Spielberg confirma que Dia D fecha uma trilogia que começou há quase 50 anos
O diretor credita à mãe a fascinação pela vida extraterrestre e diz que as evidências reais do século 21 mudaram sua visão desde Contatos Imediatos.
Steven Spielberg tem 78 anos, mais de cinquenta de carreira e ainda carrega uma pergunta que nunca o deixou em paz: e se não estivermos sozinhos? Dia D, que estreia nos cinemas brasileiros em 11 de junho, é a resposta mais direta que ele já deu a essa pergunta. O diretor confirmou à USA Today que o filme é o encerramento de uma trilogia temática iniciada em 1977 com Contatos Imediatos de Terceiro Grau e continuada em 1982 com E.T., dois dos filmes mais amados de sua filmografia.
A trilogia não é uma franquia com personagens ou universo compartilhado. É uma progressão de ideias, de pergunta em pergunta. Em Contatos Imediatos, a humanidade especula. Em E.T., uma criança acredita. Em Dia D, os personagens chegam com as provas na mão.
De onde vem essa obsessão
Spielberg atribui a origem de tudo à mãe, Leah Adler, que morreu em 2017 aos 97 anos. Era ela quem dizia que seria arrogância da humanidade acreditar ser a única vida inteligente no universo, e que cabia a todos manter o coração e a mente abertos. Essa postura moldou a forma como Spielberg filmou o desconhecido durante décadas, sempre com espanto, nunca com terror gratuito.
A diferença entre os filmes, segundo o próprio diretor, está no quanto o mundo mudou. Quando fez Contatos Imediatos, ele precisou de muita imaginação. Hoje, os registros de OVNIs e UAPs se multiplicaram, o Pentágono desclassificou documentos e o debate saiu das margens para o centro. “Tornou-se avassalador para mim a ideia de que não estamos sozinhos no universo”, disse ele.
Dia D como espelho do mundo real
O timing do lançamento é quase surreal. Em maio deste ano, o Pentágono liberou 162 arquivos desclassificados sobre UAPs, menos de um mês antes da estreia do filme. Spielberg não precisou inventar o clima de urgência: ele já estava lá.
No filme, os personagens reúnem e apresentam toda evidência disponível sobre a existência de vida extraterrestre, num exercício que o diretor descreve como um catálogo ficcional de provas reais. A proposta é fazer o espectador pesar os dados, não apenas se deixar levar pela emoção. É um filme mais sombrio e tenso do que E.T., e Spielberg reconhece isso. Enquanto Drew Barrymore trouxe a crença pura de uma criança ao set em 1982, Dia D parte da pergunta oposta: adultos ainda conseguem acreditar?
Elenco, equipe e o retorno de John Williams
Com roteiro de David Koepp, parceiro de Spielberg desde Jurassic Park e Guerra dos Mundos, o filme tem Emily Blunt no centro da trama como uma meteorologista que testemunha eventos inexplicáveis ao vivo numa transmissão de TV. Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo completam o elenco principal. A trilha sonora é de John Williams, aos 93 anos, numa nova colaboração com o diretor que dura mais de cinco décadas.
Spielberg deixou claro que fechar a trilogia não significa encerrar o assunto. “Não vai acabar com minha curiosidade. Não vai acabar com meu amor pela ficção científica”, disse. Dia D é uma conclusão, não um ponto final.