Os jogos mais aguardados de 2027: de Fable a Final Fantasy VII Revelation
Final Fantasy VII Revelation, Fable, Resident Evil Veronica e mais: 2027 tem uma lista de lançamentos que não se via desde os anos dourados dos games.
A Summer Game Fest de 2026 deveria ter sido mais um evento de trailers empolgantes com lançamentos distantes. Não foi. O que saiu daqueles dias foi um calendário de 2027 que parece improvável: a conclusão de uma das trilogias de RPG mais ambiciosas da história, o retorno de franquias que estavam mortas há décadas, um remake que a comunidade de Resident Evil esperava há mais de vinte anos, e pelo menos dois jogos com potencial real de redefinir o que uma franquia clássica pode ser em hardware moderno. Isso sem contar o elefante na sala chamado GTA VI, que chegou em 2026 e deixou o caminho aberto para que 2027 brilhe sem sombra.
A lista abaixo segue a lógica do que realmente importa: não apenas os jogos mais badalados, mas os que carregam peso histórico, expectativas genuínas e chances reais de marcar uma geração. Nem todos vão chegar em 2027 — o próprio texto indica onde a névoa ainda é grossa. Mas se chegarem, é um ano que vai entrar para os livros.
Metro 2039 — a tradição continua, mas o peso aumenta
A série Metro nunca precisou de grandes promessas de marketing. Ela se sustenta na premissa: um mundo pós-nuclear devastado, os sobreviventes confinados nos metrôs de Moscou, e uma atmosfera sufocante que poucas franquias conseguem reproduzir. Metro 2039 chega como a continuação de uma trilogia que foi fiel às raízes literárias de Dmitry Glukhovsky mesmo quando expandiu o escopo do mundo aberto em Exodus.
O que a 4A Games construiu ao longo dos anos é uma reputação de imersão técnica e narrativa que vai além do gênero de tiro. As descrições do estúdio para 2039 incluem a promessa de uma experiência de exploração, sobrevivência, combate e furtividade em um mundo “assombroso e mortal”. Para quem já jogou os anteriores, isso não é promessa vaga — é um padrão estabelecido e aguardado.
The Expanse: Osiris Reborn — o RPG espacial que Mass Effect não entregou mais
The Expanse chegou à TV com uma adaptação que a ficção científica hard não costuma receber. A série soube equilibrar física realista, política interestelar e personagens complexos de um jeito que a maioria do gênero evita. A Owlcat Games, estúdio que construiu credibilidade com os Pathfinder e Warhammer 40K: Rogue Trader, está levando isso para um RPG onde o jogador não é o herói escolhido — é apenas um mercenário tentando sobreviver num sistema solar hostil.
O gap que Osiris Reborn está tentando preencher é óbvio: desde Mass Effect: Andromeda em 2017, o gênero do RPG espacial narrativo de grande orçamento ficou órfão. A Owlcat tem o perfil certo para entregar na parte de escrita e sistema de escolhas. A questão é o combate — que em seus jogos anteriores variou entre competente e irregular. Se resolverem isso, Osiris Reborn pode ser a surpresa do ano.
Alien: Isolation 2 — a sequência que ninguém achava que viria
O original Alien: Isolation, de 2014, foi um dos jogos de terror mais implacáveis da geração. A Creative Assembly recriou a estética visual do filme de 1979 com uma fidelidade desconcertante e construiu em volta dela um sistema de IA que tornava o Xenomorfo genuinamente imprevisível. O problema foi comercial: vendeu menos do que a Sega esperava, e a sequência sumiu do horizonte por mais de uma década.
A sequência foi anunciada com um teaser de dois minutos que deixa pouco sobre a narrativa exposto — e isso já é suficiente para criar expectativa. O contexto sugere uma protagonista em situação de segunda chance, com a Weyland-Yutani cobrando um preço caro por um erro anterior. Para quem aguentou o primeiro jogo, saber que a franquia sobreviveu é quase tão aliviante quanto escapar do Xenomorfo.
Spyro: A Realm Beyond — voo de verdade, pela primeira vez em quase 20 anos
O último jogo original de Spyro foi A Hero’s Tail, lançado em 2004. A trilogia Reignited de 2018 foi uma remasterização impecável dos três primeiros jogos, mas não acrescentou nada novo à franquia. A Realm Beyond é o primeiro jogo novo em quase duas décadas, e traz uma mudança fundamental: voo livre como parte central da jogabilidade, não apenas um recurso de transição entre fases como nos clássicos do PlayStation.
O estúdio Toys for Bob afirma que prestou atenção especial ao que os fãs amavam na franquia durante o desenvolvimento da trilogia remasterizada. Tom Kenny retorna como a voz do personagem — detalhe que importa mais do que parece para quem cresceu com o original. A grande pergunta é se um jogo construído em torno da liberdade de voo consegue manter o design de fases coeso. Os trailers são bonitos, mas cinemáticos. Gameplay real ainda é escasso.
State of Decay 3 — sobrevivência zumbi finalmente na geração atual
State of Decay 2 é um daqueles jogos que a base de fãs sustentou por anos com atualizações constantes, mesmo com gráficos envelhecidos e sistemas que pediam uma reinvenção urgente. A franquia tem uma proposta que nenhum concorrente direto replicou com qualidade: gestão de comunidade de sobreviventes com consequências reais, onde personagens morrem para sempre e recursos são permanentemente finitos.
O terceiro capítulo foi anunciado pela Xbox com antecedência tão grande que parecia piada. A confirmação de que finalmente chega em 2027 — e que será lançado simultaneamente no PS5 e no PC, quebrando a exclusividade anterior — amplia o alcance da franquia. Se Undead Labs conseguir modernizar os sistemas sem perder a tensão de gestão que torna State of Decay único, é um candidato sério a jogo do ano no gênero.
Resident Evil: Veronica — o elo perdido da franquia finalmente ganha sua vez
Dos remakes modernos da Capcom — RE2, RE3 e RE4 — o que mais faltava sempre foi Code: Veronica. Não por falta de qualidade do original: o jogo de 2000 é essencial para entender o arco de Claire Redfield, a sobrevivência de Wesker após os eventos de RE1 e os conflitos que desembocam em Resident Evil 5. O problema era que Veronica ficou preso no Dreamcast enquanto o restante da série migrava para outros formatos.
O original tem uma estrutura severa, gestão de recursos punitiva e controles datados que tornaram o jogo memorável pelos motivos certos e errados. O trailer da Summer Game Fest 2026 mostrou sequências em primeira pessoa e a engine do RE que já provou ser capaz de entregar horror de alta qualidade. A Capcom não lança remake ruim desde 2019 — essa sequência de acertos é a maior garantia que o jogo tem.
Exodus — o sucessor espiritual que Mass Effect: Andromeda deveria ter sido
Construído por ex-desenvolvedores da BioWare, Exodus chega com a tarefa ingrata de suprir um vazio que a própria BioWare criou em 2017. O projeto promete exploração espacial de ficção científica hard, com um sistema de animais altamente inteligentes — incluindo suínos com inteligência elevada — que sugere um universo com mais criatividade no worldbuilding do que os trailers conseguem entregar em dois minutos.
A herança da equipe importa aqui. Não basta dizer que vem de ex-desenvolvedores da BioWare — os nomes por trás do projeto incluem pessoas responsáveis pelos melhores momentos da trilogia original de Mass Effect. Se conseguirem trazer o nível de escrita e construção de personagens do estúdio na sua época áurea sem a burocracia que sabotou Andromeda, Exodus pode ser o RPG espacial definitivo da geração.
Fable — o reboot que carrega uma geração inteira de nostalgia
A Playground Games confirmou Fable para 23 de fevereiro de 2027, com lançamento para PS5, Xbox Series e PC — incluindo acesso via Game Pass desde o primeiro dia. O estúdio que fez a série Forza Horizon trabalhou por anos num mundo radicalmente diferente: Albion, o reino britânico de fantasia que Peter Molyneux construiu no início dos anos 2000 com uma mistura de humor negro, escolhas morais e um charme peculiar que nunca foi replicado direito.
O novo trailer confirmou a participação de Hayley Atwell como Isabel, descrita como uma heroína poderosa movida pelo luto, e revelou o retorno de Jack of Blades — antagonista que os fãs do primeiro jogo não esqueceram. O adiamento de 2026 para fevereiro de 2027 foi claramente uma fuga do GTA VI, e a decisão faz sentido estratégico. Fable precisa de espaço para respirar, não de uma batalha que não consegue vencer.
The Witcher 4 — a aposta mais alta da CD Projekt Red
Se The Witcher 4 chegar em 2027, sobe imediatamente para o topo desta lista. O problema é a incerteza: o jogo foi anunciado em 2022, mostrou Ciri como protagonista jogável em 2025, e até agora não tem data confirmada. As estimativas mais otimistas apontam para o final de 2027; as mais realistas colocam em 2028. A história da CD Projekt Red com datas — especialmente depois do lançamento caótico de Cyberpunk 2077 — justifica ceticismo.
O que está em jogo é considerável. The Witcher 3: Wild Hunt foi lançado em 2015 e ainda hoje aparece em listas de melhores jogos de todos os tempos. Jogar com Ciri, personagem que os fãs acompanharam desde criança, em uma região nova chamada Kovir, é uma premissa com potencial emocional enorme. Se The Witcher 4 for para 2027, é o favorito ao jogo do ano antes de ser lançado.
Final Fantasy VII: Revelation — trinta anos de história chegando ao fim
Anunciado durante a Summer Game Fest 2026, Final Fantasy VII: Revelation é o terceiro e último título do projeto de remake da Square Enix, com lançamento simultâneo para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC no segundo trimestre de 2027. O diretor Naoki Hamaguchi descreveu o jogo como a culminação de trinta anos de narrativa de Final Fantasy VII — e não é retórica vazia.
O trailer revelou Vincent Valentine e Cid Highwind como personagens jogáveis, a aeronave Highwind como meio de exploração de um mundo aberto em escala planetária, e um sistema de Jobs chamado FITS — onde equipar determinadas roupas altera as habilidades do personagem. É uma franquia que começou em 1997, virou filme, virou crise de identidade da Square Enix, virou trilogia de remake aplaudida pela crítica e pelos fãs, e agora chega ao capítulo que todos esperavam: a batalha final contra Sephiroth, a morte de Aerith a ser confrontada, e o desfecho de uma história que formou gerações de jogadores. Para um jogo com esse peso, chegar ao terceiro ato é tanto um alívio quanto um risco enorme de decepcionar. Pelos trailers, a Square Enix sabe disso.