Ridley Scott diz que não é cineasta, mas “um influenciador”
Ridley Scott diz ao The Times que se considera "um influenciador", não um cineasta.
Diretor de 88 anos reflete sobre carreira em entrevista ao The Times
Ridley Scott afirmou, em entrevista ao The Times de Londres, que não se enxerga como um “cineasta”, mas como um “influenciador”. A declaração veio quando o diretor de 88 anos foi questionado sobre qual seria o fio condutor de toda a sua carreira em Hollywood.
“Toda vez, você está vulnerável”, disse Scott. “Também nunca quero me repetir, e todos os meus filmes deram certo comercialmente. Estive à frente do jogo com frequência, e se você está à frente do jogo, você é um influenciador. Então eu não sou um cineasta, sou um influenciador”, completou o diretor.
Uma carreira construída sobre clássicos que abriram caminhos
A declaração carrega peso justamente pelo histórico de Scott, responsável por obras que redefiniram gêneros inteiros do cinema, como Alien, o Oitavo Passageiro, Blade Runner, Thelma e Louise e Gladiador. O diretor soma múltiplas indicações ao Oscar de Melhor Diretor ao longo da carreira, incluindo Thelma e Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo, além de ter vencido o Globo de Ouro de Melhor Filme com Perdido em Marte.
Ainda na conversa, Scott revelou alguns projetos que ainda não riscou da própria lista de metas profissionais. “Nunca fiz um faroeste”, contou. “Já escalei o Hugh Jackman para minha adaptação de A Ilha do Tesouro. Quero fazer um musical e também um filme incrível sobre o elefante africano.”
Crítica à repetição de fórmulas em Hollywood
O próximo trabalho de Scott é Ponto Sem Retorno, estrelado por Jacob Elordi, Margaret Qualley e Josh Brolin, com estreia marcada para 27 de agosto nos cinemas brasileiros. O diretor descreveu Elordi como “uma grande estrela” e disse que os dois “se deram muito bem” durante as filmagens. Segundo Scott, parte da motivação para dirigir o projeto veio justamente do cansaço com a repetição de fórmulas que domina boa parte das produções recentes de Hollywood.
“Olha, hoje em dia tudo é sobre uma garota assassinada na floresta, ou um agente do FBI que é melhor que todo mundo, ou um super-herói. Cacete! Tem que haver outras histórias para contar”, disparou o diretor, sem meias palavras.
Uma honraria histórica se aproxima
Scott está prestes a receber um Oscar honorário durante a cerimônia do Governors Awards, em novembro. Outros homenageados da mesma edição incluem a atriz Glenn Close e Floyd Norman, primeiro animador negro contratado pela Disney, reconhecimento que reforça o peso histórico da carreira de Scott dentro da indústria do cinema.