Cinema

Netflix ‘espera’ manter filmes da Warner no cinema, mas rivais alertam riscos

Netflix afirma que "espera" manter lançamentos da Warner nos cinemas, mas consórcio perdedor e exibidores de cinema acusam a fusão

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Após o anúncio bombástico da compra da Warner Bros. (incluindo HBO e HBO Max) pela Netflix por US$ 82,7 bilhões, o foco se volta para o futuro dos lançamentos nos cinemas. A Netflix, conhecida por priorizar o streaming, deu um sinal cauteloso de que deve manter as operações de tela grande da centenária Warner.

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No comunicado oficial, a Netflix usou o verbo “espera” ao se referir ao futuro da distribuição teatral, uma escolha de palavra que foi notada pelo mercado:

“A Netflix espera manter as operações atuais da Warner Bros. e construir sobre seus pontos fortes, incluindo lançamentos teatrais de filmes.”

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Em uma teleconferência com analistas, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, tentou acalmar o mercado, garantindo que os filmes da Warner Bros. já planejados para o cinema seguirão o cronograma:

“Eu não encararia isso como uma mudança de abordagem para os filmes da Netflix — ou para os filmes da Warner. […] Vocês devem contar que tudo o que está planejado para ir ao cinema através da Warner Bros. continuará indo para os cinemas através da Warner Bros. Nosso objetivo principal é trazer filmes de primeira exibição para nossos membros, porque é isso que eles procuram.”

Concorrentes e exibidores declaram “ameaça”

Enquanto a Netflix tenta amenizar a tensão, a concorrência e o setor de exibição teatral (os cinemas) estão em pé de guerra. A Paramount Skydance, que perdeu a disputa pela Warner, enviou uma carta aos advogados da WBD alertando que a fusão é uma ameaça poderosa à indústria:

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“A Netflix não tem o mesmo incentivo para lançar filmes nos cinemas e será incentivada a usar a biblioteca de PI [Propriedade Intelectual] de classe mundial da WBD para consolidar o domínio de streaming da Netflix, ao mesmo tempo em que prejudica a distribuição teatral, talentos e espectadores,” dizia a carta da Paramount.

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O coro é reforçado pela Cinema United (antiga NATO, a Associação Nacional dos Proprietários de Cinema), que representa os exibidores globais. Michael O’Leary, CEO da Cinema United, pediu uma intervenção regulatória:

“A proposta de aquisição da Warner Bros. pela Netflix representa uma ameaça sem precedentes ao negócio global de exibição. […] O modelo de negócios declarado da Netflix não apoia a exibição teatral. Na verdade, é o oposto.”

O grupo teme que a fusão retire 25% da bilheteria doméstica anual (a fatia de mercado da Warner Bros.), o que levaria ao fechamento de salas de cinema e ao sofrimento das comunidades que dependem delas.

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O medo do mercado se resume ao fato de que, com um catálogo fantástico agora em mãos (incluindo Casablanca, Harry Potter e todo o Universo DC), a Netflix teria um incentivo ainda menor para ceder às janelas de exibição tradicionais, que dão exclusividade aos cinemas.

Tags: #Netflix
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