Spielberg tentou dirigir James Bond três vezes e sempre foi recusado
O diretor contou tudo durante a turnê de Dia D, incluindo a negociação fracassada envolvendo 007 Contra o Foguete da Morte.
O “não” que mudou o cinema
Steven Spielberg assistiu a 007 Contra o Dr. No ainda adolescente e saiu do cinema querendo fazer aquilo. Décadas depois, com dois dos maiores filmes da história no currículo, ele ainda não havia conseguido. A história foi recontada pelo diretor durante a turnê de divulgação de Dia D, em entrevista ao podcast The Rest Is Entertainment.
A primeira tentativa aconteceu na virada para os anos 1970, num encontro casual em Paris com Roger Moore, então cotado para assumir o papel de Bond. Spielberg aproveitou a oportunidade e pediu ao ator que passasse uma mensagem a Cubby Broccoli, produtor histórico da franquia. A resposta foi que ele precisava ter mais filmes no currículo. Anos depois, com Tubarão nas costas e um novo status em Hollywood, Spielberg ligou diretamente para Broccoli e se ofereceu. A resposta foi não, desta vez sem explicação.
A negociação mais improvável da história
A segunda recusa abriu uma das histórias mais curiosas do cinema. Broccoli ligou para Spielberg depois de Contatos Imediatos de Terceiro Grau porque queria usar a famosa melodia de cinco notas do filme em uma cena de 007 Contra o Foguete da Morte. Spielberg enxergou uma abertura. Propôs uma troca: as notas em troca de uma chance de dirigir um Bond. Broccoli disse não de novo. Spielberg deu as notas de qualquer jeito.
007 Contra o Foguete da Morte estreou em 1979 com a melodia. Spielberg não estava nos créditos. Broccoli nunca explicou os motivos das recusas. Segundo a filha do produtor, Barbara Broccoli, que administrou a franquia por décadas, o pai tinha interesse em diretores britânicos para proteger a identidade da série. Spielberg, americano e em ascensão meteórica, provavelmente nunca se encaixou nessa visão.
A conversa que valeu mais
Em 1977, Spielberg estava no Havaí com George Lucas aguardando o lançamento de Star Wars: Uma Nova Esperança. Foi lá que contou ao amigo sobre as rejeições consecutivas da EON Productions. Lucas ouviu e disse que tinha algo melhor. Apresentou um personagem chamado Indiana Smith, arqueólogo aventureiro com chicote e fedora. Spielberg topou na hora.
Os Caçadores da Arca Perdida estreou em 1981 e arrecadou US$ 212 milhões nos Estados Unidos. 007 Somente Para Seus Olhos, lançado no mesmo ano, faturou US$ 55 milhões no mercado americano. A ironia completa está em 007 Contra o Foguete da Morte, um dos filmes que Spielberg poderia ter dirigido caso Broccoli dissesse sim. O vilão do filme se chama Jaws e tem dentes de aço, numa homenagem direta ao filme de Spielberg.
Hoje, com Dia D nos cinemas, Spielberg foi perguntado se ainda toparia dirigir um Bond. A resposta foi direta: “Vocês não conseguiriam me pagar.”