‘Sou um grande fã da morte’: Guillermo del Toro desabafa sobre o cinismo atual
Guillermo del Toro chocou o Festival de Marrakech ao dizer ser "fã da morte". O diretor também falou sobre a "depressão pós-parto"
O aclamado diretor Guillermo del Toro está em um momento de reflexão profunda após o lançamento de seu projeto de vida, Frankenstein, estrelado por Oscar Isaac e Jacob Elordi (lançado em 7 de novembro na Netflix). Durante um painel no Festival de Cinema de Marrakech, no Marrocos, o cineasta mexicano surpreendeu o público ao desviar do tema de “nascimento” de sua obra para falar abertamente sobre a morte.
“Por que você deveria querer viver mais?”, perguntou ele à plateia. “Sou um grande fã da morte… Acho que a morte é realmente boa. Estou ansioso por ela, porque é o dia em que você pensa: ‘Bom, amanhã não terei mais problemas.’”
A jornada de 50 anos e o pós-Frankenstein
Na conversa de quase duas horas, mediada por sua esposa e roteirista Kim Morgan, Del Toro relembrou a jornada de 50 anos para levar Frankenstein às telas. A obsessão começou aos 7 anos, ao assistir à performance do Monstro por Boris Karloff:
“Aquilo era religião. Era a minha igreja,” disse ele. “Senti imediatamente o que minha avó costumava sentir por Jesus, eu agora sentia por Boris. E me vi nele.”
Aos 11 anos, ele leu o romance de Mary Shelley de uma só vez. Agora que o filme épico para a Netflix está finalizado, Del Toro confessou estar sentindo uma “depressão pós-parto”.
Crítica ao cinismo e defesa da emoção
O diretor usou sua visão sobre a grandiosidade de seu novo filme para criticar a cultura atual, que penaliza a expressão emocional.
“Sou mexicano, então a emoção é grande para mim. Acho que a emoção é muito escassa agora. Chegamos a um ponto na civilização em que a emoção parece ser algo que você esconde… Estamos em um momento horrível em que o cinismo simula inteligência.”
Del Toro completou sua crítica com um exemplo direto: “Se você diz: ‘Eu acredito no amor’, você é um tolo. Se você diz: ‘Eu não acredito no amor’, você é um homem sábio. Não concordo com nada disso.”
No espírito dos poetas românticos, o diretor queria que seu Frankenstein parecesse “uma ópera”. Ele concluiu a conversa reforçando sua filosofia sobre arte e vulnerabilidade:
“Você tem que estar completamente aberto ao fracasso se quiser ter sucesso algum dia… você tem que estar pronto para ser ridículo. Então, estou pronto para ser ridículo o tempo todo.”