Cinema

Rose Byrne vence primeiro Globo de Ouro por ‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’

ose Byrne surpreende ao vencer Melhor Atriz em Comédia, supera Emma Stone e explica que marido faltou à cerimônia para comprar um lagarto.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura
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A cerimônia do Globo de Ouro deste domingo (11) reservou uma das maiores surpresas da noite para a categoria de Melhor Atriz em Musical ou Comédia. Rose Byrne, a talentosa atriz australiana que transita com facilidade entre o drama denso e a comédia escrachada, conquistou a primeira estatueta de sua carreira. O prêmio veio por sua performance visceral e complexa no filme independente “Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria” (If I Had Legs I’d Kick You), um drama psicológico que desafia classificações de gênero.

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A vitória de Byrne ganha contornos de “zebra” histórica quando observada a lista de concorrentes que ela deixou para trás. A categoria estava recheada de pesos-pesados da indústria e sucessos de bilheteria: Cynthia Erivo pelo musical “Wicked: Parte 2”, Kate Hudson por “Canção Azul”, a novata sensação Chase Infiniti por “Uma Batalha Após a Outra”, Amanda Seyfried por “O Testamento de Ann Lee” e a favorita de sempre, Emma Stone, pelo aguardado “Bugonia”. Ao premiar Byrne, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood sinalizou um reconhecimento importante para produções de menor orçamento que dependem inteiramente da força do texto e da atuação.

O discurso: choque, gratidão e répteis

Visivelmente atordoada ao subir ao palco, Byrne admitiu não ter preparado nenhum discurso, evidenciando que não esperava sair vitoriosa. “Claro que não preparei nada. Eu não cantei neste filme. Muito obrigada. Isso é um choque tão grande!”, exclamou ela, arrancando risos nervosos e aplausos.

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A atriz fez questão de exaltar o trabalho da roteirista e diretora Mary Bronstein, alma do projeto. Byrne revelou as condições modestas da produção, destacando que o filme foi rodado em apenas 25 dias com um orçamento irrisório, brincando que custou “cerca de US$ 8,50”. “Este é um filme minúsculo, então estar aqui em cima é uma coisa enorme”, pontuou.

No entanto, o momento que dominou as redes sociais foi a explicação para a ausência de seu marido, o também ator Bobby Cannavale. Quebrando a formalidade do evento, Byrne revelou o motivo inusitado: “Quero agradecer ao meu marido, Bobby Cannavale, que não pôde estar aqui porque estamos comprando um dragão-barbudo e ele foi a uma exposição de répteis em Nova Jersey”. A priorização de um animal de estimação exótico em detrimento de uma das maiores noites de Hollywood tornou-se instantaneamente um dos pontos altos da cerimônia.

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A consagração de uma carreira versátil

Embora seja amplamente reconhecida pelo público geral por comédias de sucesso como “Missão Madrinha de Casamento”, “Vizinhos” e “A Espiã que Sabia de Menos”, Rose Byrne possui um histórico de prestígio no drama. Ela já havia sido indicada ao Globo de Ouro em 2008 e 2010 por seu papel na série de suspense jurídico “Damages”, mas nunca havia levado o troféu para casa até agora.

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Sua trajetória com “Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria” começou há um ano, na estreia do Festival de Sundance, onde o filme foi aclamado pela crítica. Desde então, sua atuação lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Performance Principal no Festival de Berlim e uma indicação ao Critics Choice Award, pavimentando o caminho para esta vitória.

Um thriller doméstico perturbador

O filme que garantiu o prêmio a Byrne é uma obra inquietante escrita e dirigida por Mary Bronstein. A trama segue Linda (Byrne), uma mulher que começa a perder a sanidade enquanto seu marido está fora. Isolada, ela precisa cuidar de sua filha misteriosamente doente, que vive conectada a um dispositivo médico que emite bipes constantes, criando uma atmosfera de tensão sonora insuportável.

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O elenco de apoio é tão eclético quanto a premissa, contando com o apresentador Conan O’Brien, Danielle Macdonald, Delaney Quinn, o veterano Christian Slater e o rapper A$AP Rocky. A mistura inusitada de talentos e o tom claustrofóbico do roteiro permitiram que Byrne explorasse as nuances de uma mãe à beira de um colapso nervoso, entregando o que muitos críticos consideram o papel de sua vida.

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