Mortal Kombat II diverte e acerta o fatality
Se o reboot da franquia Mortal Kombat (2021) nas telonas serviu como um “aquecimento” morno e, convenhamos, um tanto confuso ao ignorar o torneio de lutas que dá nome à série, Mortal Kombat II chega com o pé no peito para colocar a casa em ordem e corrigir os erros do primeiro filme. Sob a […]
Se o reboot da franquia Mortal Kombat (2021) nas telonas serviu como um “aquecimento” morno e, convenhamos, um tanto confuso ao ignorar o torneio de lutas que dá nome à série, Mortal Kombat II chega com o pé no peito para colocar a casa em ordem e corrigir os erros do primeiro filme. Sob a direção de Simon McQuoid, mas agora com o roteiro mais afiado de Jeremy Slater (Moon Knight), a sequência abandona as hesitações do primeiro longa e abraça o que Mortal Kombat sempre foi: brutalidade, carisma e, claro, um torneio de vida ou morte.
Um protagonista à altura
Vamos tirar o elefante branco da sala logo de cara: a substituição do foco em Cole Young (que não conseguiu vencer a estigma de ser um personagem muito fraco num universo com tantas figuras marcantes) pela entrada triunfal de Johnny Cage é o maior upgrade técnico-narrativo da obra. Karl Urban entrega um Cage que é uma homenagem aos brucutus dos anos 90 — canastrão na medida certa, carismático e dono das melhores falas. É o tipo de mudança que traz o “ar de videogame” do filme de 1995 de volta, algo que o reboot de 2021 tentou esconder com uma sobriedade desnecessária.
Outro ponto de destaque e que salta aos olhos é a reconstrução de Kitana. Vivida por Adeline Rudolph, a princesa de Outworld deixa de ser apenas uma figura do lore para se tornar o coração da trama. Sua presença na tela é louvável e o roteiro finalmente lhe dá o peso que os fãs pedem há décadas.
Não há conhecimento que não seja poder
Para quem está acostumado com os efeitos sonoros dos jogos da NetherRealm, o trabalho aqui merece aplausos. A presença de Shao Kahn se destaca desde o início do filme através do áudio: cada passo do imperador ecoa com um grave que faz a poltrona do cinema vibrar. É a “aura do final boss” implacável dos jogos e que faltava em qualquer adaptação live-action até hoje.
A utilização de efeitos sonoros clássicos durante os combates, que os fãs reconhecerão logo de cara, servem como um gatilho de nostalgia que encaixa perfeitamente. Em três momentos distintos, a combinação da trilha e coreografia das lutas (excelentes por sinal) deram a mesma sensação de quando encaixamos um combo no arcade. Sem spoilers, pode esperar porradaria de qualidade do começo ao fim.
Respeito ao Legado
Tecnicamente, o filme corrige o maior erro de 2021: a edição picotada. As lutas aqui são amplas, permitindo que vejamos a coreografia e o talento marcial do elenco, que não é pouco. As arenas dos jogos finalmente ganham vida aqui, do Dead Pool ao The Pit, impecavelmente caracterizadas e completas com os totens de vitória que remetem diretamente à interface dos jogos.
E como nos jogos temos personagens secretos, easter eggs, magias e é claro, não poderiam faltar os fatalities, mais criativos, viscerais e “sujos” do que nunca. O filme não segura a mão nesse ponto; ele entende que Mortal Kombat sem o excesso e o gore cartunesco perde a identidade.
Mortal Kombat II é a prova de que, às vezes, menos é mais. O roteiro é direto, a história é “pé no chão” (dentro do possível para um universo de ninjas, magos e deuses) e o foco no torneio entrega o que a franquia precisava e o que os fãs queriam. Um filme feito para quem jogou os jogos e quer vibrar com os personagens desenvolvidos ao longo dos mais de 30 anos da série.
Desta vez, a NetherRealm e a Warner podem se orgulhar de acertarem o Fatality.