Waterworld: O Segredo das Águas (1995)

Como era de se esperar de um filme cuja trama se passa em um mundo coberto pelo oceano, as filmagens marítimas do épico desastre estrelando Kevin Costner eram mais do que perigosas e deixando um set de filmagens muito letal para os vários membros do e equipes. Com alguns dos infortúnios diários sendo o decorrente enjoo marítimo que o elenco passava durante as filmagens, a atriz Tina Majorino sendo picada por águas-vivas, e o dublê de Kevin Costner sofrendo de embolia com todas as manobras dentro da água, um cenário caríssimo inteiro afundou, entre outros perigos envolvendo Costner quase se afogar e pessoas desaparecidas no meio do mar. Pelo menos Waterworld serviu para ensinar nunca desafiarem o mar com filmagens dessa magnitude.

Fitzcarraldo (1982)

Conhecendo a fama de Herzog como diretor até hoje de levar seu elenco e equipe aos limites mais perigosos das locações de filmagem que ele opta explorar e buscar o maior nível de autenticidade, então não é surpresa nenhuma de que ele faria a experiência de fazer sua obra-prima Fitzcarraldo em um verdadeiro caos épico. Apenas imaginem atravessar um barco à vapor de trezentas e vinte toneladas em uma colina deslizante no meio da Amazônia Peruana, que após ser afetado por chuvas torrenciais só dificultou o processo. Outras dificuldades afetaram de forma diferente e letal como o cinematografista Thomas Mauch que cortou sua mão durante as filmagens e que recebeu pontos sem anestesia, outro membro da equipe foi mordido por uma cobra venenosa e para evitar que o veneno se espalhasse cortou o próprio pé fora com uma serra elétrica. Coisas do tipo que fazem o fato de Herzog ter apontado uma arma no próprio ator Klaus Kinski parecer um ato amigável.

Apocalypse Now (1979)

O clima psicodélico da brutalidade da guerra afetando os personagens dentro desse épico clássico de Francis Ford Coppola, parece também ter refletido no elenco e na equipe durante toda a produção, quase o bastante para fazer o filme ser mais famoso pelo seu caos por detrás das cenas do que pelo próprio filme em si e criando assim um ambiente de verdadeiro colapso físico e psicológico. Deixando os atores como Martin Sheen e Dennis Hopper se alimentado quase apenas de álcool, Hopper ainda pior que misturava isso com meio litro de rum e três levas de cocaína diários como se fossem as férias dele. No meio tempo em que Sheen passava o seu expediente diário sofrendo abusos por Coppola que gritava ao ator dizendo-lhe como seu personagem era malvado e ele deveria agir que nem um malvado todos os dias e todas as horas, que o fez ter um grave ataque cardíaco enquanto a produção do filme continuava a todo o vapor. Enquanto o próprio Coppola enfrentava seus demônios, sofrendo um ataque epiléptico e quase cometendo suicídio três vezes. Que ninguém morreu durante as filmagens é um verdadeiro milagre. Tirando os cadáveres de verdade no clímax do filme, mas isso é o de menos.

Roar (1981)

Ah sim, vamos todos encher um set com atores, com as crianças sendo os próprios filhos do diretor Noel Marshall e atriz e produtora Tippi Hedren, juntos de uma alcateia de leões não treinados e filmar tudo que acontecer. Afinal o que de ruim pode resultar disso? Pelo visto MUITA coisa ruim. Onde durante toda a produção, as lesões e acidentes só acumularam. Hedren foi mordida na cabeça por um leão, e Marshall foi mordido tantas vezes que ele desenvolveu gangrena. Melanie Griffith recebeu pontos no rosto e quase perdeu um olho após um ataque, e o diretor de fotografia Jan DeBont quase perdeu todo o couro cabeludo para um leão, mas apenas causou uma lesão de mais de 200 pontos. Entre os muitos outros dos ataques e derramamentos de sangue real acabam mesmo no corte final do filme. Um belo filme pra se ver com a família com certeza.

Sangue de Bárbaros (1956)

Agora sentem que lá vem a história de um dos maiores fracassos Hollywoodianos já feitos e talvez o mais mortalmente letal até hoje, que chega a enbasbacar pela causa dos terríveis feitos desse épico desastroso. Com o local das filmagens de Sangue de Barbáros fora no deserto de Utah, exatamente em uma locação a favor do vento de uma área onde o governo dos EUA detonou centenas de bombas atômicas entre 1951 e 1962. Apenas onze foram detonadas em 1953, um ano anterior à produção do filme, e mesmo que a Comissão de Energia Atômica declarou a área completamente segura, eles estavam terrivelmente errados após surgirem fatos cabulosos dos efeitos da energia nuclear na área. Onde nas décadas seguintes à produçãoz nada menos do que noventa pessoas do elenco e equipe morreram de câncer, provavelmente devido à exposição à radiação no set, incluindo John Wayne, Susan Susanward e o diretor Dick Powell. Um estudo subseqüente concluiu que os testes nucleares da época da Guerra Fria mataram pelo menos onze mil americanos e desde 1990, fazendo com que o Congresso pagasse 2 bilhões para os moradores da área onde Sangue de Barbáros foi filmado. Um dos maiores fracassos de Hollywood literalmente matou uma de suas maiores estrelas.

Qual acharam ser o filme mais perigoso?