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Shuhei Yoshida afirma que foi demitido da PlayStation por Jim Ryan

Ex-chefe do PlayStation revela que Jim Ryan o demitiu do cargo por recusar pedidos absurdos.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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O carismático ex-executivo da Sony, Shuhei Yoshida, resolveu jogar os bastidores da gigante japonesa no ventilador. Durante uma palestra no festival Alt:Games, na Austrália, ele cravou que não pediu para sair da chefia da SIE Worldwide Studios em 2019. Na verdade, ele afirma ter sido praticamente expulso da posição pelo então CEO Jim Ryan, simplesmente porque se recusou a obedecer ordens que considerava questionáveis.

Yoshida deixou a companhia no ano passado, fechando um ciclo de 31 anos em que ajudou a lançar o primeiro console e supervisionou o nascimento de clássicos modernos. “Ajudei a Santa Monica a fazer God of War, a Naughty Dog com Uncharted e The Last of Us, e a Sucker Punch a criar o belíssimo Ghost of Tsushima“, relembrou no palco.

Segundo os relatos do portal This Week in Video Games, foi logo após listar esses sucessos que ele soltou a bomba. O veterano explicou que, após 11 anos liderando o desenvolvimento interno, Jim Ryan decidiu tirá-lo do caminho por não abaixar a cabeça. “Ele me pediu para fazer umas coisas ridículas, e eu disse ‘não'”, disparou o executivo, arrancando risadas da plateia ao contar a história em um tom descontraído.

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O ultimato frio e a resistência aos jogos como serviço no PlayStation

A narrativa oficial da época vendia a ideia de que Yoshida havia deixado o cargo de forma amigável para focar no relacionamento com os estúdios independentes, passando o bastão principal para Hermen Hulst. A realidade revelada agora, contudo, mostra que rolou um ultimato pesado. Em uma conversa no início de 2025 com o VentureBeat, logo após sair de vez da empresa, ele já havia deixado claro que a mudança passou longe de ser voluntária.

“Quando Jim me pediu para fazer o trabalho indie, a escolha era fazer isso ou deixar a empresa”, confessou na época. Ele acabou engolindo o sapo e aceitando a nova cadeira porque realmente acreditava no potencial da divisão e queria ajudar os desenvolvedores menores a ganharem espaço no ecossistema do PlayStation.

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Esse conflito escancara a diferença colossal de visões entre Yoshida e a diretoria que assumiu o comando da marca. Falando ao canal Kinda Funny no ano passado, o veterano admitiu sem rodeios que teria batido de frente contra a obsessão recente da Sony por jogos como serviço se ainda estivesse na cadeira de presidente. Ele próprio brincou com a situação, sugerindo que essa postura mais protetora com os jogos narrativos tradicionais foi exatamente o que assinou a sua carta de demissão da chefia dos estúdios.

Tags: #Playstation
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