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Steam Machine é mais cara e perde para o PS5 Pro em desempenho

Valve revela preço da Steam Machine: US$ 1.049 pela versão básica, com specs comparáveis ao PS5 base e desempenho abaixo do esperado.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura
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O que todos temiam, confirmado

A Valve revelou nesta semana o preço oficial da Steam Machine, e a reação da comunidade foi praticamente unânime: choque. O modelo básico, com 512 GB de armazenamento e sem o Steam Controller, sai por US$ 1.049. A versão premium, com 2 TB e o controle incluso, chega a US$ 1.428.

O aparelho, que mistura a estética de um console com o ecossistema de PC da Steam, foi anunciado em novembro de 2025 junto ao novo Steam Controller e ao headset de realidade virtual Steam Frame. O lançamento estava marcado para o início de 2026, mas a chamada “RAMageddon”, a crise global de componentes de memória impulsionada pela demanda das empresas de inteligência artificial, adiou o produto por meses e inflou o preço além do que qualquer analista havia projetado.

A questão que ficou no ar imediatamente depois foi simples: pelo que se paga mais de mil dólares aqui?

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Specs que não justificam o preço

O hardware da Steam Machine é construído sobre um chip AMD semipersonalizado com seis núcleos Zen 4, GPU baseada na arquitetura RDNA 3 com 28 unidades de computação, 16 GB de RAM DDR5 e 8 GB de VRAM GDDR6. No papel, soa razoável para um cubo compacto destinado à sala de estar.

O problema é que esse conjunto de especificações coloca a Steam Machine no mesmo nível de desempenho de um PS5 base, não do PS5 Pro, que custa US$ 150 a menos. O PS5 Pro é significativamente mais potente e ainda entrega 2 TB de armazenamento de fábrica. O PS5 convencional, por sua vez, inclui 1 TB. O modelo básico da Steam Machine oferece apenas 512 GB.

Os testes práticos corroboram essa comparação. De acordo com dados compartilhados pelo perfil Play4Index no X, Cyberpunk 2077 roda a apenas 28 fps na Steam Machine. Black Myth: Wukong foi ainda pior, com média de 20 fps. Para contextualizar: o Nintendo Switch 2 consegue rodar Cyberpunk a até 40 fps, e custa menos da metade do aparelho da Valve.

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A defesa da Valve e por que ela não convence

Diante da repercussão, a Valve foi rápida em posicionar o produto. Para a empresa, a Steam Machine não é um console, é uma extensão do ecossistema de jogos para PC. Isso explica, na visão da companhia, o preço: diferentemente de Sony, Microsoft e Nintendo, a Valve não subsidia o hardware com as margens de venda de softwares e assinaturas. O engenheiro Pierre-Loup Griffais foi direto ao afirmar que o hardware da Valve precisa ser autossustentável e que o objetivo é precificar o produto o mais próximo possível do custo real dos componentes.

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O argumento tem lógica interna, mas não resiste bem à comparação direta com o mercado. Se a Steam Machine não é um console, então compete com mini-PCs. E nessa categoria, um PC equivalente ou superior pode ser montado por um valor dentro da mesma faixa, com mais flexibilidade e sem as limitações do SteamOS. A Valve ainda cobra pelas transações realizadas na Steam, o que torna o argumento de ausência total de subsídio um pouco mais complexo do que parece.

O que a Steam Machine tem de genuinamente seu

Seria injusto ignorar o que o aparelho oferece de diferente. O design é notavelmente compacto, um cubo de pouco mais de 15 cm de lado que se encaixa com facilidade na estante de qualquer sala. A Steam Machine roda SteamOS com suporte ao Proton, o que abre acesso a uma biblioteca de jogos que nenhum console tradicional pode igualar em volume. O sistema também pode receber o Windows 11, transformando o aparelho num PC convencional. Para quem já tem centenas de jogos na Steam, existe uma proposta de valor real ali.

O processo de reserva também foi pensado para frear cambistas: é necessário ter uma conta na Steam com pelo menos uma compra realizada antes de 27 de abril de 2026 e apenas uma reserva por residência é permitida. O envio dos primeiros lotes começa em 30 de junho.

Um produto que vai vender mesmo assim

O paradoxo da Steam Machine é que ela provavelmente vai esgotar nos primeiros minutos de venda, apesar de tudo. A Valve construiu nos últimos anos uma base de usuários profundamente fiel, o Steam Deck transformou a percepção da empresa como fabricante de hardware e a promessa de jogar toda a biblioteca do PC na televisão, sem complicação, atrai um público específico que está disposto a pagar por essa conveniência.

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O problema não é a existência do produto. É a discrepância entre o que foi prometido, um aparelho acessível para a sala de estar, e o que chegou, um cubo de US$ 1.049 que roda Cyberpunk pior do que um console que custa metade do preço. A Valve tem crédito suficiente com a comunidade para sobreviver a esse lançamento. Mas a geração de consoles mais barata, que inclui o Nintendo Switch 2 e versões renovadas do PS5, vai tornar essa conversa sobre valor muito mais difícil de encerrar.

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