Críticas

Review | Diablo IV: Lord of Hatred é uma expansão de correções e contradições

Lord of Hatred adiciona classes e o Cubo Horádrico a Diablo IV, mas cobra caro por correções e falha ao entregar uma narrativa previsível.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura
Publicidade

A franquia Diablo IV retorna com a expansão Lord of Hatred, levando os jogadores às lendárias Ilhas Skovos. O objetivo central é impedir a cruzada de Mefisto, que manipula as massas habitando o corpo do profeta Akarat. A premissa promete explorar o berço da humanidade e introduzir sistemas muito requisitados. Apesar das expectativas, o resultado é uma mistura de acertos mecânicos e tropeços narrativos. A expansão tenta corrigir falhas antigas enquanto introduz novas classes.

A trama em Skovos e o ritmo desigual

Explorar Skovos deveria ser uma experiência visual marcante, dado o contraste entre cidades de mármore e selvas. Na prática, a região é subaproveitada e o jogador passa a maior parte do tempo em masmorras repetitivas. A sensação de explorar um continente inédito perde força rapidamente. A campanha sofre com um ritmo truncado e muita exposição inicial. Há uma quantidade alta de diálogos longos que interrompem a fluidez da ação.

A história apoia-se em uma busca previsível por artefatos, carecendo da tensão construída no jogo base. O roteiro tenta chocar no começo, mas falha devido à ausência de um desenvolvimento cadenciado. Felizmente, as cinemáticas de encerramento ainda impressionam e demonstram a conhecida qualidade técnica do estúdio. O problema é que a narrativa se sustenta quase inteiramente na nostalgia de personagens estabelecidos. Fãs mais exigentes podem considerar o enredo excessivamente seguro.

Publicidade

Bruxo e paladino: O fôlego no combate

A introdução das classes Bruxo e Paladino traz um dinamismo bem-vindo ao sistema de combate. O Bruxo foca em magia de sombras e fogo, permitindo invocar demônios ou assumir a forma de um arquidemônio. O estilo de jogo oferece flexibilidade real na hora de montar as combinações ofensivas. Cada feitiço tem peso e as animações de destruição são fluidas. A sensação de controle sobre o campo de batalha é notável.

O Paladino atua como o contrapeso de estabilidade, focado no uso de auras e magia sagrada. Ele possui quatro juramentos diferentes, variando entre aplicação de dano em área e sobrevivência com cura. A jogabilidade é sólida, embora as escolhas de evolução pareçam um pouco lineares comparadas ao Bruxo. O impacto visual e sonoro dos golpes mantém o padrão elevado da série. O combate momento a momento continua sendo o grande trunfo da obra.

Publicidade

Cubo Horádrico e a Revolução do Inventário

A mecânica mais impactante do pacote é o aguardado retorno do Cubo Horádrico. O sistema altera a forma de lidar com equipamentos, permitindo transformar itens de baixo escalão em peças fundamentais. A criação de runas e o ajuste de afixos oferecem o controle que faltava na progressão do personagem. Essa mudança incentiva testes e otimização detalhada do inventário, agradando os veteranos. Os atributos dos equipamentos ganham prioridade absoluta na customização.

Publicidade

Para complementar essa progressão, o jogo introduz um sistema inédito de Amuletos e Talismãs. O jogador utiliza uma aba separada no menu para organizar peças que concedem diversos bônus passivos. Completar conjuntos específicos libera vantagens ainda mais potentes para a combinação de habilidades ativas. Trata-se de uma mecânica simples, mas que adiciona profundidade na hora de refinar o herói no estágio final. A busca pela peça ideal torna-se uma atividade constante.

O Fim de Jogo

O conteúdo de fim de jogo recebe os Planos de Guerra, uma lista de reprodução que organiza as atividades. Esse recurso permite direcionar o foco das recompensas e agiliza a transição entre diferentes desafios disponíveis. Outra novidade é o Ódio Ressonante, um modo de horda onde a dificuldade escala brutalmente contra ondas de inimigos. O desafio cresce e entrega recompensas proporcionais ao tempo de sobrevivência. Apesar de úteis, os modos apoiam-se na repetição das velhas estruturas.

A árvore de habilidades foi expandida, proporcionando sinergias mais amplas para todas as classes selecionáveis. Contudo, a restrição de utilizar apenas seis espaços na barra de ações continua limitando o potencial tático. A adição de um filtro de itens soluciona um problema crônico de usabilidade reportado pela comunidade. Agora é possível buscar atributos específicos sem gastar tempo excessivo analisando cada armadura. Como atividade extra, um minijogo de pesca foi incluído para os momentos de pausa.

Publicidade

Veredito

Diablo IV: Lord of Hatred acerta ao aprimorar os fundamentos da experiência com ferramentas eficientes e diretas. Os novos sistemas de criação e as duas classes adicionais transformam o combate de forma robusta. No entanto, o estúdio falha ao cobrar preços altos por melhorias que deveriam integrar o jogo original. A campanha burocrática e o uso superficial do novo cenário também pesam negativamente no pacote geral. A aquisição vale a pena para jogadores assíduos, mas é questionável para quem busca inovação narrativa.

Tags: #Diablo IV
Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp