MUITOS SPOILERS!

Jordan Peele retornou aos cinemas com seu novo terror, Nós. Tal como Corra!, seu premiado filme de estreia, o filme com Lupita Nyong’o deve provocar diversas teorias e interpretações, especialmente sobre seu final surpreendente, que iremos explicar aqui.

Basicamente, descobrimos que o problema com as cópias não assola apenas a família de Adelaide (Nyong’o), mas está acontecendo em uma escala nacional. Há diversos clones, batizados no filme como Acorrentados, habitando diferentes túneis subterrâneos espalhados pelos EUA. A sósia de Adelaide, Red, explica que eles foram criados por humanos em um experimento bizarro, onde o corpo foi reproduzido, mas não a alma. Os Acorrentados foram largados nos túneis, acompanhando todos os movimentos, sensações e eventos de suas respectivas “sombras”, até o momento em que Red liderou um movimento para subir à superfície e assassinar todos os humanos.

A grande puxada de tapete que Peele oferece nos minutos finais, porém, é inteiramente a ver com a personagem de Lupita Nyong’o: ela era uma Acorrentada desde o começo, e Red era a humana real. 

Explico. No começo do filme, vemos a jovem Adelaide tendo o primeiro contato com sua versão Acorrentada, ao se perder em uma atração desligada de um parque de diversões. Só no final do filme vemos o desfecho da sequência, onde a sombra atacou Adelaide e a levou para os túneis, trocando de roupa com a garota e subindo em seu lugar. A Acorrentada viveu por anos se passando por Adelaide, enquanto sua versão real acabou enlouquecendo e se tornando uma espécie de Escolhida para os demais Acorrentados nos túneis.

O filho de Adelaide percebe que sua mãe é uma Acorrentada no final, mas ele aceita. O mais interessante dessa decisão é que o personagem passa todo o filme colocando uma máscara de monstro para se esconder, e o fato dele repetir essa ação no final é extremamente simbólico: sua mãe também está usando uma máscara, então ele aceita essa fachada.

É um final que definitivamente pede por uma nova sessão, especialmente para analisar as pistas que o roteiro de Peele deve fornecer dessa reviravolta ao longo da projeção; o fato de Red ser a única capaz de falar entre os demais Acorrentados é uma delas, por exemplo. Não só isso, mas também para reparar em nuances e sutilezas que Nyong’o deve ter criado para estabelecer uma performance ainda mais complexa.

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