Cinema

Sam Neill, protagonista de Jurassic Park, morre aos 78 anos

Sam Neill, protagonista de Jurassic Park, morre aos 78 anos em Sydney; morte foi repentina, diz a família.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

O ator neozelandês Sam Neill morreu nesta segunda-feira (13/7), em Sydney, na Austrália, aos 78 anos. A notícia foi confirmada pela família em publicação no Instagram do próprio ator.

Segundo o comunicado, Neill estava cercado pela família no momento da morte, descrita como “repentina e inesperada”. A nota reforça que o ator seguia livre do câncer que enfrentou nos últimos anos, e agradece à equipe do St Vincent’s Private Hospital pelos cuidados prestados. A família não revelou a causa da morte e pediu privacidade neste momento.

Neill havia sido diagnosticado, em 2022, logo após concluir as filmagens de Jurassic World: Domínio, com um linfoma angioimunoblástico de células T em estágio três, um tipo raro de câncer no sangue que exigiu quimioterapia contínua. Em abril deste ano, o ator havia anunciado estar livre da doença.

Uma carreira que atravessou cinco décadas

Nascido na Irlanda do Norte e criado na Nova Zelândia, Neill começou como uma figura pioneira do cinema neozelandês, estrelando Sleeping Dogs (1977), o primeiro longa rodado em 35mm no país. Dois anos depois, viveu o pretendente desajeitado de Judy Davis em My Brilliant Career, de Gillian Armstrong, um dos marcos da nova onda do cinema australiano.

Ao longo dos anos 1980, o ator alternou produções de horror, como Presságio 3 e o bizarro Possession, com dramas ao lado de Meryl Streep, incluindo Plenty e Um Grito no Escuro. A década seguinte trouxe seu maior sucesso comercial até então, À Procura de Outubro Vermelho, ao lado de Sean Connery e Alec Baldwin.

O ano de 1993 se tornou o ápice da carreira de Neill. Ele estrelou O Piano, de Jane Campion, indicado a diversos Oscars, e no mesmo ano deu vida ao paleontólogo Alan Grant em Jurassic Park, de Steven Spielberg, papel que se tornaria sua marca registrada e que arrecadou US$ 914 milhões mundialmente.

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O legado como o Dr. Alan Grant

Neill retornou ao papel em Jurassic Park III (2001) e Jurassic World: Domínio (2022), reunindo os três filmes que definiram sua imagem para o público. Em entrevista à Forbes, ele já havia comparado o personagem a um par de botas confortáveis, dizendo que sempre voltava a vesti-las com facilidade.

Fora da franquia, o ator construiu uma carreira diversa em cinema e TV, com destaque para Merlin, minissérie pela qual recebeu indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro, além de participações nos filmes da Marvel Thor: Ragnarok e Thor: Amor e Trovão, sob direção do compatriota Taika Waititi, com quem também trabalhou em Hunt for the Wilderpeople.

Repercussão e homenagens

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, chamou Neill de “um dos grandes”, destacando que o ator levou histórias neozelandesas ao mundo por mais de cinco décadas. Já o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que Neill “conquistou um lugar especial nos corações australianos”, elogiando a dignidade com que enfrentou a doença.

Neill era casado duas vezes e deixa quatro filhos, incluindo Tim, fruto do casamento com a atriz Lisa Harrow, sua parceira em Presságio 3. O ator também havia publicado, em 2023, o livro de memórias Did I Ever Tell You This?, escrito logo após o diagnóstico do câncer.

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